A Origem Transmontana


fiodeprumo,
“…Uma empresa com o nome (um pouco estranho, há que dizer) de “Origem Transmontana” – e pergunto-me como foi possível ser autorizada uma designação tão enganadora como esta – foi acusada de comercializar produtos que se provou associados a uma doença derivada da cadeia alimentar, felizmente sem consequências mortais.”

 

Este excerto pode ler-se no blogue – http://duas-ou-tres.blogspot.pt – do Embaixador Seixas da Costa e eu faço eco dele, porque lhe reconheço carradas de razão. 
Como é que a autoridade competente deixou registar uma marca que corresponde a uma designação de origem? E já agora como é que as autoridades locais e os concorrentes não reclamaram de tal autorização?
A região ficou com a sua imagem prejudicada, o que é profundamente injusto porque a generalidade deste género de produtos alimentares transmontanos é de excelente qualidade 

Este incidente, ao lançar um tal labéu, deveria levar à revisão da legislação que se ocupa de marcas e patentes, de modo a não permitir que tal possa repetir-se.

0 comentários em “A Origem Transmontana”

  1. Não tem muito de especial.
    No estrangeiro, tem-se o Deutsche Bank (= Banco Alemão) e a American Airlines. Que também são empresas que têm congéneres suas concorrentes nesses países.

  2. A Helena perdoe-me, mas eu acho que vai aqui um certo bairrismo pimba (eu refiro-me ao texto e não à pessoa). Até na comida inventam-se estórias para nomes e qualidade.

    Por que não tal nome? Alguém sabe se os sócios poderão ter origem e/ou inspiração transmontana?

    Mais ainda, o que é que o produto transmontano tem de diferente em qualidade do beirão, do alentejano do algarvio…?

    Eu não dou preferência a produtos por denominação de origem. Eu compro produtos não pela origem mas pela qualidade do produto. O que me garante a qualidade do produto é o produtor e não a origem.

    1. Ó Vento eu também escolho – quando posso – os produtos pela sua qualidade. Mas a Denominação de Origem garante que o produto em causa tem determinadas características de solo e de clima que o diferenciam de outros semelhantes.
      Por exemplo há quem prefiraos tintos alentejanos e há quem prefira os tintos do Douro. Eu, por exemplo não compraria um Porto feito no Alentejo. A casta até podia ser a mesma, mas o resultado era diferente. E é essa “diferença” que faz toda a diferença!

      1. Desculpe Helena, mas uma denominação de origem deve garantir, em primeiro lugar e como o nome indica, a origem do produto e, além disso, que esse produto obedece a um modo de produção consagrado pela tradição. É por isso que nunca uma marca se pode confundir com uma denominação de origem – se assim acontecer, não passa de uma forma de ludibriar o comprador.

      2. Helena, eu também bebo Porto no garrafão (eles não engarrafam) feito por pequenos produtores transmontanos. E olhe que é bom. Mas a Helena confunde Denominação de Origem com REGIÃO DEMARCADA. É claro que em nenhuma parte do mundo podemos beber O Porto.
        Mas olhe que eu bebo um vinho de casta Alvarinho produzido no Alentejo (mais fresco e frutado), e se a Helena o provasse tenho a certeza que se passava na degustação, de tão bom que é. No entanto raramente bebo um Alvarinho da região conhecida. Com este exemplo pretendo realçar o que referi.
        De quando em vez, como uma boa alheira de caça e não como a alheira de Mirandela. As alheiras fabricam-se em qualquer parte.

        Quando escrevi sobre a qualidade referia-me à qualidade independentemente da região. Nenhum bom produtor é melhor produtor e tem melhor produto só porque está numa região. Uma vaca em bons pastos só pode ser melhor que uma alimentada a ração, independentemente da região. Não é por acaso que o Brasil tem excelente produção de carne, mas carne boa é da Argentina.
        Não se confunda qualidade com gosto.

        Quanto ao nome da empresa. Ela pode ter esse nome por inspiração ou por pertença dos sócios sem que isso adultere um produto ou o produto de uma região. O que se passou com esse produto ocorreu por um factor passível de ocorrer e não por adulteração do produto. Que até podia ser da região transmontana.

        1. “De quando em vez, como uma boa alheira de caça e não como a alheira de Mirandela. As alheiras fabricam-se em qualquer parte.”
          Nem mais. Eu também como boas alheiras, lá para os lados da minha família. Mas ninguém lhes chama “Alheiras de Mirandela”!

          1. Fiz alusão às alheiras por mero exemplo. Todo mundo fala das alheiras de Mirandela. E eu não gosto. Podem ser muito bem produzidas e ter ingredientes de excelência dessa região, mas não me comove o palato.
            Não duvido que todas elas tenham uma boa qualidade, mas nem todas sabem da mesma maneira. E não duvido que as que se fazem lá para o lado da sua família também marchassem se apresentadas à frente. A denominação de origem não garante o sucesso nem a qualidade. É o produtor e a arte de bem fazer.
            E já vi que a Helena dá-lhe bem na culinária. Quando leio seus posts vem logo à ideia minha mãe, que não só é uma excelente cozinheira como possui uma criatividade fora do vulgar. As sobremesas por ela inventadas são o máximo. E eu até nem sou de doces, apesar de apreciar (de preferência frescas). Só como quando o organismo pede.

  3. Tem razão. As autoridades locais, sobretudo as ligadas à certificação de produtos regionais, podem limpar as mãos à parede. è pena que pague o justo pelo pecador.

  4. Uma vergonha minha senhora. Com tamanha regulação e tantos reguladores uma enormidade deste calibre só é possível porque as falsas autoridades não passam de obedientes e calibrados moleques ao serviço do dono que os mobilizou a bom preço para o controle de danos de quem lhes faz o ordenado.

  5. Não ligue aos comentários do Lavoura nem do Vento – é gente que comenta tudo, mesmo do que nada sabe e, por regra, apenas para contradizer. Uns chatos como, infelizmente, há muitos e com quem não se aprende nada.

  6. O problema que aponta é de facto grave, como se pode “licenciar” uma marca com este nome, assim que ouvi a noticia o “nome” em questão fez logo questionar-me sobre de quem teria sido a patacoda em causa.
    Reconheço inteira legitimidade ás objecções que coloca e secundo o Tiro ao Alvo e o Queima Beatas nos seus raciocinios.
    Uma árvore diferente de todas (e todas diferentes entre si) as outras nunca pode arrogar-se de representar (ficar com o nome) uma floresta.
    Os exemplos que o Luís Lavoura cita podem parecer lógicos mas não são, tratam-se realidades muito diferentes e com muitas nuances á mistura que não cabem nas especificidades de um produto de uma região demarcada.

  7. Poderei dizer que o Novoa é candidato a Pastel de Belém?
    Já Maria de Belém é de Belém!
    “tou certo, errado ou doido?

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