DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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António Agostinho: «“Não tem outro remédio, senão vir à Figueira quem quiser ver a mais linda praia de Portugal!” Esta frase foi escrita por Ramalho Ortigão, em finais  do século XIX. Como sabemos, a Figueira da Foz localiza-se no litoral centro de Portugal, na foz do Rio Mondego. Aliás, o seu nome completo é Figueira da Foz do Mondego. Quanto à origem da sua denominação, existem várias versões, tendo todas elas como principal personagem uma famosa árvore  – uma frondosa figueira.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Ainda bem que neste país ainda há gente que não gostando do PS nem de José Sócrates, e conhecendo a dimensão da crise política, financeira, ética e moral que Portugal atravessa, continua a ver muito para lá da poeira que o circo levanta na sua efémera passagem pelas aldeias.»

 

Eu: «Comer, Orar, Amar é tão esquemático e rudimentar enquanto filme como a receita “terapêutica” que propõe aos espectadores mergulhados num vazio espiritual: uma sucessão de bilhetes postais que não evita o cliché, antes o procura deliberadamente. Do dolce far niente na luminosa Roma, com refeições de sonho e sempre bem regadas, ao americano de meia idade angustiado por “culpas” várias que procura a redenção entre os deuses hindus, seguindo a rota inaugurada pelos Beatles nos anos 60. Mas o cliché máximo é atingido com a entrada em cena de Javier Bardem, interpretando um playboy brasileiro curtido ao sol da Indonésia, numa espécie de caricatura de si mesmo. Ao som de Bebel Gilberto, neste filme que não perde uma oportunidade de exibir um estereótipo, Bardem cumpre o que lhe pedem: devolver o sorriso a Julia Roberts. Na praia, entre coqueiros.»

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