Este dia, ou antes, esta noite é esperada todo o ano. No Natal pensa-se que “só/ainda faltam seis meses para o S. João” (segundo a Bíblia, João Baptista nasceu seis meses antes de Jesus, daí o dia). Quando chega Junho, o Santo António já é uma antecipação; aos poucos vão-se vendo cartazes a anunciar a data, descobrindo manjericos à venda, instalam-se palcos, carrosséis e carrinhos de choque na Baixa, Boavista, Foz, Fontainhas e por todo o Porto. E chegada a noite, vêem-se fogareiros a assar sardinhas, famílias ou bairros inteiros a instalar mesas compridas nas ruas e largos, ouvem-se os primeiros martelinhos e começa-se a avistar as luzes dos balões no ar. Assim se inicia a noite mais longa do ano, colada ao solstício, com o epicentro perto do rio, com os bailaricos habituais, da Ribeira até à Foz, passando por Miragaia e Massarelos. No fim, a habitual dificuldade de voltar para casa, sem carro, táxi ou Uber; a solução é mesmo uma caminhada já a ver a alvorada.
Era a noite mais esperada do ano. Agora é igual a todas as outras, nesta época miserável de gente desfigurada nas ruas. Pela primeira vez desde que há registos (e os primeiros vêm de Fernão Lopes, no séc. XIV), não houve festas de S. João no Porto ou em parte alguma. Vi um entristecido Germano Silva a referir que nem o Cerco do Porto, nem as revoltas ou as outras epidemias todas pararam o S. João. O Covid conseguiu-o. Não sei o que se passa de diferente, mas isto impressiona pela sua dimensão. Pensar que pela primeira vez em séculos não haverá S. João (ou outras festas populares) perturba e entristece. Era daquelas coisas que nos fazia viver. E agora nem sabemos quando voltará, neste mundo em que um surto de 40 contagiados na China é imediatamente notícia. Estamos no meio de uma desgraça inédita ou ficamos mais paranóicos?
PS: soube entretanto que o S. João já tinha tido outras paragens, por razões similares, como a peste bubónica de 1899 (não creio muito, porque só a detectaram em Julho) e outras maleitas.
PS2: alguém devia coordenar um pouco melhor os atrasos nos conselhos da DGS; caso contrário arriscavam-se a que as pessoas festejassem o santo porque as “rigorosas recomendações” chegaram depois do tempo.

Uma pequena mas importante correção: quem impediu os festejos não foi o covid. Foi o governo.
Convém ser mais preciso: foi este governo socialista/marxista
Sério? E porque é que o governo teria tido essa ideia?
Mas eu assisti a um S.João ontem lá pelas Conchas, que a festa até estava muito idêntica ao que aqui descrevem. O Governo não é assim tão severo como isso…
Teve balões, teve fogo, teve martelinhos, teve alhos porros, teve até fogo atómico especial…
O Governo nunca agrada a todos. Ainda queriam mais…
Conchas? Não me diga que viu isso na qunta das conchas e que agora há S. João em zonas condicionadas de Lisboa?
Em tempos idos noutras pandemias, quais respiradores qual quê, havia umas rezas aos santos/santas milagreiras, com pândegas e fogueiras à mistura, o problema resolvia-se morrendo uns milhões até o bicho se empanturrar e desaparecer. Agora com estas modernices acabaram as rezas, pândegas e fogueiras e lá nos vamos safando até o bicho se contentar com uns petiscos e ir perdendo o apetite.
Resta saber quando é que o perde. Um S. João perdido é mau, dois seguidos são demais (e eu perdi vários seguidos, fosse porque marcavam sempre exames para dia 25, ou nos anos em que morei fora).
Induzidos a ser paranóicos obviamente.
Portugal teve bastantes mais mortes em 2017, mais em 2018 e em 2019.
Na semana 52 de 2016, semana 1 de 2017 Portugal teve “Extremely High Excess deaths” algo que não foi notícia. E algo que não aconteceu com agora. Nem aproximado.
lucklucky
Isso foi devido ao efeito geringonça