Será que Alvito existe?


Pedro Correia,

Estado de emergência, uma vez mais. Direitos, liberdades e garantias fortemente condicionados. Recolher obrigatório de segunda a sexta entre as 11 da noite e as cinco da manhã, ao fim de semana entre as 13 horas e as cinco da matina. Como bem alerta a Ordem dos Advogados, estas medidas que nos encerram em casa aos sábados e domingos são uma «fortíssima restrição do direito ao repouso e descanso dos trabalhadores». Na prática, o Governo autoriza os portugueses a sair de casa só para trabalhar. Partindo do princípio de que é mais fácil apanhar o vírus a caminhar na rua do que fechado num comboio ou num autocarro. «Não conheço nenhum caso comprovado, conhecido em Portugal, de transmissão do vírus Covid-19 em transporte colectivo», declarou há dias o pitoresco ministro do Ambiente e da “Acção Climática”, espécie de Professor Pardal neste Executivo.

Todos quantos estão sem trabalho, por terem perdido o emprego ou terem visto falir o seu negócio, ficam agora duplamente discriminados. Apetece rumar ao Algarve, onde não se aplica o estado de emergência – excepto no concelho de São Brás de Alportel. Ou migrar para Alvito, único concelho de Portugal continental onde nunca foi registado um caso de Covid-19. Mas será que Alvito existe?

88 comentários em “Será que Alvito existe?”

  1. Faça-me um favor, tire o artigo para ficar apenas Alvito. “Será que Alvito existe?”. Não se utiliza o, do, no… apenas em Alvito.

    1. Essa é boa. Desde quando é que um nome não precisa de pronome e o dizer local faz a regra erudita? No título está bem, mas no “para Alvito” acho que está mal.

        1. ou para a Anadia ou a Ameixoeira ou o Alandroal… Aliás é uma característica das línguas galegas terem pronomes colados à toponímia (A Corunha, por exemplo), sobretudo quando o nome soa mal sozinho. Não havendo regra fixa, o que é erudito é a sensibilidade/fluência do texto.

          Penso eu.

          1. Para desfazer dúvidas, nada como beber das melhores fontes.
            Por exemplo, o “Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa”, de José Pedro Machado. Uma obra de referência que devia estar em todas as livrarias e todas as bibliotecas.

  2. Eu hoje já falei aqui em garrote noutro contexto, mas estas medidas vêm aplicar mais um torção ao garrote que foi colocado ao comércio. A almofada de ar dos fins de semana que ia indelevelmente mantendo os pequenos comerciantes à tona de água, foi abruptamente retirada. Vai de pior a péssimo, enfim.
    A saudosaTonicha era natural de Alvito, por isso acredito que não seja fake news.

    1. Daqui vão sair mais largos milhares de estabelecimentos encerrados, vai sair mais desemprego, vai sair mais pobreza. E vai sair mais doença, sim.
      Sem que nos seja apresentada qualquer evidência estatística ou científica para justificar estas duríssimas restrições a direitos fundamentais. Mas seria de esperar diferente de um governo com um ministro que desconhece a existência de qualquer contaminação num transporte público?

    2. A almofada de ar dos fins de semana que ia indelevelmente mantendo os pequenos comerciantes à tona de água

      ?! A que perquenos comerciantes se refere, que (ao que entendo) fazem mais negócio ao fim de semana do que durante a semana? Comerciantes de quê?

      Eu, todos os pequenos comerciantes que conheço (e são muitos), penso que fazem mais negócio durante a semana do que ao fim de semana.

  3. Não entendo como é que a obrigação de ficar em casa pode constituir uma “fortíssima restrição do direito ao repouso e descanso”. Pois que o repouso e o descanso são, normalmente, para não dizer mesmo quase sempre, feitos em casa. Eu, pelo menos, repouso e descanso quase sempre em casa…

    1. Diz bem, o “balio”, mas o “balio” tem esse direito como eu também tenho o direito de repousar e descansar fora de casa… Isto de ficar entre quatro paredes, a ser inundado de informação e só sair para trabalhar faz-me sentir que estou numa espécie de literatura Huxleyana ou então uma espécie de trabalhador dos anos 70 nos campos de arroz do Cambodja.

  4. estas medidas que nos encerram em casa aos sábados e domingos

    Não encerram. Na prática, como o governo já veio esclarecer, haverá múltiplas exceções que nos permitirão sair de casa: passear, passear o cão, ir ao supermercado (que estará aberto!), ir buscar a refeição ao restaurante (que estará aberto!), etc. Ninguém precisará de ficar fechado em casa.

