Sim, Senhor Ministro (29)


Pedro Correia,

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Sir Humphrey Appleby, secretário-geral vitalício do ministério – Não devemos retirar dinheiro destinado às artes e investi-lo em coisas como o futebol. Um clube de futebol é uma empresa comercial. Se tiver falta de dinheiro, nada justifica que receba subsídios.

Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker – Porque não?

Sir Humphrey – Porque não?!

Ministro – Sim, porque não? Não há qualquer diferença entre um subsidio para as artes e um subsídio para o futebol- a não ser que existe muito mais gente interessada no futebol.

Sir Humphrey – A nossa herança cultural deve ser preservada!

Ministro -Para quê? Para pessoas como você.

Sir Humphrey – Para mim?!

Ministro – Para a classe média instruída. Porque há-de o resto do país subsidiar os prazeres minoritários da classe média – o teatro, a ópera ou o bailado? Neste país os subsídios às artes não passam de uma vigarice da classe média.

Sir Humphrey – Como pode dizer uma coisa dessas, senhor ministro? Subsidiar é educar, é preservar o mais importante da nossa civilização. Ainda não reparou nisso?

Ministro – Não venha com superioridades! Não há mal nenhum em subsidiar o desporto. O desporto faz parte da educação.

Sir Humphrey – Também existe educação sexual. Devemos subsidiar o sexo?

Ministro – Devemos escolher aquilo que merece ser subsidiado, de acordo com a vontade popular. Não tem mal nenhum, é democrático.

Sir Humphrey – Isso é perigosíssimo! De acordo com essa lógica, o que aconteceria à Royal Opera House, o ponto mais elevado das nossas conquistas culturais?

Ministro – A Ópera é um bom exemplo. O que é que eles apresentam lá? Mozart, Wagner, Verdi, Puccini… Alemães e italianos! Não tem nada a ver com a nossa cultura. Vamos subsidiar as potências do Eixo?

Sir Humphrey – São nossos parceiros europeus, senhor ministro.

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