Lembro-me bem de sentir a adrenalina a subir sempre que, ainda miúda, tinha de atravessar a rua, a caminho da escola, com aquele semáforo no vermelho. Não havia alternativa. A única forma de alcançar em segurança o passeio em frente era assim, em passo de corrida, com os carros a avançar na minha direcção. Mais tarde, já adulta, fui obrigada a passar o testemunho e ensinei crianças a trotar aquela rua em transgressão.
Tudo para dizer que está na mesma, o semáforo. Parece que os anos não passam por ele. A gente cresce, envelhece, reproduz-se e o bicho continua, imperturbável, no mais movimentado cruzamento do bairro, a ver os miúdos da escola a ganhar coragem para enfrentar os carros e os velhos a ensaiar passos de ballet burlesco, entre gritos e apitos. Não será o único semáforo de Lisboa a regular o trânsito de peões em estilo alternativo, mas este tem a particularidade de contar com mais de vinte anos de serviço e de ficar mesmo em frente a uma pastelaria muito frequentada por um homem que até foi presidente da câmara. Mas há coisas que nunca mudam, não é?.

Semáforos assim são muito frequentes em casos de viragens à esquerda – uma permissão que, por princípio, deveria ser erradicada. Os carros que viram à esquerda enfrentam-se com um sinal verde para peões mas, como estão cheios de pressa, nem olham. Na prática, o semáforo para peões é um logro.
Lisboa está cheia de casos desses. Por princípio, repito, deveriam ser todos erradicados – os carros deveriam ser sempre proibidos de virar à esquerda, a não ser em ruas de sentido único.
Tenho um semáforo assim mesmo ao pé da minha casa, no cruzamento da Luciano Cordeiro com a Bernardim Ribeiro, e tenho sempre imenso medo de atravessar ali.
O dr. Costa e a sua equipa-maravilha não podem resolver nenhum desses problemas porque encontrarm os cofres vazios e ainda não conseguiram enchê-los.
Tal como a Teresa referiu, estes problemas existem há dezenas de anos. Eles não são resolvidos, não porque isso custe dinheiro, mas sim porque isso iria dificultar a circulação aos automobilistas. É evidente que, para que os peões possam atravessar a rua em segurança, é preciso que os automóveis deixem de circular durante uns momentos. E isso prejudica os automobilistas. Ora, a cidade de Lisboa é governada em função do máximo interesse dos automobilistas – do interesse de fazer passar o máximo número de automóveis no mínimo período de tempo pelas ruas. É isso – uma falta de vonade política, e não uma falta de dinheiro – que impede que estes problemas sejam resolvidos – quer por António Costa quer por outro qualquer.
É isso mesmo, caro Luís. A circulação nas cidades é feita totalmente em função dos carros.
Há mais de vinte anos a Teresa atravessava a rua sozinha? Deve ter-se enganado na idade do velho semáforo… 😉
Ah pois atravessava! E mais não digo 🙂