– E para beber, o que deseja?
– Uma cola.
– Não temos. Só Pepsi. Pode ser?
– Pode. Pepsi também é cola.
– Como disse?
– Nada…
– E deseja a Pepsi fresca?
– Claro.
– Gelo e limão?
– Limão, não. Só gelo.
– Não deseja limão?
– Não. Só gelo.
– E quantas pedras?
– Duas ou três.
– Uma palhinha?
– Não é preciso. Detesto palhinhas.
– Como disse?
– Nada…

Há assim sedes que nunca mais acabam :).
Diálogos típicos, à portuguesa. Palavras a mais, incapacidade de entendimento das coisas mais elementares, falta de eficiência.
Todos os dias somos protagonistas ou testemunhas de diálogos como este.
– bom dia, diga por favor
– one cake and a small Coffee, plase
– sumol only orange
Sou coleccionador destes diálogos, Dulce. Quase todos passados comigo. No Verão ou noutra estação do ano qualquer.
Este que escrevi, também presenciei. Quando no curriculum escrevem que falam e entendem inglês…
Comigo é ao contrário. Agradeço que não me spiquem em pseudo-inglês nem tentem hablar-me em pseudo-espanhol.
Naturalmente.
Só acho graça quando me parlam em italiano. Já tem acontecido.
– Era um café e um copo de água se faz favor.

O empregado vira-se para a máquina de café, pára uns momentos, e volta a virar-se para o balcão.
– Mas… misturados?
PS- Para a próxima peça uma imperial.
😉
Entre a anedota e o caso real, já mal distingo.
Mas o diálogo que aqui trago – diálogo, por força de expressão – aconteceu mesmo. Tenho vários outros no meu portefólio – com Água das Pedras e de Vidago, por exemplo. Ou Frize, em versão mais actual.
É muito bom esse diálogo!

O meu caso, do insólito e nunca visto pedido de um café e um copo de água, também foi verdadeiro.
Acredito bem, Susana. O toque surrealista é tuga genuíno. Inconfundível.
Mas, agora, também pode ser brasileiro.
Agora é seja lá quem for. Quase não há portugueses, quase não há lusofalantes excepto brasileiros. E nem estes se aguentam na hotelaria e restauração.
A pandemia arruinou os empregos no turismo e similares. Milhares abandonaram o sector e já não voltam. Tal como na agricultura, está a vir gente da Índia, Paquistão, Nepal e Bangladeche.
Ao afluxo turístico novamente em alta corresponde uma qualidade de serviço cada vez pior.
Diálogos como o que aqui reproduzo tornam-se cada vez mais improváveis por não haver portugueses do outro lado. Mais fácil encontrá-los a servir às mesas em Madrid, Paris ou Londres, como antigamente
Também nisto se percebe como estamos na cauda da Europa.
Falta de perfil para a profissão, incompetência, e mediocridade são as características das pessoas que começaram a trabalhar na restauração quando foi implementada a chamada “modernização» do sector, tão elogiada pelos liberais no Governo liderado pelo Dr.º Pedro Coelho.
E não ficámos só por aqui, os próprios estabelecimentos de restauração transformaram-se em espaços desagradáveis, parolos, de muito mau-gosto, sem qualidade em todos os aspectos, com conceitos que não funcionam nem atraem clientela, cospem no dinheiro do cliente e tentam vigarizá-lo cobrando preços estapafúrdios que não correspondem ao valor do produto que se vai consumir.
Os cursos de formação em restauração e hotelaria – que não servem para nada e não prestam – contribuem grandemente para a desgraça do sector.
Experimente pedir um Gin-Tónico, uma bebida que se serve num copo comprido («long drink glass», em Inglês) com gelo e limão, e vai ver o que lhe apresentam. Um copo enorme de estilo parolo, cheio de gelo, com legumes, frutas, ou sabe-se lá o quê lá dentro, e ainda lhe cobram uma fortuna por aquela porcaria.
Já cá faltava o idiota do costume a dizer que a culpa é do Passos.
O fanatismo desta gente equivale ao das Testemunhas de Jeová.
Você está a mentir.
Eu não escrevi que a culpa era do Dr.º Pedro Coelho, mas foi durante o seu Governo que surgiu a chamada “modernização” da restauração onde nas formações de hotelaria e restauração, ensinava-se a composição do Governo e até ideologia de género e pseudo-ciência ao invés de se ensinar a tirar um cimbalino em condições e a servir correctamente o cliente.
Lai lai lai. Deve estar cheio de sede. Experimente uma Pepsi, com gelo e limão – e uma palhinha, claro.
Sem esquecer o queijo “Tipo Serra”`
Já o li numa ementa..
Isso dava matéria para série autónoma. Ilustrada a preceito.
Queijo “tipo Serra”, “Costoletas” de porco, posta de “Nero” na grelha a carvão. Mariscos “sempre frescos”.
E em Lagos.
-Uma Cola f.f.
-Fresca ou natural
-A Cola tem de ser sempre fresca.
-Então é mais cara.
-Então, uma cerveja natural f.f.
-Mas, a cerveja é sempre fresca.
-Mostre lá a garrafa de cerveja que diga ‘deve beber fresca’
-Nem é preciso
-É como a Cola
-Mas Colas vendo pra fora
Eheheh. Podíamos fazer aqui um estendal de diálogos típicos do Verão em Tugal.
Bem, com essa demonstração de empatia, já vi que deixou uma boa gorjeta.
Pena não ser eu o empregado, que eu dizia-lhe onde é que devia meter esse mau feitio.
Falando em empatia, esta sua entrada hoje no blogue em jeito de “bom dia” merece nota máxima.
Eu não preciso de lhe dizer onde devia meter essa má disposição matutina. Você bem sabe.
Entre amigos honrados cumprimentos são escusados.
Isso é uma grande verdade, está selada a amizade.
– Ora assim é que é, aqui tem a continha.
Mas hoje não há gorjeta porque estou sem cheta.
Não gosta do Palhinha?
Toda a regra tem excepção. Gosto do João Palhinha.