
Está o PSD em compita interna, a menos de 3 meses de eleições legislativas. Talvez não seja o melhor momento para tal iniciativa, mas dever-se-á às ondas de choque provocadas pela derrota dos partidos de esquerda nas recentes autárquicas e à imposição (apressada?) do presidente da República. A decisão sobre o próximo presidente do PSD compete aos seus militantes mas, como é óbvio, acaba por nos interessar a todos, se acreditarmos – como será normal – que algo influenciará os próximos resultados eleitorais e a próxima configuração de poder governamental. Já o botei aqui, independentemente das virtudes políticas (e pessoais) que Rui Rio tenha não encontro, nem no círculo dos meus conhecimentos nem no amplexo imprensa/redes sociais, locutores que exprimam entusiasmo pela sua actuação. Algo que não será razão suficiente para nele descrer – até porque depende exclusivamente deste meu pessoal ponto de (tomada) de vista – mas que será um pouco descoroçoante para quem espere uma “vaga de fundo” eleitoral. Enfim, para mim – que nem sequer votei PSD nas últimas legislativas – parece-me que ao longo destes anos Rio não conseguiu afirmar-se individualmente como líder de uma alternativa à governação de António Costa, nem terá conseguido catapultar o seu partido como alternativa colectiva – quem são as actuais figuras gradas daquele partido, que políticas sectoriais ali se defende, que documentos (abrangentes e súmulas) têm publicado, que “seminários/colóquios/congressos” temáticos têm desenvolvido, etc? Com que forças sociais (também ditos “grupos de pressão”) têm abertamente debatido? Que reformas propõem, que status quo entendem inamovível? Em suma, que projecto substantivo para o país defendem (para além do “patois” para cabeçalhos de imprensa) que justifique a mudança governativa, para além daquilo que o eleitor comum possa presumir, na sua desinformada candura? Dito isto, também sobre Rangel não se pode dizer que se saiba muito mais – para além da já referida presumível expectativa assente nos historiais dos partidos. É certo que não lidera um partido há um punhado de anos, como Rio, e que há quase uma década está algo afastado da política interna, dado o seu cargo de eurodeputado, o que justificará muito mais do que em Rio o desconhecer-se-lhe tanto um discurso individual abrangente como a inexistência de um trabalho de coordenação (e até de liderança) de uma colectiva reflexão sobre o país. Para mais, e no meu caso, não tenho acompanhado a sua carreira política – como referi notei-o com atenção apenas há cerca de um ano e meio quando teve um conjunto de declarações e acções parlamentares muito pertinentes e aquilatadas sobre o conflito no Cabo Delgado, em Moçambique.
Botei este longo intróito para justificar o meu cenho franzido, e algo distraído, diante da actual situação do maior partido da oposição. Atitude que nem será de espantar, dado não ser nem militante, nem simpatizante nem mesmo eleitor habitual do PSD (partido no qual votei em 1999. E no qual teria votado em 2001, 2009 e 2011 se não fosse então epígono do actual presidente da República, inscrito numa cidade e residindo numa outra, no meu caso bem longínqua, cerca de 11 000 kms). Espero apenas que possam os militantes do PSD escolher o melhor possível para a participação optimizada desse grande partido democrático no processo político português, ainda para mais quando se anuncia uma crise económica internacional, que talvez venha a depauperar o nosso algo distraído país.
Nesse sentido fico estupefacto quando leio as recentes declarações de Rio. Anunciara há dois ou três dias que não fará campanha interna na corrida eleitoral do partido. E agora, julgo que ontem, a apenas dois meses e meio das eleições legislativas, afirma ao país que o seu opositor Rangel “não está preparado para ser primeiro-ministro“, algo que num partido com aspirações governamentais é um evidente “depois de mim, o dilúvio”. Para além de contradizerem completamente o tal anúncio de inexistência de campanha interna que Rio fez na véspera, estas declarações feitas num partido da dimensão do PSD são letais, demonstram uma total falta de solidariedade interna, de conjugação partidária. E vêm do seu próprio presidente! Diante de uma coisa destas, do minar do caminho do próprio partido, não consigo perceber como é que haverá militantes do PSD que se conjuguem com Rio, tão “despreparado para ser presidente de partido” assim se mostra. Mas também o digo, diante disto, destas declarações entre gente que se conhece, e muito, não percebo como é que nós, eleitores comuns fora dos partidos, poderemos confiar em tais gentes, embrenhados em tal forma de fazer política. Como confiar em Rangel se o seu próprio presidente dele diz isto? Enfim, se Rio assim, tão rasteiro, e se Rangel assim tão “impreparado”, o melhor é mesmo elegermos deputados de outros partidos… Está aí um cardápio à disposição, a cada um como cada qual…

Era bom o PSD apresentar um candidato social-democrata.
