Caro Pedro: Que grande homenagem acaba de prestar a uma figura ímpar da canção mundial. Para além da qualidade poética e musical da obra de Cohen, outra característica que muito aprecio nos artistas é a sobriedade, não terem o umbigo maior do que o mundo. Imporem-se pela qualidade artística e não pela excentricidade e vaidade, servidas ao público pelo marketing. É cada vez mais difícil no mundo actual, mundo «da informação instantânea», em que o que conta é a espuma dos dias, e em que as massas estão (consentem deixar-se ser e estar) bastante alienadas, «bêbadas» pela torrente de estímulos e de informação. O que releva ainda mais quem escolhe um caminho contrário, como foi o caso de Cohen e de mais alguns (de repente, estou a lembrar-me do Léo Ferré, e, à nossa dimensão, do Carlos Paredes, a anti-estrela). Nunca mais me esqueci de uma frase do professor e etologista Luís Sozcka, do início dos anos 80, era eu um jovem estudante universitário, mas ainda muito operativa hoje para estabelecer paralelos, comparar situações e compreender o mundo de hoje: dizia ele que a quantidade de informação disponível era muito superior à capacidade do cérebro humano para a processar. Dada a situação de hoje, com a galáxia Internet, compreende-se melhor a «tontice» do mundo, das pessoas, perdidas neste mar revolto de bytes e terabytes de informação (não tardando que nos sejam familiares o petabyte, o exabyte, o zettabyte e o yottabyte) . Portanto, obrigado grande Leonard Cohen, mereces o nosso respeito e gratidão, também por teres remado com sucesso contra a maré dominante.
Esqueci-me de escrever o nome no final: Manuel Silva. Já alterei o perfil para aparecer o meu nome no cabeçalho dos comentários, não gosto de anónimos (ou de aparentados).
Dois mil e dezasseis não tem sido um ano bom. Ainda ontem estava sozinha no escuro, depois de um dia extenuante no trabalho que terminou noite entrada, sentada no chão, a ouvir Cohen e a chorar. Pensei em tanta coisa, sobretudo na minha mortalidade, como acontece sempre que experiencio um sentimento de perda. Leonard foi abençoado com a magia das palavras em pas de deux com compassos sonhadores. Foi daqueles artistas cuja excelência da obra tocou milhões e perdurará ad eternum. Seria eu uma pessoa feliz se tivesse a capacidade de deixar continuidade de pensamento em meia dúzia de criaturas de Deus.
Não sei se é um adeus ou um até breve, mas o embalo da voz levou-me até de manhã.
Caro Pedro:
Que grande homenagem acaba de prestar a uma figura ímpar da canção mundial.
Para além da qualidade poética e musical da obra de Cohen, outra característica que muito aprecio nos artistas é a sobriedade, não terem o umbigo maior do que o mundo.
Imporem-se pela qualidade artística e não pela excentricidade e vaidade, servidas ao público pelo marketing.
É cada vez mais difícil no mundo actual, mundo «da informação instantânea», em que o que conta é a espuma dos dias, e em que as massas estão (consentem deixar-se ser e estar) bastante alienadas, «bêbadas» pela torrente de estímulos e de informação.
O que releva ainda mais quem escolhe um caminho contrário, como foi o caso de Cohen e de mais alguns (de repente, estou a lembrar-me do Léo Ferré, e, à nossa dimensão, do Carlos Paredes, a anti-estrela).
Nunca mais me esqueci de uma frase do professor e etologista Luís Sozcka, do início dos anos 80, era eu um jovem estudante universitário, mas ainda muito operativa hoje para estabelecer paralelos, comparar situações e compreender o mundo de hoje: dizia ele que a quantidade de informação disponível era muito superior à capacidade do cérebro humano para a processar.
Dada a situação de hoje, com a galáxia Internet, compreende-se melhor a «tontice» do mundo, das pessoas, perdidas neste mar revolto de bytes e terabytes de informação (não tardando que nos sejam familiares o petabyte, o exabyte, o zettabyte e o yottabyte) .
Portanto, obrigado grande Leonard Cohen, mereces o nosso respeito e gratidão, também por teres remado com sucesso contra a maré dominante.
Excelente reflexão, meu caro. Vou destacá-la.
Esqueci-me de escrever o nome no final: Manuel Silva.
Já alterei o perfil para aparecer o meu nome no cabeçalho dos comentários, não gosto de anónimos (ou de aparentados).
Fez bem, meu caro. Confesso que também aprecio pouco anónimos.
Um grande cantor, um grande poeta! Vamos ficando cada vez mais pobres, essa é que é a realidade…
Resta-nos o Nobel da Literatura 2016, Fátima.
Dois mil e dezasseis não tem sido um ano bom.
Ainda ontem estava sozinha no escuro, depois de um dia extenuante no trabalho que terminou noite entrada, sentada no chão, a ouvir Cohen e a chorar.
Pensei em tanta coisa, sobretudo na minha mortalidade, como acontece sempre que experiencio um sentimento de perda.
Leonard foi abençoado com a magia das palavras em pas de deux com compassos sonhadores. Foi daqueles artistas cuja excelência da obra tocou milhões e perdurará ad eternum.
Seria eu uma pessoa feliz se tivesse a capacidade de deixar continuidade de pensamento em meia dúzia de criaturas de Deus.
Não sei se é um adeus ou um até breve, mas o embalo da voz levou-me até de manhã.
Há seis meses já tinham partido estes, Dulce: ere-have-all-those-songs-gone-8342716
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/wh
A lista de músicos que se despediram de nós em 2016 está agora muito maior.