8 comentários em “So long, Leonard”

  1. Caro Pedro:
    Que grande homenagem acaba de prestar a uma figura ímpar da canção mundial.
    Para além da qualidade poética e musical da obra de Cohen, outra característica que muito aprecio nos artistas é a sobriedade, não terem o umbigo maior do que o mundo.
    Imporem-se pela qualidade artística e não pela excentricidade e vaidade, servidas ao público pelo marketing.
    É cada vez mais difícil no mundo actual, mundo «da informação instantânea», em que o que conta é a espuma dos dias, e em que as massas estão (consentem deixar-se ser e estar) bastante alienadas, «bêbadas» pela torrente de estímulos e de informação.
    O que releva ainda mais quem escolhe um caminho contrário, como foi o caso de Cohen e de mais alguns (de repente, estou a lembrar-me do Léo Ferré, e, à nossa dimensão, do Carlos Paredes, a anti-estrela).
    Nunca mais me esqueci de uma frase do professor e etologista Luís Sozcka, do início dos anos 80, era eu um jovem estudante universitário, mas ainda muito operativa hoje para estabelecer paralelos, comparar situações e compreender o mundo de hoje: dizia ele que a quantidade de informação disponível era muito superior à capacidade do cérebro humano para a processar.
    Dada a situação de hoje, com a galáxia Internet, compreende-se melhor a «tontice» do mundo, das pessoas, perdidas neste mar revolto de bytes e terabytes de informação (não tardando que nos sejam familiares o petabyte, o exabyte, o zettabyte e o yottabyte) .
    Portanto, obrigado grande Leonard Cohen, mereces o nosso respeito e gratidão, também por teres remado com sucesso contra a maré dominante.

      1. Esqueci-me de escrever o nome no final: Manuel Silva.
        Já alterei o perfil para aparecer o meu nome no cabeçalho dos comentários, não gosto de anónimos (ou de aparentados).

  2. Dois mil e dezasseis não tem sido um ano bom.
    Ainda ontem estava sozinha no escuro, depois de um dia extenuante no trabalho que terminou noite entrada, sentada no chão, a ouvir Cohen e a chorar.
    Pensei em tanta coisa, sobretudo na minha mortalidade, como acontece sempre que experiencio um sentimento de perda.
    Leonard foi abençoado com a magia das palavras em pas de deux com compassos sonhadores. Foi daqueles artistas cuja excelência da obra tocou milhões e perdurará ad eternum.
    Seria eu uma pessoa feliz se tivesse a capacidade de deixar continuidade de pensamento em meia dúzia de criaturas de Deus.

    Não sei se é um adeus ou um até breve, mas o embalo da voz levou-me até de manhã.

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