    1. Você está encerrado em casa às 11 da matina. Excesso de zelo da sua parte, o que não admira. Não se esqueça também de usar máscara dentro do apartamento. E de rezar pela saúde do Senhor Presidente do Conselho antes de adormecer.

  5. será que o Alvito existe?

    Existe mesmo! Até parece que foi lá que nasceu a Mariana Mortágua, e residem os seus pais.

  6. é mais fácil apanhar o vírus a caminhar na rua do que fechado num comboio ou num autocarro

    Contrariamente àquilo que muita gente julga, não se contrai o vírus meramente por estar perto de uma pessoa contaminada. É também preciso que essa pessoa esteja a espirrar, ou tossir, ou gritar, ou falar alto, ou cantar, na nossa direção. Ora, nos comboios e autocarros as pessoas não vão geralmente a falar alto (exceto quando, ocasionalmente, se põem a falar ao telemóvel em altos berros). Geralmente as pessoas nos transportes coletivos vão com a boca bem fechada, sem falar ou falando baixo. Nessas condições, o perigo de contaminação é inexistente.
    É muito mais perigoso uma pessoa ir a um café ver um jogo de futebol, durante o qual tem boa probabilidade de se pôr a gritar ou falar alto para os outros, e bem próximo deles.

    1. Vê-se bem que não frequenta transportes públicos. Faz mal. Segundo o Professor Pardal, nunca ninguém foi infectado no metro ou no barco ou no comboio ou no autocarro ou no eléctrico.

    2. Caro balio,

      Não fosse estar em teletrabalho estes quinze dias, e fazia uma gravação com o som ambiente dos autocarros em que ando diariamente, só com o propósito de mostrar o que é andar de autocarro. Os transportes públicos em que o balio anda são civilizadíssimos, também quero.

      Os que eu conheço seguem muitas vezes repletos. No Porto fala-se com naturalidade em voz alta e discute-se amiúde, incomodando o resto dos passageiros. E do pouco que conheci de Lisboa, a coisa não era muito diferente. E não o quero deixar impressionado, mas há espirros e tosse (agora mais contidos, com medo dos olhares reprovadores) e tudo mais a centímetros de distância.

      Todavia a narrativa oficial não autoriza. Covid19 só à mesa das refeições familiares, governo dixit. O resto não existe. Não existe, pronto. Não se fala mais nisso, não vá o Sr. Costa agastar-se e ter mais uma ideia brilhante.

      1. Os transportes públicos em que o balio anda são civilizadíssimos

        São. Ocasionalmente, como digo, ouço pessoas a falar muito alto ao telemóvel, mas nada mais. Em geral, as pessoas vão caladas. Refiro-me aos autocarros e ao metropolitano de Lisboa.

        Mas, lá está: o problema de contaminação que a Isabel descreve não se deve aos transportes públicos propriamente ditos, deve-se sim ao mau comportamento das pessoas dentro desses transportes. Se as pessoas, mesmo que apertadas (com pouco espaço), forem nos transportes públicos sossegadas, não se contaminarão. Mas se as pessoas forem nos transportes públicos aos espirros e a falar alto, então contaminar-se-ão mesmo que o transporte até vá relativamente à larga.

      2. Só o professor Pardal (com o Lampadinha a fazer greve e o chapéu pensador comido pela traça devido à falta de uso) é capaz de dizer um dislate destes. Que não há prova de um só contágio em nenhum transporte público.
        Vê-se bem que há muitos anos não frequenta um.

      3. Ouvi hoje no telejornal que o governo espanhol começou uma campanha antivírus com a recomendação: se viajar de transportes coletivos, mantenha-se calado.
        É uma excelente recomendação, que penso que há muito deveria ter sido feita, não somente em Espanha. É que, falar alto é bem mais perigoso (e incomodativo) que não usar máscara.

  7. Mais ainda, este dito estado de emergência, por exemplo, confere o direito discricionário de qualquer pessoa ou instituição, centro comercial, supermercado, residência de idosos… possa medir a temperatura a quem aí se desloque, mesmo visitante/familair, e vedar o acesso se a pessoa tiver 38ºC ou superior ou se se recusar a deixar medir a temperatura.
    Vejamos: a temperatura é um dado pessoal, mesmo que não registado, e diz respeito também à relação médico-doente. Nesta relação o direito ao sigilo e privacidade faz parte do direito da pessoa e não do médico ou de uma instituição.
    Ainda mais, a temperatura corporal pode ter imensas causas e depender de inúmeros factores que não a infecção por SarsCov2; só um médico pode pronunciar-se sobre esta realidade e determinar as causas da temperatura. Não um qualquer segurança ou vigilante.
    Portanto, o governo e o PR introduzem uma medida discriminatória, discricionária e fascista em que a OA, a OM, a Entidade Reguladora da Saúde, o MP, o STJ e a PGR devem actuar de imediato.

