Foi particularmente interessante assistir aos debates parlamentares que decorreram durante a semana.
A maioria que sustentou o actual governo demonstra estar tranquila com a sua diversidade. Um governo do PS, uma maioria de esquerda à qual só faltará juntar um presidente de esquerda – mas esta questão fica para outros escritos.
A posição conjunta entre PS e BE, PCP e PEV é um bom ponto de partida que parece ser simpático para todos. Ainda assim, muitos desafios terão pela frente. Ao contrário do que a trupe de comentadores que se repete nas TV’s, demasiado ocupados a papaguear questões financeiras, o grande engulho para a maioria parlamentar não será o orçamento ou o défice mas, muito provavelmente, as eleições autárquicas – caso não sejam preparadas em conjunto (que não quer dizer em coligação) e com tempo.
Ao invés, PSD e CDS, estão em processo de auto-flagelação. A tese da ilegitimidade e o ataque de carácter a Costa tem eco na população. O problema é que não se consegue resistir quatro anos a dizê-lo. O pico máximo de popularidade dessa tese ocorreu no dia em que foi declarada pela primeira vez. A partir daí só perde simpatizantes. Mais dia menos dia o PSD deverá ir para Congresso. Fora do poder, com um Passos Coelho radicalmente contra o governo de Costa e, muito provavelmente, com algumas das suas medidas sob investigação (política e judicial) surgirá, certamente, um candidato que procure retomar as pontes ao centro porque isso significa mais votos e muitos lugares na administração pública, mesmo com um governo do PS. Para já o CDS parece-me imprevisível. Veremos se os próximos tempos ajudarão a clarificar-se.
Situação política
Tiago Mota Saraiva,

Situação Politica/Económica
O PS acaba de comprar o Diário de Noticias …. Reparem que o jornal online, abre sempre em ponto grande com a (s) fronha(s) do 1º. M… (que é o 1º. M … jackpot de casino!
Embora o comentarismo politico ande preocupado com a ênfase que a coligação à direita tem dado à falta de legitimidade do actual governo, parece-me que esse tempo terminou com a discussão do seu programa no Parlamento.
É evidente que Passos Coelho vai continuar a tratar o Costa como chefe do governo em vez de 1º ministro, mas não lhe podemos levar isso a mal, afinal no confronto directo para o cargo entre ele e o Costa, os eleitores escolheram-no a ele, e defender que os eleitores do BE e do PCP votaram no Costa para 1º ministro é uma falácia.
Quanto ao resto, concordo que as autárquicas vão ser muito importantes para a coesão da frente de esquerda, mas o que eu duvido é que este governo lá chegue.
O PCP e o BE estão em vias de ver os seus cadernos de encargos apresentados ao PS para lhe deixarem passar o governo no Parlamento concluídos. Depois disso, o governo ultra minoritário do PS vai ter que ver aprovadas coisas muito complicadas de aceitar por estes partidos, como o controle das contas publicas, entre os quais o pormenor de ninguém fala e que é a OBRIGAÇÃO de ter um defice de 1,9% em 2016. E aqui é que a festa vai começar!
Para chegar a 1º ministro, António Costa e o grupo que o acompanha dentro do PS acharam que seria possivel ter “sol na eira e chuva no nabal”, o que significa em termos práticos ter por um lado a esquerda radical para lhe aprovar “as coisas boas” como a devolução de salários e pensões e por outro ter a direita para lhe aprovar as coisas chatas que os burocratas de Bruxelas nos vão continuar a impôr.
Perante este cenário, e embora em politica o futuro seja sempre incerto, ficaria muito admirado se este governo passar para lá do próximo verão.
Fraco. Com tanto assunto cabeludo para falar e apontar caminhos (politica face imigrantes, defice economico,leis fantasiosas dos novos deputados, greves dos pulhas sindicais) vir falar dos problemas da direita? eles não têm gente capaz de encontrar soluções? !!!
Agradeço a quem de direito por ter incluído no Delito, com a chegada do Tiago, a componente de paródia que faltava. No meio de assuntos sérios, faz sempre bem rir para variar. Obrigado ao Delito.
Eu acho uma tragédia.
Vão rindo, vão! A azia vai passando com o tempo e há uma coisa que ninguém muda! Fez-se história! O resto cá estamos para ver!
Investigação política e judicial — não há nada como misturar as duas coisas à boa maneira dos soviéticos.
Peço desculpa, Dr. Rangel.
O blogue está infectado. Tchau.
Tenha cuidado, muito cuidado.
Só uma pequena observação lateral ao post: o comentador “RMG” não é o comentador “rmg”.
Partilhamos as iniciais e agradeço ao RMG o cuidado de assinar de forma diferente da minha mas não podia deixar de dizer isto, andei muitos anos por caixas de comentários e em especial nesta aqui para saber que estas chamadas de atenção são necessárias.
De resto até partilho um pouco a opinião dele.
É que eu, não o sendo nem nunca o tendo sido, nasci, cresci e vivi mais de 35 anos no meio de comunistas “a sério”, dos que passaram muitos maus momentos, como aqui tantas vezes contei com episódios concretos e verificáveis pelos que aqui me conhecem pessoalmente..
Mas esses nunca escreveriam um post destes, em especial o último parágrafo.
Ao contrário de alguns comentadores, eu acho estimulante a vinda de um comunista como é o Tiago Mota Saraiva para o Delito de Opinião. Ele escreve o que entende e os comentadores comentam, concordando ou não com o que ele escreve.
É assim que deve ser num blog interessante e pluralista como é o Delito onde tanto quanto me tenho apercebido desde que em boa hora o comecei a frequentar, tudo pode ser publicado desde que não fuja aos padrões do respeito e da boa educação.
Por isso, seja benvindo Tiago Mota saraiva.
Este post, além de escrito como uma redacção da antiga 4ª classe, é feito com uns óculos muito especiais. E distorcidos. Lamento.
Escrito como o Professor Crato gosta.
Tenho estranhado o silêncio sobre as autárquicas. O PCP precisa do bode expiatório do poder central, se estiver demasiado próximo dele arrisca-se a não se demarcar o suficiente do PS, o que seria fatal. As autárquicas serão um momento chave da coligação negativa de esquerda.
Investigação politica e judicial !? – os pulhas da PIDE, STASI (mais congenial ao miserável escriba…) e equivalentes cabrais é que eram useiros de tais veladas canduras! Se houver alguma fundação para pesquisa médica de sedativos para anormais com estas patologias cripto-estalinistas , enviem-me o IBAN que recebem donativo!
Investigação politica e judicial !? – os pulhas da PIDE, STASI (mais congenial ao miserável escriba…) e equivalentes cabrais é que eram useiros de tais veladas canduras! Se houver alguma fundação para pesquisa médica de sedativos para anormais com estas patologias cripto-estalinistas , enviem-me o IBAN que recebem donativo!
“A maioria que sustentou o actual governo demonstra estar tranquila com a sua diversidade. Um governo do PS, uma maioria de esquerda à qual só faltará juntar um presidente de esquerda – mas esta questão fica para outros escritos.”
Diversidade? Tranquilidade? Que grandes amigos, greves agendadas, múltiplos candidatos presidenciais, Jerónimo manda recados ao PS e ao BE, demarca-se do “Governo e programa”.
“Ainda assim, muitos desafios terão pela frente. Ao contrário do que a trupe de comentadores que se repete nas TV’s, demasiado ocupados a papaguear questões financeiras, o grande engulho para a maioria parlamentar não será o orçamento ou o défice mas, muito provavelmente, as eleições autárquicas – caso não sejam preparadas em conjunto (que não quer dizer em coligação) e com tempo.”
Quem anda preocupado são as trupes de BEs que mesmo representando uma parcela irrisória da população, a reboque do PS, já andam por aí a dizer que as contas isto, que a pressão vai ser enorme, e todo aquela lista típica de desculpas para quando não se treina e se vai dar uma de campeão com os amigos. Os jornais, comentadores e TVs fazem muito bem a papaguear questões financeiras, porque sem a finança, sem a realidade e sem dinheiro o país não se mexe. Da conversa politiqueira está o zé farto. O problema, o vosso sobretudo, é que o zé nos últimos anos instruiu-se minimamente, por isso é que não deu maioria a nenhum, embora tenha dado vitória a uns – aqueles malvados. Já deviam ter sacado outras conclusões e não tratar os eleitores como estúpidos.
“Ao invés, PSD e CDS, estão em processo de auto-flagelação. A tese da ilegitimidade e o ataque de carácter a Costa tem eco na população. O problema é que não se consegue resistir quatro anos a dizê-lo. “
Ciência política de 1º ano. Uma coisa é a legalidade politica outra coisa é a legitimidade. Poderão usar do argumento legalidade quando bem entenderem, mas a legitimidade está do lado dos eleitores e eles raramente se esquecem. Por isso é que o Cavaco apesar de ser maltratado, e consequentemente maltratados os seus eleitores ganhou mais vezes e sem “duvidas” do que qualquer outro. É preciso um desenho srs dos 400 mil votos que falam pelo povo?
“O pico máximo de popularidade dessa tese ocorreu no dia em que foi declarada pela primeira vez. A partir daí só perde simpatizantes. Mais dia menos dia o PSD deverá ir para Congresso. Fora do poder, com um Passos Coelho radicalmente contra o governo de Costa e, muito provavelmente, com algumas das suas medidas sob investigação (política e judicial) surgirá, certamente, um candidato que procure retomar as pontes ao centro porque isso significa mais votos e muitos lugares na administração pública, mesmo com um governo do PS. Para já o CDS parece-me imprevisível. Veremos se os próximos tempos ajudarão a clarificar-se.”
O PSD não é de direita, ou alias, é a possível direita em Portugal. O PSD é tão centro com o CDS ou era o PS (hoje não sabemos). As diferenças são mínimas. Só o facto de todos necessitarem do Estado para se elegerem, de evitarem cortar no Estado e manterem aquele monstro atracado aos impostos dos cidadãos, mete esses partidos todos no CENTRO, no grande CENTRO. A diferença do PS para o PSD, é que o PS ainda vive no meio das fábulas de enganar tolos, dos valores de Abril, da superioridade moral da esquerda e de outras conversas que agradam aos ouvidos daqueles que ainda têm sonhos molhados com “Abril” – mas no fundo gostam tanto de o deturpar como todos os outros.
Quando essa geração desaparecer, ou o PS se renova, ou morre. Já ninguém tem paciência para superioridade moral nem para distorção de factos, muito menos de 40 anos a falar do mesmo, das mesmas palavras vagas e de valores que ninguém os vê nem reconhece. A trafulhice tá cá toda e a mesma ausência de estratégia, pensamento nacional, visão e plano também.
“A maioria que sustentou o actual governo demonstra estar tranquila com a sua diversidade. “
uma visão muito optimista de um grupo sem nada em comum, excepto o poder, claro.