Fidel Castro, surpreendendo muito boa gente, acaba de reconhecer que o “modelo cubano” não é exportável, pois nem em Cuba funciona. “El modelo cubano ya no funciona ni siquiera para nosotros”, declarou o histórico dirigente comunista, ainda hoje idolatrado por uma certa esquerda, ao jornalista Jeffrey Goldberg, já aqui citado pela Ana Margarida.
Fidel já antes surpreendera ao reconhecer os erros cometidos pelo regime cubano nas décadas de 60 e 70, quando perseguiu os homossexuais. “Sí, fueron momentos de una gran injusticia, una gran injusticia!, la haya hecho quien sea. Si la hicimos nosotros, nosotros…”, reconheceu, em entrevista ao jornal mexicano La Jornada, o ditador cubano, que em 1963 chegou a considerar a homossexualidade uma “degenerescência”.
Apetece perguntar: será que o Avante!, sempre tão atento a todas as declarações de Castro, também transcreverá estas nas próximas edições? Por mim, não tenho ilusões: certamente o director do jornal, José Casanova, dará ordens para omitir por completo o assunto no jornal oficial dos comunistas portugueses, incapazes de lidar com tanta heterodoxia. Vai uma aposta?


Apostas destas são muito fáceis.
É quase jogo viciado.
Hum… Acho que sim.
Só fazes apostas de risco nulo.
Eheheh. Neste caso, pelo menos, dou-te inteira razão.
Pedro, sinceramente, a noticia é um pouco estupida, porque Fidel afirma isto durante um almoço entre duas garfadas de peixe, nem sequer desenvolvendo o assunto. A interpretaçao que é feita pela especialista em assuntos latino-americanos que acompanhava o jornalista é que apenas se trata de uma critica ao excessivo papel do estado na economia, critica já feita por Raul e pelo PCC, tendo sido já discutidas as reformas economicas na Assembleia do Poder Popular.
Por isso, o que Fidel vem dizer, atendendo à interpretaçao apresentada pelo proprio jornal que publica a entrevista, mais que ser uma oposiçao ao processo cubano, é um apoio às suas decisoes de reforma economica…
http://www.theatlantic.com/international/a rchive/2010/09/fidel-cuban-model-doesnt-e ven-work-for-us-anymore/62602/
Rafael, só não percebo o que têm as garfadas de peixe a ver com tudo o resto. Faria diferença se em vez de peixe fosse carne?
sendo Cuba, uma ilha sim e defendendo Fidel o exemplo como máxima moral, também. Nunca ouviu dizer que os cubanos nunca viram um bife?
uhmmm…sao as vozes da reacçao…
Pois, os cubanos praticamente só comem lagosta. Esta ouvi eu de alguém que esteve uns dias em Varadero e veio a entoar loas sobre o que lá viu.
visite o cubadebate e leia a explicaçao de Fidel (acho que assim é mais simples do que andar a interpretar o que ele disse, se ele explica nas suas proprias palavras…)
ah ah ah, as coisas que se dizem entre a primeira e a segunda garfada de peixe.
Nunca vi uma explicação tão engraçada deste facto.
Realmente a velhice trás serenidade, ou será arrependimento?
Arrependimento, neste caso, não será.
O homem está preocupado com a imagem que dele ficará na História. Daí o “mea culpa”.
O Avante está mais preocupado com o que se passa na Coreia do Norte.
De Cuba, o ‘Avante’ só noticia o que lhe interessa. Nada de novo.
Porque segregar o Bloco? Porque questionar somente o PC? Será que o BE não é igualmente marxista? E a defesa do Estado de Israel? Porque não a vemos comentada?
A defesa do Estado de Israel já foi comentada lá mais para baixo, pela Ana Margarida. O PCP, tanto quanto sei, é que é o ‘partidão irmão’ dos comunistas cubanos. O BE nem sequer é da família.
engana-se redondamente. Existem dirigentes do Bloco que estao em movimentos que pertencem à IV Internacional (secretariado unificado) e este tem relaçoes cordiais, ao ponto de investigadores seus terem assistido a reunioes internas do PC Cubano. Visite a pagina da IV e procure os artigos sobre Cuba…
Oh Pedro Correia; “O BE nem sequer é da família”! Então Trosky não é da família de Stalin? Porquê? Por Stalin o ter mandado assassinar? Não terá sido exactamente por serem da mesma família? E os outros, os albaneses da UDP não são da mesma família? Fico siderado com a complacência em relação ao BE!