    Continuando, é mentira que a propagação se dê no seio familiar maioritariamente; é aí que mais facilmente se detecta. Se admitíssemos que é verdadeiro o facto da transmissibilidade ser reduzida nas escolas, universidades e outros locais, eu apelo à inteligência para se compreender como os cálculos devem ser feitos:
    Admitindo-se, por exemplo, que somente 1% seja contagiado em escolas, é necessário apurar quanto representa em valor/quantidade esse 1%.
    Depois disto apurado, veja-se o RT/concelho (Risco de Transmissibilidade) e apure-se quantos poderão ser infectados por esse 1% nas famílias e através das famílias.
    E observe-se a mesma metodologia para as demais situações: transportes, universidades…

    Concluindo, o fascismo existe, tem rosto e está a ser implementado através daqueles que devendo proteger a nação e a Constituição contra ela actuam e cerceiam-na.
    Há que tomar uma atitude diante da mentira e mobilizar a nação contra inoperantes medidas e contra esta abusiva invasão da privacidade e contra os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

    1. Co lecença que inda no acabei:
      “Sim, a vigilância epidemiológica deve ser o primeiro objetivo dos sistemas de vigilância”, concorda a investigadora. “Mas ter dados suficientes e de qualidade que sirvam de base à tomada de decisões, mesmo políticas, era essencial, principalmente porque falamos de uma pandemia sobre a qual não se conhece quase nada em termos científicos. E com os recursos que a DGS tem neste momento, isso não é possível. E é grave”:
      https://visao.sapo.pt/visaosaude/2020-11-09-covid-19-estudo-portugues-fala-em-falhas-graves-nos-dados-disponibilizados-pela-dgs-a-comunidade-cientifica/

      1. Voltei:
        “Por esse motivo, os especialistas propõem a realização de todas as atividades possíveis ao ar livre, bem como a ventilação ou filtração dos espaços para diminuir a infeção por essa via, medidas que se somam às já aceites, como é o caso do uso de máscaras, higiene, distanciamento, teletrabalho, entre outras.”
        “Nesse sentido, destaca-se que, ao respirar, falar, gritar, tossir e espirrar, são emitidas «partículas abundantes» de gotículas e aerossóis, que podem transmitir o vírus com facilidade.”
        https://executivedigest.sapo.pt/novas-evidencias-significativas-estudo-reforca-hipotese-de-transmissao-da-covid-19-pelo-ar/

  8. Hoje referia alguém num directo, se o objectivo é dispersar pessoas e evitar ajuntamentos, que lógica tem obrigar a que as compras do fim de semana sejam todas feitas entre as 9 e as 13?

      1. Passa a vida incomodado com o PCP!
        Mais depressa ganha um calo no rabo a ver um jogo da bola. O congresso do PCP imana ar puro e é seguro para todos os militantes, preocupados com a demagogia democrática dos portugueses.

        1. O controleiro do PCP para a blogosfera acaba de aparecer. Seja bem-vindo, camarada.
          Só não entendi essa da “demagogia democrática dos portugueses”.
          Será jargão do “socialismo científico”?

          1. Caro Camarada!
            O povo precisa de ser orientado pela boa vontade e simplicidade do “Mestre escola”, assente no porquê da razão de um governo cientifico, o caminho será só um a libertação da alma das grilhetas da democracia.

            Viva a Liberdade!

      2. Leopedro
        Então lá vamos ter mais uma estilo alameda, ou melhor dizendo autocarros da alameda, quinta da atalaia e mais outra. Agora vai ser esta.
        Sempre vai ser interessante aquela dos isto é demais e aquela dos o congresso já pode ser. O correcto seria o estão a ver como no congresso não haverá problemas.

        1. O PCP, uma vez mais, será privilegiado. Como já foi a 1 de Maio, com o comício da CGTP/PCP na Alameda em pleno estado de emergência. Como foi no início de Setembro, na Festa do Avante!, realizada quando a pandemia já galopava novamente para níveis muito preocupantes. E terá agora novamente um estatuto de excepção, no final deste mês, com o País novamente sob estado de emergência.
          Privilégios atrás de privilégios – o que não deixa de ser irónico num partido que passa o tempo a gritar contra os privilegiados.
          Da parte do Governo, só falta Costa levar-lhes o mata-bicho à cama. Percebe-se porquê: ele precisa como de pão para a boca do voto favorável dos comunistas no Orçamento do Estado para 2021.
          E siga a dança.

