Se não agora, talvez depois da quarta ou quinta bancarrota (é preciso ter esperança)


escafandro,

Surpreende que a coligação possa vencer as eleições. Talvez – como sucedeu no Reino Unido – muitos eleitores tenham finalmente percebido que nem há almoços grátis nem as ilusões pagam contas. Mas é possível que – ao invés do que sucedeu no Reino Unido – desta vez ainda sejam insuficientes. Nesse caso, ficará para uma próxima.

0 comentários em “Se não agora, talvez depois da quarta ou quinta bancarrota (é preciso ter esperança)”

  1. Claro, há sempre uma “próxima”. Haja fé…que chatice não ser já, não é? pois…e eu que não gosto de almoços grátis, mas adora ser penetra na mesinha dos outros… ui, que liberal que sou…

  2. Essa de “não haver almoços grátis” tem uma certa antropologia social que convém referir.
    Essa expressão caracteriza um país de miseráveis, quer no sentido material quer também moral, que não foi ainda capaz de superar tal miséria hereditária. Todavia, os miseráveis de outrora, quer os explorados quer os exploradores (a cada um seu sentido) conseguiram convergir na miserabilidade, disfarçando-a de intelectualidade e instrução.
    Pretendem estes últimos, falsamente, fazer crer que é necessário continuarem a vender-se por um prato de sopa para poderem ter sopa. E é isto que na realidade acontece, disfarçando tal miséria pela palavra lógica.

    Na realidade um país de gente honesta sabe que é necessário um preço para as coisas grátis, conferindo-lhe gratuidade. A gratuidade custa muito. E os miseráveis não o entendem.
    Quando Portugal dos doutores miseráveis conseguir compreender a miséria não mais se ostentará. E eles mesmo trabalharão não pela sopa mas pelo produto que a compõe.

  3. Ninguém se lembrou das outras duas e dos sofrimentos consequentes.
    Estamos sempre prontos para mais uma.O FMI tinha obrigação de nos dar
    um descontozinho,somos o melhor cliente europeu.

      1. Ó Jaa ainda bem que já não serei viva, que não serei economista, que não farei parte do pacote, que ficarei a ver navios do desconto!
        Cá me queria parecer que a velhice tem sempre um lado positivo, muito escondido…

        1. Ora, Helena, quem lhe disse que não será viva? Não sabe que riso e boa disposição conferem longevidade? E há sempre a hipótese de a reencarnação ser mesmo verdade.

          Agora mais a sério (nem por isso): como estamos a pagar antecipadamente ao FMI, não há razão para não obtermos um desconto para o futuro; a darmos o calote a alguém na próxima bancarrota, será aos nossos parceiros europeus.

  4. A sorte dos Ingleses é que ainda não apanharam o gosto á Bancarrota e á desintoxicação respectiva.

    Como é que num País tão rico e poderoso o custo do seu chefe de estado e entourage que é a família (e á família dá-se tudo) fica muito mais em conta que neste rectângulo de tesos.

    Isto em Portugal já só lá vai com terapia de choque, o pessoal tá completamente AGARRADO mas diz que vai deixar pelo menos enquanto a metadona for acessível.

      1. Sabe bem que isso não é verdade !

        Como escrevi, agora tamos numa de detox á base de metadona mas a dívida continua a aumentar.

        1. Você contestou muitas medidas (ou tentativas de aplicar medidas) deste governo nos anos mais ‘duros’. E não digo que algumas vezes não tivesse razão – ele cometeu erros. Mas quem hoje diz que nada foi feito e toda a recuperação foi à base de impostos e cortes cegos esquece não apenas muitas medidas efectivamente aplicadas (a reestruturação de empresas e sectores públicos; a renegociação das PPP; a diminuição progressiva do número de funcionários públicos; a racionalização de meios na Saúde, com destaque para a política do medicamento; a redefinição do mapa judiciário, cujos resultados ainda estão por avaliar mas que o PS já não promete reverter; as privatizações; a lei das rendas, metida na gaveta por inúmeros governos) mas também todas as tentativas frustradas (pelo TC, acima de tudo) para alterar regras no Estado e no sistema público de pensões (no sentido de um maior equilíbrio intergeracional). E quando recorda estas coisas (haverá mais mas estou a alinhavar isto de memória) é quase sempre para as contestar.
          Quanto à dívida, já não está a aumentar. Mas, como sabe, em época de crescimentos moderados do PIB (e não é crível que Portugal possa crescer a 3% ou 4% ao ano, por muito que alguns acreditem no poder de um consumo interno estranhamente inócuo para o equilíbrio das contas externas), só diminuirá a sério quando o défice for anulado.

          1. O JAA deve considerar que sou uma pessoa informada (presumo eu) e por isso tenho a dizer-lhe que este governo partiu para o seu “trabalho” alicerçado em mentiras e mesmo tendo grande apoio popular preferiu seguir estratégias antigas para resolver problemas do presente com raízes no passado, fez uma evolução na continuidade das politicas e métodos de Sócrates e o mais recente exemplo dessa forma de actuar é o fracasso na venda do NOVO BANCO.

