Sede interminável


Pedro Correia,

– E para beber, o que deseja?

– Uma cola.

– Não temos. Só Pepsi. Pode ser?

– Pode. Pepsi também é cola.

– Como disse?

– Nada…

– E deseja a Pepsi fresca?

– Claro.

– Gelo e limão?

– Limão, não. Só gelo.

– Não deseja limão?

– Não. Só gelo.

– E quantas pedras?

– Duas ou três.

– Uma palhinha?

– Não é preciso. Detesto palhinhas.

– Como disse?

– Nada…

0 comentários em “Sede interminável”

  1. Uma tarde ao balcão da Brasileira

    -Uma bica e uma garrafa de água por favor
    tudo normal a bica meia fria e sem copo para a água
    – se não é pedir muito agradecia um copo por favor
    a criatura olhou para mim de uma forma que detesto
    e qual não foi o meu espanto trouxe um copo cheio de água
    da torneira e afastou-se para o fundo do balcão.
    Nesse dia até tinha tempo para confusões. Pedi ao empregado que
    tinha à frente para chamar a menina que me serviu.
    – agradecia que me explicasse o que significa tudo isto
    a arrogância da criatura foi tal que muito calmamente levou o
    arrepiu da vida dela.
    Normalmente não perco tempo com confusões… mas uma vez mais
    se tivesse feito o pedido em Inglês o olhar teria sido diferente .
    Ser discriminada no meu país obriga-me a andar com os arrepios na mão .
    Triste mas usual .

    1. Espanto-me com as dificuldades de comunicação existentes nas mais vulgares situações do quotidiano. Como se não vivêssemos no mesmo país, como se não partilhássemos a mesma cultura, como se não falássemos a mesma língua.

      1. Acho que o problema pode estar na língua, talvez na bica meia fria. É que os advérbios em português são invariáveis, não se põem no feminino. Pode haver dificuldades de compreensão quando o português não é escorreito. Daí por vezes ser preferível tentar o inglês.

        1. Deve ser essa a razão de não ter conseguido um
          copo para beber a minha água. Uma questão de
          advérbios. Agradeço a explicação e a sugestão de
          falar em inglês, é sem dúvida bem mais simples que
          o português . Deixe-me dizer-lhe que a sua superioridade
          não me deixa indiferente.

      2. Mesmo não vivendo no país,partilho a mesma cultura
        e se bem que a minha linguagem escrita seja dramática
        a minha linguagem oral é bem mais elaborada e não reflete
        quanto a mim quem sou.
        São de facto terríveis estas dificuldades . Qual a explicação? Ignoro e
        lamento.

        ( arrepio e não arrepiu )

  2. O funcionário pode não ser muito esclarecido, mas é prestável e pretende ser simpático, coitado…
    De quando em vez, podemos experimentar pôr-nos no lugar deles, funcionários, quando por exemplo uma chusma de brasileiros deslumbrados lhes entra porta dentro e a primeira coisa que perguntam é “fálá porrtugueich”?

    1. Nunca apanhei uma chusma dessas, Dulce. Apanhei já vezes sem conta, isto sim, situações como a que relato aqui. Esta até foi das menos problemáticas: só envolveu nove perguntas, nada mais.

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