          1. Não acredito que tenham essa coragem, o contexto actual é e será infelizmente mais dramático.
            O fim do PCP !?

  9. o Dr. Costa apresento um um gráfico em que se aponta que 60% dos contágios se dão em contexto familiar.
    Ora, sabendo que as cadeias de contágio não estão identificadas, como se chega este número?

    Por exemplo, uma criança que seja infectada e “traga” o vírus da escola e infecte os progenitores, o dito cujo vírus integra-se em contexto familiar ou escolar?

    1. Mero achismo. O Governo percebe tanto disso como eu ou você.
      Não há rastreadores, não há identificação das cadeias de contágio, isto vai tudo por palpite.
      Os resultados estão à vista.

  10. Alvito existe e é bem bonito.
    Tem uma Pousada de Portugal a funcionar no Castelo e, bem perto, uma extraordinária oliveira cujo tronco pode ser atravessado por uma pessoa ou mais: parece que antigamente os namorados usavam-na para namorar…
    Pode ser vista na net.
    Também me lembro de ter visto uns frescos (a precisarem de restauro) numa capela cujo nome não recordo, mas é ali perto.
    Sem covid-19?
    Parece o sítio ideal para um dos fim-de-semana de recolher obrigatório (de preferência com o cão )
    🐕
    Maria

    1. Obrigado, Maria. Acaba de dar-me uma excelente sugestão. Já sei onde passarei parte deste estado de emergência.
      Parecia um cenário tão idílico que cheguei a pôr em causa que Alvito existisse.

      O pior é se o estado de emergência se mantém até ao fim da pandemia, como já avisou o primeiro-ministro. Sabe-se lá até quando vai durar.

  11. Parece que estas medidas é só em Portugal,pois lá fora não se passa nada.
    Vergonha é a ordem dos advogados e o seu manifesto, mas destes é de esperar tudo, não fosse uma classe de manhosos, tirando as devidas excepções que felizmente existem, mas em minoria.
    Agora escandaloso! É um país aparentemente civilizado, não perceber o que está em causa e queixar-se de liberdades individuais, esquecendo-se que estas só fazem sentido numa consciência responsável de saber viver em sociedade.
    Uma palavra para médicos enfermeiros e todos ligados a saúde, saturados com a falta de solidariedade que existe na sociedade portuguesa.

    Rodrigo Lopes

    1. Já cá faltava alguém a desprezar as liberdades individuais. Como se fosse caspa para sacudir na gola do casaco.
      Não foi à toa que Portugal manteve uma das mais longas ditaduras europeias durante metade do século XX.

  12. É para salvar o Natal. E supostamente o Ano Novo.
    É interessante esse ponto de vista oficial sobre a ausência de contágios nos transportes públicos. Para quem gosta de festas, o melhor será fazê-las no Metro.

  13. Não era preferível fazer uma requisição civil aos enfermeiros que estão na “linha da frente “, do que fazer um recolher obrigatório a todos os que estão na ” linha de trás “?

  14. Senhor Pedro Correia, um texto que evidencia os problemas dos Portugueses. Posso dizer que sou responsável por uma pequena cooperativa constituída maioritariamente por 25 mulheres sob a minha responsabilidade.
    E agora com este confinamento apartir das 23h00 até as 5 da matina horário laboral forte das nossas funcionárias, como vou eu sobreviver!?.

    Ramiro Santos

  15. A comunicação desnorteada das medidas governamentais não tem efeito útil na população. Metade dos portugueses está tão desorientado como o Governo, de modo que se este determinar que têm de manter a máscara dentro de casa e enquanto dormem ou tomar banho em gel alcoólico, vão aderir absolutamente convencidos da bondade e eficácia da medida.

    A outra metade da população encara as comunicações com escárnio, olhando para o relógio por desporto, a ver quanto tempo demoram a comunicar as excepções, que retiram qualquer credibilidade ao anteriormente anunciado. Uma pândega.

