Passada a fase do seleccionador que era esmurrado pelo jogador, veio a fase do seleccionador que esmurrava o jogador da equipa adversária. Depois passámos à fase do seleccionador que esmurra o jornalista e comentador televisivo. Agora estamos num outro nível, estamos na fase em que o seleccionador nacionaldescontente com o trabalho de um jornalista que o entrevistou o mimoseia com termos do género “vigarista”, “execrável” e “aldrabão”. A próxima fase deverá ser o insulto directo aos portugueses que não vislumbraram as suas virtudes.
Por muitas qualidades que possa ter, quando um seleccionador nacional chega até aqui dizendo o que Queiroz disse, só há um caminho: a porta de saída. Não há nada que justifique a grosseria, qualquer que seja a razão que ainda tenha.
Para isso talvez fosse necessário estarmos noutro planeta. Com Gilberto Madaíl à frente da Federação é natural que tudo fique como está. Madaíl sabe que quando se mexe na lama acaba-se sujo. Daí que também não se perceba para que quer ele o estatuto de utilidade pública se a agremiação que gere, desde Saltillo, é pródiga neste tipo de situações.

Dizes tudo quanto há a dizer sobre este lamentável tema, Sérgio. Subscrevo.
Muito bem.
Talvez o Sérgio ou outros membros do DO conheçam o jornalista d’O Sol e possam garantir que nunca na vida ele escreveria algo de falso nem se enganaria seja no que fosse, mas eu não o conheço. Como tal, até que O Sol divulgue de facto a gravação, vou esperar para ver.
Seja como for, espero que essa posição (demissão do seleccionador) tenha sido semelhante quando Scolari esmurrou (ou tentou esmurrar) o jogador da Sérvia. Na minha opinião foi uma situação bem pior (a comparação até soa algo oca) e o senhor Scolari continuou alegremente ao comando da selecção.
Já agora, uma pergunta: quando é que Queirós usou esses termos relativamente ao jornalista? Na entrrevista com ele? Na entrevista à Antena 1? Noutro lado? A notícia do Público não esclarece.
Por fim pergunto: porque razão deve Queirós demitir-se? Insultou a população portuguesa ou apenas um jornalista? Por ter mentido? Por achar que a estrutura da FPF é amadora? Tanto quanto vejo, Queirós pode levar com um processo pelo jornalista por atentado à honra ou algo do género. De resto? Bom, com o que a imprensa portuguesa lhe tem chamado nos últimos tempos, uma reacção destas até espanta por tão tardia. Não a defendo, mas não espanta. Imagino o que diriam os jornalistas portugueses se se tratasse de Maradona…
Os termos são os do próprio Carlos Queiroz na gravação que foi ontem à noite divulgada pela TVI24, SIC-N e RTPN. E faltaram-me alguns mais.
E porque razão não divulga O Sol a conversa? Entramos na questão que o Luís Lavoura refere abaixo: quem está a falar verdade?
Repito a pergunta inicial: também fez coro a pedir a demissão imediata de Scolari?
Basta ver os arquivos dos blogues para saber o que pensei e escrevi sobre Scolari.
Sérgio, já agora, não esquecer a fase do seleccionador que achava que isto só ia lá quando limpassem dois ou três tipos com uma G3 (não ponho entre aspas porque não me lembro exactamente dos termos usuados).
O Sérgio parece considerar que insultar um jornalista é um insulto de lesa-majestade, como se os jornalistas fossem todos honestos e verdadeiros, bons profissionais que só escrevem as verdades.
Eu não sei se neste assunto quem fala verdade é o jornalista ou Queiroz, mas digo ao Sérgio, eu não tenho grande consideração por Queiroz, mas mesmo assim tenho-o em muito melhor conta, como profissional e como homem, do que à maior parte dos jornalistas. E estou por isso inclinado, neste assunto, a atribuir razão a Queiroz.
Não se incline muito, Luís. Lembre-se dos alemães…
De insultos percebe o Luís Lavoura. É catedrático na matéria. E à maneira tuga não insulta de caras: insulta de cernelha. Português suave.
Nãoi insultei absolutamente ninguém, Pedro. Já aqui disse, e repito, que tenho os jornalistas portugueses em péssima conta, o que não é um insulto a nenhum jornalista em particular, nem, é claro, ao Pedro Correia pessoalmente, porque o facto de se ter em péssima conta os padrões deontológicos e éticos dos jornalistas em geral (ou em média) não faz com que eu não aceite que alguns, ou muitos, serão exceções à regra.
Tanto me faz que o insulto seja para um jornalista ou para uma meretriz. É sempre um insulto e isso é quanto basta para a meus olhos caracterizar um tipo.
E se esse tipo tem responsabilidades acima da média e pagam-lhe para isso, o mínimo que tenho o direito de exigir é que esteja ao nível das funções que desempenha.
Bem sei que o passado frelimista de Carlos Queiroz poderá não ser exemplar, mas os tiques pouco tolerantes e autoritários (ditatoriais?) de que ainda hoje dá mostras, aliado à falta de maneiras que exibe, não abonam nada a seu favor.
