Sir Humphrey Appleby, secretário-geral vitalício do ministério dos Assuntos Administrativos – [Falando numa reunião de trabalho com os secretários-gerais de outros ministérios] O meu ministro está decidido a abrir os quadros do ministério a 25% de mulheres.
Sir Arnold Robinson, secretário-permanente do gabinete do Primeiro-Ministro – Parece-me correcto que homens e mulheres sejam tratados em pé de igualdade. E julgo que todos concordamos, em princípio, com esse desígnio.
[Vozes de concordância à volta da mesa, onde só há homens]
Secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros – Sou inteiramente a favor. Tem de haver discriminação positiva a favor das mulheres. Mas não resultaria nos Negócios Estrangeiros, obviamente. Não podíamos enviar embaixadoras a países muçulmanos. A maior parte dos países do Terceiro Mundo, ao contrário de nós, não está evoluída na questão dos direitos das mulheres. Mas aprovo o princípio.
Secretário-geral do Ministério da Administração Interna – Também sou favorável. Necessitamos de um toque feminino: as mulheres tratam alguns problemas melhor que os homens. Mas devemos abrir uma excepção no meu ministério: as mulheres não servem para dirigir prisões nem corporações policiais. E provavelmente nem quereriam desempenhar essas tarefas.
Sir Arnold – Mas concorda com o princípio?
Secretário-geral do Ministério da Administração Interna – Sem a menor dúvida.
Secretário-geral do Ministério da Defesa – Na Defesa, o mesmo – com tantos almirantes e generais. Além disso uma mulher não pode chefiar os serviços secretos…
Sir Humphrey – M tornar-se-ia F…
Sir Arnold – A Defesa é coisa para homens. Tal como a Indústria e o Emprego – com tantos dirigentes sindicais. E a Saúde, John?
Secretário-geral do Ministério da Saúde – Temos as mulheres representadas quase ao mais alto nível. Mas, claro, não podem ser secretárias-gerais porque são médicas e não sei se estariam à altura… Sublinho, no entanto, que 80% do nosso pessoal de escritório e 99% da dactilografia é composto por mulheres. Não as tratamos muito mal, pois não? E, em princípio, concedo que cheguem ao topo do ministério.
Sir Arnold – Muito bem. Acho que a opinião global é favorável aos direitos das mulheres.
Sir Humphrey – Quanto à questão das quotas, francamente, sou contra. Na minha perspectiva, devemos promover sempre o homem mais capaz, independentemente do sexo.
Sir Arnold – Em conclusão, compete-vos influenciar os respectivos ministros de modo a que se oponham à inclusão de mulheres nos ministérios. Isto sem prejuízo da adopção genérica do princípio da igualdade de oportunidades.

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