    1. Este governo já anunciou e decretou tudo e o seu contrário a propósito das mais diversas questões.
      Ainda há poucos dias, nas feiras e mercados. Costa anunciou, solene, que ficariam proibidas. Houve enorme celeuma. E logo o governo se apressou a sacudir a água do capote, transferindo a decisão para os municípios. Que na esmagadora maioria dos casos decidiram manter feiras e mercados em funcionamento.
      https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/governo-recua-na-proibicao-total-das-feiras-e-mercados

      Acaba de acontecer algo muito semelhante com o comércio, ao abrigo do novíssimo estado de emergência. Anteontem, mercearias e supermercados teriam de encerrar aos fins de semana a partir das 13 horas.
      https://rr.sapo.pt/2020/11/08/pais/estado-de-emergencia-comercio-e-restauracao-com-restricoes-nos-proximos-fins-de-semana/noticia/214019/

      Hoje a regra já mudou.
      https://www.publico.pt/2020/11/09/sociedade/noticia/covid19-sera-permitido-ir-supermercado-durante-recolher-obrigatorio-fimdesemana-1938447

      Já quase ninguém sabe qual é a regra e quais são as excepções. A começar no próprio Governo.

      Como levar isto a sério?

      1. Exacto.
        Claro que o Governo alegará sempre que faça o que fizer haverá sempre contestação. E que estando nas suas mãos o odioso da situação, tem que agir.

        Sucede que se habituaram a dourar a pílula e agir de modo inconsequente e se, em tempos de normalidade, a ligeireza e os habituais números de circo passavam despercebidos no meio do engodo, agora que a realidade queima, não há como fugir.

        Convinha mesmo que o Governo de cada vez que pondera uma medida, medir as suas consequências e perceber se é viável e eficaz. Evitaria o triste espectáculo de horas depois ir a reboque das contestações. Com perda total de autoridade.

        1. Querem “tomar medidas” (como os alfaiates) e parecer fofinhos em simultâneo.
          Daí parecerem fazer a quadratura do círculo, o tempo todo. O que nem admira, pois o actual chefe do Governo participou durante anos num programa com este nome em que emitia bitaites acolitado pelo doutor Pacheco Pereira. Vida fácil, essa. Costa deve sentir saudades.

          1. A visão circular e panorâmica do político: hum, do comentariado giro para a autarquia ou governo, daí para fundações, empresas e institutos públicos, regresso ao comentariado para tomar novo fôlego e, logo, rodopio para instituições comunitárias ou internacionais e mais tarde volto a descansar no aconchego do comentariado.
            No caso de António Costa, ao que dizem as más-línguas, esta provação pode ser apenas mais uma estação até ao Conselho Europeu.

          2. É melhor ele não fazer grandes planos. Como diz uma personagem de uma série francesa que tenho vindo a acompanhar (“Barão Negro”, agora na terceira temporada), «mudámos de época: o longo prazo já não existe.»

  16. Vamos fazer um exercício: quando os idosos faleceram de covid nos lares, os ditos andavam a passear pelas ruas? Não. Ou se calhar até estavam….Capazes disso e de muito mais. Serviram para deixar o país emocionado com tanta morte. Morte por desleixo e desprezo pela vida de terceiros, efetuada à mão do Estado. Ficaram fechados nos quartos, sem comida, sem medicação, sem cuidados de qualquer espécie, pois os seus responsáveis foram para casa. Por causa da Covid.
    Depois, mudou-se a atenção para o pessoal que tem a mania de andar de transportes públicos. Outros que não ouvem o que lhes é pedido! Até parece que lhes custava vir de carro. Esses que moram em bairros periféricos (gente pobre, só pode) que não de pode dar ao luxo do teletrabalho, gente que está aos anos nos recibos verdes (muito deles falsos). Ah, descoberta da semana: primeiro não há sobrelotação nos transportes. As pessoas é que tem a mania de ir à mesma hora. Fossem responsáveis e nem iam. Outra descoberta: não se apanha covid nos transportes públicos. Suor, halitose, apertos, pisadelas, ainda vá que não vá, agora covid?!? Mas quem é que é ministro? Vocês? Não!!!
    Vamos novamente exortar a população com imensos gráficos, cores, amostragens….e dizer que morreram mais pessoas de covid. A sério? Se a pessoa sofrer um acidente grave, é obrigada a teste covid no hospital. Sofre uma paragem cardíaca e é dado como morto covid. Bela estatística para o povo.
    A pessoa tem um cancro e necessita de continuar os tratamentos, mas infelizmente os mesmos são interrompidos, pois surge um caso de covid num enfermeiro/assistente do hospital. A pessoa fica debilitada, os órgãos entram em falência e morre. Como é levada para o hospital, entra na lista da morte por covid. E assim andamos.
    Existe Covid? Existe? A mesma mata? Sim. Mas nem tudo é covid.
    Ao invés de estarem constantemente a falar para meia dúzia de pessoas e de forma política, usem o tempo de antena, para ensinar sobre o uso obrigatório da máscara, da limpeza das mãos, de não cuspir para o chão, do distanciamento a que somos obrigados.
    E já agora: cuidem-se e protejam-se. Isso é um ato de civismo e de respeito para consigo e para com os outros.
    M.L.

    1. Como refere no seu último parágrafo, falta informação útil.
      Cruzo-me todos os dias com gente a andar na rua mesmo em passeios largos, a horas de pouco movimento, onde não é necessário levar máscara. Mas essas pessoas andam sempre “mascaradas” (para usar a expressão do senhor Ferro Rodrigues).
      Questiono-me se tais pessoas com aparente excesso de zelo saberão que as máscaras cirúrgicas (largamente maioritárias) têm de ser mudadas ao fim de quatro horas ou assim que ficam molhadas de suor, sob pena de não fazerem qualquer efeito.
      O mesmo para as máscaras recicláveis. Se não forem lavadas diariamente, a 60 graus, perdem qualquer eficácia.

      Quantas pessoas não recorrem à mesma máscara dia após dia, por vezes semana após semana?
      Isso provoca uma falsa sensação de segurança. Parece que protege mas afinal não protege nada. E desprotege todos.

      Seria bom que a doutora Graça Freitas, que gasta tantas horas em conferências de imprensa sem aproveitar esse tempo para abordar estas questões práticas, de inegável utilidade para os portugueses, por uma vez se dignasse falar disto.

      1. Então e você acha que as pessoas que andam mascaradas na rua mesmo em passeios largos e a horas de pouco movimento, vão aceitar que a doutora Graça Freitas lhes diga que estão a usar a máscara de forma errada?

        1. Eu acredito piamente no que essa senhora diz. Por exemplo, acreditei nela quando declarou, alto e bom som, que «as máscaras transmitem uma falsa sensação de segurança».

  17. Os transportes colectivos são seguros e bem lavados por um produto inovador e referenciado no mercado, quem disser o contrário não passa de um agitador reacionário e negacionista.

    JC

  18. O Costa gosta de nos presentear com algum “tough love”. Os pais restringem as liberdades dos filhos e castigam-nos para seu bem.
    #Costabem

    1. Costa, na noite de sábado:
      «Esta medida prevê simplesmente que as forças da autoridade possam conduzir as pessoas ao seu domicílio. Não é uma questão penal, não é uma questão de polícia.»
      Cá está o PM a ficar a meio da ponte. Fixa regras que admitem todo o género de excepções. O carácter normativo das decisões do Governo dilui-se neste discurso em forma de assim. Ainda se admiram por haver muita gente sem cumprir as regras. Mas que regras?

  19. A questão dos fins-de-semana é uma estupidez sem nome. Se a ideia é que as pessoas não andem aos magotes, o mais lógico seria deixar as pessoas ir às compras à tarde durante o Sábado e o Domingo. Assim vão entupir tudo entre as 10 e as 12 porque não há outra hipótese.

    Esta gente não é estúpida? É.

    1. Agora dizem que o maralhal já pode ir fazer compras à-vontadex, mesmo nas tardes de sábado e domingo. “Estado de emergência” à portuguesa: ordem estrita e rigorosa para todos ficarem em casa excepto para fazer compras aqui e acolá. A não ser que chova, claro.

  20. Pois é … Alvito existe, e eu sou prova viva disso mesmo, pois há 13 anos troquei Lisboa por esta bela terra e cá vivo desde então … No entanto, lamento informar que o raio do vírus também já cá chegou. Durante meses temos tido por aqui “turistas” que vinham à procura do único local em Portugal Continental sem vírus e só por isso se lembraram de nos visitar! Parece que agora que já cá temos o vírus, vamos voltar à “pasmaceira” – como dizem os alentejanos – de sempre!

  21. Pareceu-me ver que Barrancos e Arronches também ainda estavam inexugnáveis. Até há bem pouco tempo havia um ou outro conclho do norte, como Boticas e Tarouca, a resistir ao bicho, mas até aí já chegou. Impressiona a quantidade de casos no nordeste transmontano.

      1. Mas eu não tinha dito isso de manhã? 😐 Por acaso acham que estava a gozar quando disse que o vírus já cá tinha chegado? 🙁

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