DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Margarida Craveiro: «A selecção portuguesa está acompanhada de GNR, lá na África do Sul. Eu quero acreditar que a Federação Portuguesa de Futebol está a pagar o aluguer das forças de segurança, tal como os bancos costumam, bem ou mal, fazer. É que, assim de repente, nem a selecção representa o Estado português, nem a GNR tem assim tantos efectivos a não serem precisos noutro lado qualquer (por exemplo, em determinadas zonas do país em dia de distribuição de pensões). Por isso, vou acreditar com muita força, com muito pensamento positivo, como o primeiro-ministro recomenda, a ver se não tenho de ficar mais uma vez enojada.»

 

João Carvalho: «Pela calada da noite e sem honra nem glória, a estátua de José Estaline na sua cidade-natal de Gori (Geórgia) — em bronze e com mais de seis metros de altura — foi definitivamente apeada e armazenada algures, por iniciativa das autoridades locais. O trabalho de remoção começou logo após a meia-noite e antes de nascer o dia já estava concluído. Ao longo da madrugada não foi avistada a presença de qualquer representação portuguesa dos apoiantes de Estaline, mas espera-se hoje uma expressiva manifestação de pesar e desagravo à porta da embaixada da Geórgia, a que não faltará uma reverente representação dos defensores do ditador que moram aqui, inconsoláveis nesta hora do adeus.»

 

Leonor Barros: «”Sinto-me sozinho a puxar pelo País” (José Sócrates). Faltaram-lhe duas palavrinhas: para baixo.»

 

Eu: «Esta foto de Alfred Eisenstaedt tornou-se um ícone do século XX. Foi captada no dia 14 de Agosto de 1945, em Nova Iorque, quando largos milhares de pessoas acorreram a Times Square para festejar o fim da II Guerra Mundial. Entre a multidão, estava uma enfermeira chamada Edith Shain, de 27 anos, e um jovem marujo de quem nunca se conheceu o nome. Por um capricho do destino, o militar decidiu dar um beijo arrebatado à enfermeira. Não se conheciam, não sabiam nada um do outro. Após aquele impulso, ele largou-a e perdeu-se na multidão. (…) Edith Shain acaba de falecer, aos 91 anos. Mas a imagem que inesperadamente a imortalizou viverá para sempre. Por constituir uma prova irrefutável de optimismo, para além de todos os escombros provocados por todas as guerras. Há sempre um amanhã.»

Um comentário em “DELITO há dez anos”

  1. Então há dez anos apearam uma estátua de Estaline e ninguém protestou contra tão medonho retrocesso civilizacional?!

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