            Neste caso o governo afirma ter optado por uma solução diferente da do caso BPN quando todos sabemos que a reacção em causa foi imposta por Bruxelas ao abrigo de legislação recente e que até este caso (do NOVO BANCO) nunca tinha sido posta em prática.
            No turbilhão que se seguiu Vítor Bento foi chamado para CEO e passado pouco tempo de saber o estado geral do NOVO BANCO afirma que o melhor será fazer uma gestão a médio prazo (3/5 anos) e depois vender em melhores condições ou pelo menos, menos más, o governo pressentindo mais um fiasco por esta altura (agora) a somar a outros opta por nomear um gestor de liquidação para ver se faz um brilharete por esta altura o que como se veio a comprovar foi mais um erro e só não foi aproveitado pelo PS porque este tem o rabo preso em muitos outros assuntos de igual gravidade e também não pode dar com os pés aos lobbies que o alimentam e lhe poderão vir a ser úteis no futuro.

            O único sector onde este governo conseguiu fazer a quadratura do circulo foi na saúde e isso deve-se essencialmente ao brilhante gestor que é Paulo Macedo (mesmo rodeado de Boys ) mas igualmente á abnegação de milhares de profissionais formados no antigamente e dentro de um sistema de ensino que foi sempre (agora já não sei) pautado pela primazia do utente sobre tudo o resto dentro das condicionantes existentes.

            Para mim o caso exemplar do falhanço deste governo em quase tudo o que fez é o do 1º elemento a sair do governo (lembra-se) que foi o Secretário de Estado da Energia que pensava que estava no sitio certo na hora certa, aliás eu se fosse aplicar aquele programa de 2011 também pensava o mesmo, cortar a direito nas gorduras e “interesses”.

            É só ler e pensar :

            “Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos.”

            “Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos.”

            “Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa.”

            “Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português.”

            “A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento.”

            “A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos.”

            “Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução.”

            “Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa.”

            “Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas.”

            “O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento.”

            “Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate.”

            Quanto ao resto não pense que vou votar PAF mas digo sem qualquer ironia ou subterfúgio , se tivesse de escolher só entre PAF e PS, obviamente escolheria PAF , Portugal e os Portugueses não aguentam outra decepção (PSD) e bancarrota (PS) igual á de 2011 isto para ser sucinto na minha argumentação pois quem me lê sabe que noutros post’s tenho escrito o porquê de achar o PS muito pior que o PAF .

          2. Não sei que custos trará o Novo Banco e aceito que terá sido precipitado tentar vendê-lo tão depressa (mas não é difícil entender porquê). Acho que o Banco de Portugal devia ter retirado o poder a Ricardo Salgado pelo menos 6 meses mais cedo. De resto, para mim, o caso GES foi um dos momentos da legislatura em que mais apreciei a acção de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque. Como deixarei claro num texto que tenho alinhavado e devo publicar amanhã.

            Também tive pena que o Secretário de Estado da Energia saísse. Não sei até que ponto tinha tanta margem para cortar como se pensa. E cortar no sector da energia (que foi, ainda assim, bem menos apoiado do que antes, culminando na muito contestada taxa extraordinária) não equivale a reformar o Estado. Independentemente das declarações mais ou menos imbuídas de lirismo que os políticos vão fazendo (porque os cidadãos não gostam de ouvir a verdade), reformar o Estado implica despedimentos e reformulação do cálculo de prestações sociais. Alguma coisa foi feita (e teria sido tão menos difícil em tempo de vacas gordas) mas, como referi acima, revelou-se muito difícil fazer mais (lembra-se das polémicas envolvendo o número de professores ou os 700 trabalhadores da Segurança Social considerados dispensáveis?). Quanto ao resto, admito que existam ainda demasiados contratos com fornecedores externos e demasiados apoios a entidades de utilidade duvidosa (mas foi Vítor Gaspar quem cortou qualquer coisa nos subsídios às fundações) e demasiada troca de favores (um característica nacional). Estes tipos não são perfeitos, alguns inspiram-me até desconfiança (p. ex., Marco António Costa) mas têm pelo menos uma noção da forma correcta de fazer evoluir o país.

  5. Houve bancarrota? Não me apercebi! Houve uma dívida grande, mas que este governo apesar de vender tudo e rapar os portugueses, ainda conseguiu aumentá-la. Desta é que poucos se gabam, de ter governos que aumentam a dívida e depois dizem que saímos da bancarrota.

      1. Houve uma dívida que aumentou substancialmente, apesar dos sacrifícios e da austeridade que em nada resultaram, a não ser numa dívida ainda maior e com tudo vendido. Pode mostrar tudo e mais alguma coisa que não esconde nem disfarça esta triste realidade. Quanto a factos não há argumentos.

        1. Desilusão a 30.09.2015 às 21:37

          É estranho ler textos como seu.
          Demonstra primeiro que não sabe como se forma a Dívida Publica.
          Depois não parece saber como se pode ter Dívida Publica
          Depois não tem noção ou não quer ter a noção de escala e valores de um problema.

          Veja lá se entende: com 2% de défice aumentamos a Dívida. Com 12% de défice aumentamos a Dívida.

  6. O que surpreende é que um governo que foi eleito dizendo que ia empobrecer os portugueses para resolver os problemas resultantes da bancarrota tenha conseguido cumprir a primeira parte falhando completamente a segunda.

    E ainda tem a lata de dizer que o país está melhor.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *