Sinto-me bem acompanhado


Pedro Correia,

«Preferia que o tivessem dado [Prémio Nobel] a Salman Rushdie como símbolo da luta contra o islamismo radical. Especialmente depois do que se passou [em Nova Iorque]. Mas os Nobel são prémios muito cobardes, têm medo das represálias do islamismo radical, têm medo também de premiar Rushdie, apesar de a sua obra ser muito mais vasta do que a de Annie Ernaux. Ela é boa autora, mas menor. O prémio que lhe deram é consequência do movimento #MeToo.» 

Pascal Bruckner, em entrevista ao El Mundo (4 de Novembro)

 

Leitura complementar:

O Nobel para Rushdie (20 de Setembro)

O declínio (7 de Outubro)

7 comentários em “Sinto-me bem acompanhado”

  1. Eu não concordo muito com a ideia de atribuir um prémio de literatura para sinalizar uma outra causa. Dito isto, o Salman Rushdie merecia de facto o prémio Nobel da Literatura, independentemente da fatwa e das facadas. Não li nada de Annie Ernaux, mas vi uma reportagem sobre um dos seus livros e não me pareceu o tipo de literatura que me interessasse. Demasiado woke para o meu género…

    1. Pois, este Nobel “sinalizou” o feminismo #MeToo, como Bruckner salienta.
      Não fosse o “corajoso” júri sueco sofrer o que sofreram dois tradutores de Rushdie: um foi assassinado, outro ficou gravemente ferido, aliás como o próprio Rushdie neste Verão.
      O melhor é fingir que ele não existe.

  2. Portanto, os Nobel da literatura devem ser “símbolos”. Dá-se o Nobel da literatura a este ou àquela, não por serem bons escritores, mas para simbolizar algo.

    1. Rushdie é um dos maiores escritores contemporâneos. Não precisa dos favores do medroso Comité Nobel.
      Ignorado não por falta de qualidade mas por ter a cabeça a prémio do islamismo mais e radical: os membros do júri sueco querem evitar chatices.
      “Símbolo” é a medianíssima escritora premiada este ano. Enaltecida como “símbolo do feminismo”.

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