«O único belga muito, muito fixe que conheço chama-se Tintin e não me parece que se oponha a um bom piropo. Um rotundo piropo daqueles que vêm de muito lá do fundo, de um balde de pedreiro ou de um de fato Giorgio Armani: não há nenhuma mulher no mundo que não os aprecie. Roliços, reimosos, picantes, melosos ou a transbordar de malícia e sexo rápido no vão da escada. Um piropo depois de um dia de muita raiva, ramelas e uma troca de galhardetes com a colega competente de serviço é o melhor que nos pode acontecer: «És gira de pai e mãe!»; «Tens tudo no lugar»;«Não nos conhecemos de qualquer lado?», ou a melhor que já ouvi «As tuas não são de silicone» – apesar de uma míope copa B/C – são piropos que ajudam o dia de qualquer mulher, reconciliam-na com o espelho e, muito melhor que tudo isto, põem-lhe no rosto o brilho que deveríamos ter todos os dias, quanto mais não fosse para que no emprego nos perguntassem se nós somos como as hienas. Hi! Hi!
Não imagino a minha vida sem um bom (ou mesmo um mau) piropo. Também valem os dos filhos e o “Bom dia” mais conspícuo do senhor da portaria, nos dias em que o eye-liner não ficou às curvas. Mas isto digo eu que não sou belga.
Confesso que, às vezes, me apetece assobiar a umas belas cãs ou uma gravata bem escanhoada. Confesso que já pensei em muitos piropos que gostava de ter dito… Multar quem diz piropos?!
Não compreendo! E que fazer a quem está sempre de mau humor e tem a arrogância de pensar que o seu sofrimento é superior ao de todos os outros mortais?
(Se calhar passará a haver piropos normalizados…)»
Da nossa leitora Linda David. A propósito deste texto da Laura Ramos.


Muito bem escolhido. 😉
Bem, eu vou, mais uma vez, destoar. Podem pensar que é mania, mas não é. E também não tem nada a ver com o “politicamente correto”, expressão que me soa a hipocrisia e, por isso, rejeito. Mas, pegando nas próprias palavras da Laura Ramos: “desde que em formas aceitáveis e feitas à imagem da mente do seu sujeito”. Pois, é isso mesmo! É que há piropos e piropos (talvez os últimos não se possam chamar piropos). E já ter formas femininas com doze anos e ouvir “javardices” de trolhas pode causar muito mal estar…
E agora, quem decide a diferença entre um piropo e um atentado à dignidade de uma adolescente, que está longe de ser segura de si, e a quem certas expressões lhe atiram com a autoestima pela sarjeta abaixo?
Claro que tem razão, Cristina.Eu só me referia ao exagero da ‘norma’, que é totalitária e contagiante. Um perfeito disparate.
A questão está na norma, percebe’?
Como seria a sociedade, se penalizássmos tudo?
Um horror.
Sim, não há dúvida de que medidas destas se prestam a abusos. É, mais uma vez, uma questão de educação e civismo, claro que também gosto de ouvir piropos. Mas, infelizmente, nem toda a gente sabe lidar com a liberdade que tem.
Sou suspeita, mas acho que acertaste, Pedro.
Digo eu, que até gosto dos belgas, os alentejanos das anedota dos franceses… para quem não saiba.
A Linda David apanhou a ‘coisa’. E tu estás sempre em forma e muito atento.
Gosto muito desta tua capacidade de omnipresença…Só não sei como consegues ter tempo par tudo!
Às vezes nem eu sei, Laura.