Recapitulo aqui alguns dos textos que venho publicando desde 2013 no DELITO sob a epígrafe sinais dos tempos. A propósito dos mais diversos temas – do terrorismo islâmico às séries de televisão socialmente correctas, da morte do jornalismo tradicional às absurdas guerras do futebol.
Deixo-os novamente à consideração dos leitores, que são muitos e bons. Para ler, pensar e discutir.
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Sobre as justificações “sociais” dos homicídios: «Nunca faltam psiquiatras a conferir um atestado de respeitável validade à tese implícita de que o gatilho é premido pela “sociedade” e não pelos assassinos.»
Sobre o triunfo da irrelevância: «Por estes dias as indignações propagam-se em fluxos sincopados, produzindo um inevitável efeito de banalização. São sempre de alta intensidade e de extrema volatilidade.»
![17635452_f5Z3U[1].jpg 17635452_f5Z3U[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2018/20845826_75PL6.jpeg)
Sobre a série Segurança Nacional: «Bem-vindos ao admirável século XXI, onde o direito à privacidade se tornou miragem e o direito à intimidade não passa de um mito.»
Sobre a violência no futebol: «Até onde nos conduzirá este caminho que trilhamos de absoluto desprezo por tudo aquilo que ao longo dos milénios foi distinguindo o homo sapiens da primitiva besta humana?»
Sobre os crimes com motivações políticas: «Nenhuma “exclusão social” ou “marginalização” de qualquer espécie justifica o comportamento daqueles que degolam, lançam a bomba ou comprimem o gatilho.»
Sobre a banalização do mal: «Vídeo após vídeo, fotografia após fotografia, somos inoculados pelo veneno do medo ministrado pelas bestas totalitárias.»
Sobre a celebridade dos assassinos: «Nunca cessarei de me espantar com o reduzido valor da vida humana na moeda corrente do tráfego noticioso.»
Sobre o desaparecimento de jornais: «Entre os factores desta crise, é quase sempre omitido um dos principais: a gritante incompetência de muitos proprietários de órgãos de informação, que não têm cultura mediática e por vezes são totalmente destituídos de dinâmica empresarial.»
![19699947_RQW6Y[1].jpg 19699947_RQW6Y[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2018/20845848_aJ331.jpeg)
Sobre a televisão socialmente correcta: «Os Sopranos foi talvez a última grande série norte-americana capaz de enfrentar com êxito estes poderosos lóbis que patrulham a escrita, realização e actuação televisiva nos Estados Unidos.»
Sobre a devassa da vida privada: «Conceitos como recato e pudor parecem ter deixado de fazer sentido na era digital, em nome da “transparência”, conceito controverso quando estão em causa questões sem o menor interesse público.»
Sobre o trabalho na era digital: «Trabalhamos em rede, com instrumentos sofisticados e uma rapidez de obtenção de dados inimaginável há duas décadas, mas este mundo digital do século XXI insere-se em absurdas rotinas laborais que remontam ao século XIX.»
![20242384_4P0qc[1].jpg 20242384_4P0qc[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2018/20845850_jBEcv.jpeg)
Sobre o declínio do pensamento: «O erudito está hoje condenado ao ostracismo pela ululante multidão de “utilizadores” das chamadas redes sociais, dispostos a substituir o pensamento racional por emoções avulsas, inflamadas com muitos likes.»
Sobre a ideologia animalista: «Eis a tese marxista da luta de classes aplicada à relação entre o homem, as vacas e as galinhas.»
Sobre a futebolização do País: «Os adversários tornaram-se inimigos, os desafios transformaram-se em batalhas, os saudáveis confrontos derivaram para devastadoras guerras.»
![20610891_ZeKea[1].jpg 20610891_ZeKea[1].jpg](https://delito.brucke-multimedia.com/images/2018/20845852_j15Ie.jpeg)
Sobre as palavras sujeitas às patrulhas vigilantes: «O vocabulário comum em democracia torna-se policiado como se vivêssemos em ditadura.»
Sobre o boato transformado em “verdade”: «Assim vamos andando: dispara-se primeiro e reflecte-se depois. Com o genuíno jornalismo praticamente em vias de extinção, entretanto absorvido pelas “redes”.»
Sobre o machismo do sexo feminino: «Algum do pior machismo vem surpreendentemente de onde menos se espera. Mulheres contra mulheres – tolerantes com eles, inclementes com elas.»

Deveriam convidar a Maria Helena para colunista.
Só faltam os números do Euromilhões.
Contudo no aspecto político-económico da Geringonça têm falhado como a Teodora, a Pitonisa.
Convidámos o Professor Karamba, especialista em adivinhar o totobola à segunda-feira. Ele recusou polidamente, alegando andar muito ocupado na assessoria à geringonça.
Todos os temas continuam tão actuais como o eram há dois ou três anos.
Na sua maioria, os textos são excelente.
Foi bom relê-los e aos comentários.
PS.: Gostei de “Mindhunter” na Netflix, e não sendo grande fã de sci-fi, gostei de “Black Mirror”. Em Fevereiro estreia nova temporada de “Homeland”, que não tem desapontado. Rever a primeira temporada é coisa que faço no Verão, quando as séries aparvalham.
Bom Domingo !
Este domingo optei por fazer uma revisão da matéria dada, Dulce. De vez em quando convém avivar memórias – começando pela nossa.
Eu em matéria de séries costumo andar sempre um passo ou dois atrasado e não me arrependo disso. Das actuais não perco ‘This Is Us’. Espero escrever muito em breve sobre esta pequena-grande obra-prima.
Sinais dos tempos, toda a gente se ofende:
http://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/b ombeiros-revoltados-com-cabras-sapadoras
Têm bom remédio: transformem-nas em chanfana. Se o PAN autorizar.
Lucklucky outra vez aparecendo como anónimo.
Já marchava uma chanfana a estas horas…