Sinais


Teresa Ribeiro,

Num país de crescimento demográfico negativo, a maternidade de referência anda de mão estendida por falta de verbas. O quadro tem uma forte carga simbólica. Sugere-me paisagens desoladas como aeroportos de província desactivados ou cidades fantasmas, como as que vemos em certos westerns. Portugal também ficaria bem a rodar em ecrã gigante, talvez com o som de rock depressivo em fundo. Joy Division ou um daqueles temas incompreensíveis e aflitos de Bjork combinam bem com imagens decadentes, como a da Maternidade Alfredo da Costa a pedir esmola.

4 comentários em “Sinais”

  1. A situação de colapso da maternidade mais importante do País, forçada a estender a mão à caridade pública, simboliza de forma dramática o colapso do governo Sócrates. Espero que não simbolize também o colapso do que resta do nosso ‘estado social’. Na actual fase, os piores pesadelos tornaram-se possíveis, Teresa. Verificamos isso todos os dias em Portugal.

    1. Eles continuam a dirigir os nossos destinos dentro dos seus partidos, de sorriso de orelha a orelha, com os mesmos a ocupar os primeiros lugares das listas a deputados. Porque sabem que os portugueses sabem, que não à volta a dar e lá estarão: uns a dar a cara, com os outros a guardar-lhes as costas e como se nada fossem com eles, apregoam até perderem a voz. Que são a única esperança de um povo resignado a ser passadeira de passagem a políticos sem engrenagem.

  2. Muito bem assinalado, Teresa. Infelizmente, a maternidade de referência, como dizes, sofre também do mal de referência que temos: a gestão incompetente (danosa até, em vários aspectos) do nosso país.

  3. Espere pela linha TGV Caia-Poceirão com os carris esventrados, estação de caminho de ferro abandonada, tumbleweed a rolar…

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