silly season TV


enlil,

Jeff Wall, “A sudden gust of wind (after Hokusai)”, 1993

 

A RTP1 é invendável por falta de comprador – repitam como um mantra: “não há mercado, não há mercado…”

A RTP1 só poderia tornar-se apetecível se for subsidiada pela taxa. Ideia genial: a taxa não sai dos cofres do Estado mas do bolso dos consumidores de electricidade. Donde a “concessão de gestão” sugerida pelo sr. António Borges.

Mas uma RTP1 de operação privada e subsidiada seria um atentado – pode-se dizer criminoso? – contra as regras normais de um mercado normal. Com esta fórmula, um concorrente teria acesso à cabeça a uma fonte de receita vedada aos outros, graças a um mero dispositivo legal de circunstância.

Porque não haveriam os srs. Balsemão e Pais do Amaral ter também o direito a parte igual dessa taxa? Não são também eles afinal concessionários de uma frequência que é pertença do Estado? E a RTP1 continuaria com a restrição de 6 minutos por hora de publicidade em vez dos 12 minutos dos operadores privados, ou será uma questão de somenos para o fulminante, embora etéreo, espírito do sr. António Borges?

Agora que este problema está resolvido, proponho que o sr. António Borges nos diga que planos tem para a comercialização do bosão de Higgs – segundo creio ele também não percebe nada de física…

6 comentários em “silly season TV”

  1. 1.- …e a SIC ou a TVI não fazem serviço público? Quantas reportagens destas duas estações fizeram mais serviço público?

    2.- O que será serviço público? Será ver aquele cinema subsidiado com o suor dos contribuintes e ninguém vê? Ou aquela entrevista feita a uma entidade fantástica, intelectualmente rica mas o bazaroco do funcionário que a faz nada percebe? Ou uma ida à aldeia xyz mostrar um costume qualquer? Ou ainda será a apresentação de notícias numa perspetiva neutra (!?)?

    3.- Em Portugal, em que trabalhar é uma questão, uma dificuldade, um complexo semântico, a não ser que tenha o Estado como intendente, o capitalismo existente faz-se na ilusão, sem risco.

    4.- De qualquer forma, isto é “peanuts” … paga 15% dos juros da dívida…

  2. Marcelo Rebelo de Sousa garantia hoje na TVI que António Borges avançou com tais afirmações com a anuência de Miguel Relvas….

    1. Peço desculpa contrariá-lo, mas o sr. Marcelo R. de Sousa costuma fazer “factos políticos” com “cenários” baseados em “fontes” (creio que tem o copyright de cada uma destas palavras…) Ou seja, nada do que diz é credível porque tudo tem um segundo sentido ou “sentido outro” como diria Eduardo Prado Coelho. Além de que a questão aqui não é a intriga acerca do “quem” diz, mas outra – os argumentos acerca do “quê” se diz.

    2. Então se tal fosse verdade, isso só tornaria ainda mais gravosa a atitude de quem se presta a esse tipo de intrigalhada.

      Quanto ao bosão de Higgs lamento desiludi-lo. O ministro da tutela, aquando da sua última deslocação a Angola, já prometeu a sua comercialização a um consórcio formado pela holding holandesa do Pingo Doce, a Lusa e uma feiticeira do Sambizanga , que depois de lhe deitar as pedras, a conselho do Zé Du , disse-lhe que a privatização da RTP seria uma espécie de Euromilhões com o dinheiro dos contribuintes. Com o que lá puseram nos últimos anos e com o que continuarão a pôr para garantirem os lucros do concessionário. Tudo muito transparente.

  3. Um Governo farsante, coorporativista-socialista, patético.

    É bem melhor vender a RTP aos trabalhadores que lá estão e eles que continuassem com a empresa. Se viver vive, parabéns, se morrer é porque não foram suficientemente bons ou o dos melhores dos maus tal é o panorama…

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