Também acho que nada justifica a grosseria. No entanto, se, de facto, o jornalista em questão tiver adulterado o teor das declarações de Carlos Queiroz, percebe-se a indignação deste, não é?
Não vi todas estas “virgens ofendidas” pedirem a demissão de Scolari quando fez muito pior, por actos e não apenas por palavras… Ah! pois, mas esse, apesar de “nabo”, era estrangeiro e os parolos cá da parvónia só tinham de lhe ficar eternamente reconhecidos por tudo o que ele fizesse!
Portanto, crucifique-se o Queiroz (até porque, pelo visto, esteve ligado à Frelimo e isso tem, neste assunto, uma relevância e peras .).
Tantos anos depois, ainda vem o paleio sobre o Scolari para “branquear” a péssima conduta de CQ. Já sabíamos que o actual seleccionador não tinha estatura desportiva para desempenhar o cargo. Confirmámos agora que não tem estatura cívica. Apesar de ser um dos seleccionadores mais bem pagos do mundo e de trabalhar para uma instituição de reconhecida «utilidade pública».
Pois é, quando os outros apresentam argumentos, é “paleio”. É uma pena, até porque, pelo que vou lendo do que aqui escreve, tinha-o noutra conta, caro Pedro Correia.
Quem está a branquear? Comecei por dizer que “nada justifica a grosseria”, mas parece que não se pode é discordar dos autores do DO – será que cometi um delito de opinião?
Não lhe parece forçado e desajustado vir para aqui com frelimismos ” (o que não sei, sequer, se corresponde à verdade)?
Estatura desportiva – sabe que também discordei dalgumas opções de Queiroz? Mas somos todos seleccionadores, não é? Pois parece que nós é que desempenhamos o cargo… Ah! Não esqueça que os poucos títulos que Portugal conquistou nas últimas décadas, no futebol a nível mundial, foi com Carlos Queiroz como seleccionador.
Quanto à estatura cívica – nada desculpa a grosseria, reafirmo. Mas não vejo quase ninguém pôr a hipótese de o jornalista em questão ter adulterado o teor das declarações de Carlos Queiroz! E se o fez, compreende-se a indignação.
Deixe que lhe diga que, por exemplo, na minha profissão e com os meus (poucos) colaboradores, bem como nas relações com terceiros, sou das pessoas mais exigentes que conheço no que se refere às questões éticas e cívicas. Só que procuro ser assim com todos, não apenas com aqueles de quem possa gostar menos! O princípio é: ou sou exigente com todos ou sou tolerante com todos – daí o exemplo que dei do comportamento de Scolari (para o qual houve sempre muita tolerância). Percebeu?
Cumprimentos.
Meu caro,
Como é evidente, não há aqui delitos de opinião e o espaço para debate é livre. Há mesmo espaço para o insulto a vários autores deste blogue, como quase diariamente aqui se verifica. Mas o nome ‘Delito de Opinião’ não surge por acaso: aqui pratica-se mesmo o confronto de opiniões.
Quanto ao caso Queiroz, que está na primeira linha, registo com agrado a sua apreciação. Confesso-lhe, no entanto, que estou um pouco cansado de ver sempre referido o nome de Scolari cada vez que o nome de Queiroz vem à baila. Nós, portugueses, temos sempre o hábito de procurar desculpar os erros do presente com os erros do passado. Isso, em politica, é muito frequente. E também no futebol.
Recorda-me os êxitos de Queiroz na condução dos futebolistas mais jovens. Ninguém lhe retira esse mérito. Depois disso, no entanto, e já à frente do escalão sénior, falhou as qualificações para o Europeu da Suécia (1992) e o Mundial dos EUA (1994). Saiu depois, entre declarações destemperadas contra a Federação. A história repete-se. Não assumir as responsabilidades próprias, quanto a mim, é uma grave falha desportiva. Só isso. Mas é muito.
Cumprimentos.
Caro Pedro Correia,
Antes de mais, tenho constatado que há quem se exceda, mas para insultar não contem comigo.
Só me referi a Scolari , porque é o seleccionador estrangeiro mais recente e nós, portugueses, temos o péssimo hábito de desdenhar de tudo o que é nosso, nada perdoando aos portugueses (veja-se o que se tem dito de C. Ronaldo e até de Mourinho), e desculpar tudo aos estrangeiros, mesmo que eles o não mereçam.
É um facto que Carlos Queiroz falhou as qualificações que refere, mas quase todos os demais falharam, como sabe. Falhar a qualificação foi sempre a regra, não a excepção. Se não estou errado, Portugal não se qualificou para o Mundial (Itália 90) e o Europeu anteriores à “era Queiroz”, nem para o Mundial seguinte à mesma (França 98).
Não atribuo, portanto, assim tanta relevância a tais fracassos de Carlos Queiroz.
Já quanto às “declarações destemperadas” que proferiu na altura – foram mesmo destemperadas e despropositadas!
Não gostei e não gosto de algumas opções técnicas dele, mas dou-lhe o benefício da dúvida, porque ele sabe muito mais de futebol do que eu. Cumprimentos e continuem, pois têm um excelente blogue (o único que acompanho, com gosto, quase diariamente).
Obrigado pelas palavras que aqui nos deixa. Apareça sempre.