Alguém com ideias diferentes para o País, que não os chavões da “reforma da justiça”, “qualificação” e derivados, e com um programa para lá do aumento de pensões e do saem 2 entra 1 FP.
Podíamos começar por discutir e clarificar de uma vez por todas o papel do Estado em diferentes sectores, onde deve ser monopolista, participante (tipo tv, ou transportes), distinguindo onde pode deve ou não financiar, ou mero espectador / regulador.
Sim, seria bom que o PSD fosse algo diferente do que é (nem o digo em termos de ideário dominante mas sim de prática política, substantiva). É certo que esta minha (e também sua, se me permite a extensão) formulação recai num “dever-ser” quantas vezes espúrio face ao real. Mas o que será (sem condicional) exigível é que num compita interna para escolher um futuro líder de candidatura ao governo, e que decorre mais ou menos taco a taco, um dos concorrentes não diga ao país que o seu correligionário não está preparado para ser primeiro-ministro. Certo, se calhar não está e Rio está a avisar o eleitorado disso. Mas isto demonstra: a) um partido em frangalhos; b) um presidente em frangalhos; c) um partido que se atreve a candidatar um impreparado. Seja uma das opções ou uma das conjugações das várias alíneas, isto é gravíssimo.
Ps e psd sao partidos de poder. Existem com esse desígnio. Qualquer coisa semelhante a uma ideologia ou projecto de sociedade é mera coincidência.
Quanto à compita interna, é lavagem de roupa em público. O outro dedicava-se a fazer a rodagem do automóvel, estes é mais tanques. Mas nao daqueles com lagartas.
Tem razão no que diz sobre os dois grandes partidos. Mas eu não aludo a belos projectos (escritos e/ou verbalizados), quais desígnios de sociedade. Mas conviria saber-se algo de palpável sobre áreas distintas da sociedade, algo mais “executivo” por assim dizer
estas declarações feitas num partido da dimensão do PSD são letais
Não vejo o que tenha de letal para o PSD um dos candidatos à liderança afirmar que o outro candidato não tem estofo para ser primeiro-ministro. Significa somente que esse candidato se considera bom e adequado e considera o outro mau e desadequado. Nada de surpreendente.
balio, é evidente que não se trata disso. O que acontece é que o segundo partido mais votado se apresta a ir a eleições legislativas, há a expectativa (a hipótese, pelo menos) de que o seu presidente possa vir a ser indicado como primeiro-ministro. Quando um dos dois candidatos (reais) a presidente diz ao país que o outro não está capaz de exercer essas funções isso é uma ruptura radical na solidariedade interna do partido – imagine-se (acho difícil, mas ainda assim) que Rangel é eleito presidente do PSD. No dia seguinte, da direita à esquerda, todos os que quiserem atacar o PSD dirão o óbvio, que nem os militantes acreditam que Rangel possa ser bom primeiro-ministro… Acha que isso não é letal para aquele partido? Não considera isso uma ruptura insanável interna? Isto é coisa (fundamentada ou não) que se diz dos adversários externos não dos contendores internos – mas lá está, para muitos os adversários são externos, os inimigos são internos, uma tétrica mundivisão (avessa ao debate e às diferenças de opinião) que Rio aqui demonstra.
Já agora, também nada saudável (e até algo poluente, para não dizer letal, termo que lhe desagrada) é isto de um tipo dizer ontem que não fará campanha interna e hoje vir dizer uma coisa destas, uma total contradição. Acha que isso dá alguma credibilidade? Acima de tudo para aqueles “de fora”, que não estão inseridos nas eleições do PSD? Francamente, há limites para a pertinência do contraditório comentarístico…
O pormenor do “não faço campanha interna mas…” é muito bom.
Basicamente é isso, ao descredibilizar o adversário está a descredibilizar o partido. E a afastar o próprio, bem como os seus apoiantes. Depois surpreende-se com a oposição interna.
é isso, absolutamente patético. Que credibilidade pode reclamar após isto?
jpt-escritor, balio-agricultor, lucky-atirador, por favor, esclareçam-me uma piquena dúvida: em Portugal há eleições para primeiro ministro?
Desculpem o incómodo.
Muito obrigado.
Alexandre Soares-baço humorista: não há. Como, aliás, poderá perceber no que aqui vem sendo dito. Nem no postal isso é afirmado. E nos comentários que são anteriores a este seu, já botei: trata-se de uma “compita interna para escolher um futuro líder de candidatura ao governo”, e que relativamente ao PSD há a “há a expectativa (a hipótese, pelo menos) de que o seu presidente possa vir a ser indicado como primeiro-ministro” – pois desde os finais dos anos 1970s, aquando de governos de iniciativa presidencial do então PR António Ramalho Eanes, nenhum governo foi encabeçado por indivíduos que não fossem presidentes ou secretários-gerais dos respectivos partidos (a nomenclatura varia entre os partidos).
Não foi incómodo algum ensinar-lhe isto. Na medida dos possíveis (ou seja, se tiver tempo, e se tiver conhecimentos para tal) estarei à sua disposição para qualquer esclarecimentos sobre coisas básicas sobre as quais V. tenha dúvidas.
Obrigado pela amabilidade e disponibilidade.
Permita-me só dizer-lhe uma coisa: o que seria deste mundo, e do jpt-não-básico, sem básicos?? E pode ficar descansado, este básico não vai entrar “num compita” com um não básico.
Mais uma vez, obrigado.
Não me compreendeu, decerto que por minha responsabilidade. Apenas frisei que estou disponível para o elucidar sobre coisas básicas, se para isso tiver conhecimentos (e tempo). Que são aquelas em que lhe poderei ser útil.
Lá por um indivíduo ser militante de um partido, não é obrigado a apoiar todo e qualquer outro militante do partido que se candidate a qualquer função pública.
Deve haver montes de militantes do PSD que não têm qualificações para ser primeiro-ministro, mas que se podem candidatar a isso. Os restantes militantes do PSD não têm a obrigação de os apoiar na sua candidatura.
A solidariedade partidária não se sobrepõe à verdade nem à justiça nem ao bem para o país. Rui Rio tem mais obrigação de lutar para que Portugal tenha um bom primeiro-ministro, do que para que Portugal tenha como primeiro-ministro um tipo qualquer só por ele ser do PSD.
tá bem, balio. Já fez o seu contraditório…
Não deve fazer bom balneário dizer em frente aos microfones que os colegas de equipa são todos uns coxos e aleijados.
Pois, Anonimus, a saída de Rio é, em termos de “balneário”, uma implosão
“Não vejo o que tenha de letal para o PSD um dos candidatos à liderança afirmar que o outro candidato não tem estofo para ser primeiro-ministro. Significa somente que esse candidato se considera bom e adequado e considera o outro mau e desadequado. Nada de surpreendente.”
Então para o balio dizer que um é melhor que outro é o mesmo que dizer que o outro é mau?
Rui Rio acabou de dizer que quem apoiar Rui Rio nunca poderá apoiar o PSD nas legislativas caso Rui Rio perca as eleições internas. Pois estará a apoiar um mau primeiro ministro.
É um tiro descomunal nos próprios pés e no próprio partido.
é isso mesmo, um tiro nos pés (de barro?) do partido. Mas é necessário entender-se que não é uma gaffe, um deslize retórico. É uma estratégia assumida, uma secundarização do partido em prol da sua candidatura (dir-se-ia em tempos, em linguagem de apreço a alguns dos apoiantes de Rio, trata-se de fraccionismo, então dito como algo de pejorativo na política)
Imagine lucklucky que Paulo Rangel era, suponhamos, o talhante do talho aqui em frente. Ou então, o tipo que lava pratos no restaurante da esquina. Esses indivíduos não têm, claramente, qualificações para serem primeiros-ministros. Óbvio. Qualquer outro militante do PSD poderia, e deveria, denunciar esse facto.
Você pode achar estes meus exemplos um bocado radicais, mas podemos alternativamente supôr que Paulo Rangel, embora licenciado em direito, era um tipo que andava metido em negócios escuros, corrupção, banditismo, coisas assim. Mais uma vez, qualquer outro militante do PSD poderia, e deveria, denunciar esses factos.
Deve haver montes de militantes do PSD que, por diversos motivos, não são apropriados para serem primeiros-ministros.
“Ou então, o tipo que lava pratos no restaurante da esquina. Esses indivíduos não têm, claramente, qualificações para serem primeiros-ministros. Óbvio. “
Não vejo nada óbvio nisso. Foram agricultores e pequenos proprietários que travaram o avanço do Comunismo em Portugal por gente muito “qualificada” .
Na Republica de Veneza a representação tinha uma componente de sorteio.
Seria vantajoso que uma pequena parte da assembleia seja por sorteio. ou uma segunda câmara.
É bem possível tipo que lava pratos ou o talhante teriam muito mais cuidado que os fanáticos da religião política que estão no poder nos governos-jornalismo Ocidentais. Tudo gente muito perigosa, da Merkel ao Boris, do Sanchez ao Biden.
“Você pode achar estes meus exemplos um bocado radicais, mas podemos alternativamente supôr que Paulo Rangel, embora licenciado em direito, era um tipo que andava metido em negócios escuros, corrupção, banditismo, coisas assim. Mais uma vez, qualquer outro militante do PSD poderia, e deveria, denunciar esses factos.”
Rui Rio acusou o Rangel de algo semelhante?
(1) Uma coisa é talhantes e trolhas estarem numa assembleia. Outra coisa muito diferente é serem primeiros-ministros.
(2) Rui Rio não precisa de acusar Rangel de nada – aquilo que Rangel é (um tipo que ganha salários paralelos e mal se senta no seu emprego público) é bem sabido. De qualquer forma, o que aqui está em causa não é Rangel ser bom ou mau – o que aqui está em causa é o direito que Rio tem de dizer que ele é mau.
Comentador balio,
não posso deixar de lhe referir isto – e sei que poderá ser interpretado como expressão de apoio a Rangel, o que lhe afianço não ser o meu propósito. V. faz aqui uma proclamação sobre práticas laborais e económicas de Rangel que entende menos próprias. E fá-lo a coberto de um texto que eu assinei. Entendo que seria curial que ao fazer tais afirmações, explícitas e pessoalizadas, que as assinasse com o seu nome, pois acusações de “más práticas”, ou pelo menos indevidas práticas, não devem ser feitas sob anonimato.
Comentador balio,
já depois deste meu comentário V. deixou outros dois comentários a este postal, explicitamente endereçados à comentador Susana V., nos quais elabora sobre as práticas económicas e laborais de Paulo Rangel. Não os aceitarei, e por isso os apagarei do sistema. Insisto no que lhe disse: assine com o seu nome, de modo a ser efectivamente identificado (associação a um endereço electrónico efectivamente funcional, por exemplo). E se assim for aceitarei tais comentários. Mas estas alusões/insinuações a coberto de um anonimato são indecentes. E não seria curial aceitá-las.
Totalmente de acordo e acrescento que agora, e para nossa infelicidade, não haver ninguém com um carro para fazer a rodagem.
Pois, dizem-me que os carros já não precisam de rodagem… (há um quarto de século que não compro um carro novo)
Ir do Algarve à Figueira de carro custa uma batelada. Não há poder de compra
Era de Lisboa que se partia. E, pelos vistos, continua a ser – por mais que custe aos portistas Fernando Gomes, Meneses ou Rio…
(e Medina)
Talvez. Salvo que o que o Rio diz do Rangel não é mais, e é provavelmente menos, do que os seus adversários no PSD (desadeptos? 😉 têm dito dele nos últimos anos. Amor com amor se paga.
Não contesto o que diz. E parece-me ser óbvio que o PSD tem um desnorte estrutural. Mas isso não obsta ao espanto diante destas declarações do seu presidente neste preciso momento.
sou anarca
só um palerma se lembra de destruir o que resta da direita
em benefício da esquerda
o deputado nem apresenta ‘ purgama ‘. se fpsse militante mandava-o para o parlamento europeu
Pois, isso serão os militantes daquele partido a decidir. Mas sim, concordo, falta (a ambos os candidatos, já agora) algo mais substantivo que possam propor não só aos militantes mas ao comum eleitorado.
Suponhamos por momentos que Paulo Rangel não era o tipo cordato e civilizado que aparenta ser, mas era assim a modos que um Bolsonaro, ou uma Susana Garcia, ou um Alberto João Jardim. Não seria adequado outro militante qualquer do PSD vir alertar, “estes não são tipos que eu queira ver como primeiro-ministro de Portugal”? Não seria adequado, caso um deles fosse de facto eleito líder, um outro militante vir dizer “eu assim não voto no meu partido”?
Rangel encabeçou uma lista ao P.E. sob presidência de Rio. Deixe-se de coisas, se Rio tivesse uma péssima impresso das capacidades políticas e intelectuais de Rangel isso não poderia acontecer ou seria uma desonestidade. Mais, algo será um comentador ou militante invectivar um candidato, outra é a responsabilidade do presidente do partido nesta situação específica. V. Não tem razão nisto. E sabe-o.
O que aqui está em causa não são as capacidades políticas e intelectuais de Rangel. O que está em causa é o direito que Rui Rio tem de dizer mal dessas qualidades. Rui Rio tem todo o direito de afirmar que considera Rangel impróprio para primeiro-ministro, mesmo que 90% das restantes pessoas tenham a opinião contrária. Rui Rio tem todo o direito de dizer mal de qualquer um dos militantes do PSD.
Pois, pois, pois…o Rio tem um “problema” que não agrada a muitos escribas e a muitos interesses instalados. Gosta de andar com a “espinha” direita, não é !!??
Sim, presumo que Rio seja homem de assinar o que diz e escreve e não um patético escriba de comentários anónimos insinuantes…
Não sabemos como será Rangel, mas temos ideia de como é Rio. Entre o incerto e o francamente mau não é difícil fazer a escolha.
Dito isto o Rangel teria de se esforçar muito para ganhar o meu voto (que será muito provavelmente na IL). Aliás, desde que a IL apareceu só não votei IL nas autárquicas, apesar de discordar do partido em muitas questões ).
Pois, Rio já teve tempo de mostrar ao que vinha (e como vai). Não me parece que tenha cativado…
Não sabemos como será Rangel
Se a Susana V. não sabe como será Rangel, pode dar uma olhada no blogue Portugal Contemporâneo. Tem lá muita informação (não necessariamente toda verdadeira) sobre Rangel.
comentador balio, assim está bem, remete o que pensa sobre Rangel para uma fonte identificada. Absolutamente curial.
Não sabemos como será Rangel como líder da oposição ou como líder de governo. Apesar de não ter seguido com afinco o percurso do Paulo Rangel, o que li da sua pena é bastante prometedor. E o calendário do seu avanço como candidato à presidência do PSD também joga a seu favor na minha opinião. Eu poderia eventualmente votar no Paulo Rangel mas nunca votaria no Rui Rio. Um político do PSD que despreza o eleitorado de direita e é avesso a reformas nunca teria o meu voto.
Susana V. não me parece correcto considerar que Rio não respeita o eleitorado de direita. Independentemente do que se possa considerar da sua prática e dos seus discursos, Rio tem anunciado (ou pelo menos deixado anunciar) a sua disposição para uma coligação eleitoral com o CDS (um partido à sua direita) e não rejeita a hipótese de acordos de incidência governamental com o CHEGA (um partido bastante à sua direita).
(…) não percebo como é que nós, eleitores comuns fora dos partidos, poderemos confiar em tais gentes, embrenhados em tal forma de fazer política.
Exacto. Da direita à esquerda é este o problema: a maneira como eles fazem política, sempre com truques.
A política não é uma escola de virtudes. E é feita, necessariamente, de negociações, cedências e inflexões de rumos que muitas vezes nos parecem os tais “truques”. Julgo que devemos saber apartar os que são os tais necessários passos na gestão dos interesses convergentes/conflituantes/divergentes que constituem a sociedade daquilo que é o desarrumado desrumo que muitos políticos acabam por preferir.
Está na altura de outro militante ir fazer a rodagem do carro ,agora não para a Figueira, está lá o Pedro mas , talvez para São Bento. Como já não se fazem rodagens , carregar a bateria do Elétrico, Se houver lá carregador…….
Pedro Passos Coelho ganhou as eleições em que concorreu até a que deu a geringonça, O pessoal está farto do Rosa/mão de vaca.
Já é tarde, além de que V. (como outros comentadores) convocam a memória do acontecido num congresso, a aparição súbita (e surpreendente, ao que se disse na época) de um candidato no contexto de uma reunião geral. Mas agora são eleições directas, não há espaço para esses momentos inopinados.
Conheci Rui Rio há muitos anos – no âmbito de actividades associativas de então técnicos de contas – e tenho dele boa impressão. Curiosamente, sendo do PSD, sempre apoiou o depois bastonário vitalício (exerceu até morrer) que era do PS e que, independentemente de boas qualidades que indubitavelmente tinha, era um “quero, posso e mando”.
Acho que Rui Rio seria um excelente primeiro-ministro, se tivesse um partido unido e maioria parlamentar. E igualmente que, sem isso, será um desastre político.
Por outro lado Rangel, que de todo desconheço, tem um óbice de que não se pode falar mas é real. Pessoalmente só posso admirar a sua coragem e frontalidade ao assumir a sua homosexualidade – bem como a frontalidade e correcção como reagiu à divulgação de um vídeo de momentos menos felizes – mas eu não espelho o eleitorado do PSD que é mais rural do que urbano e certamente menos culto do que eu. Sem grande esforço de imaginação, imagino comentários do género “precisávamos de um homem com eles no sítio e sai-nos um maricas”.
A minha conclusão é, como já por aqui escrevi, que Costa goza da sorte dos protegidos dos deuses.
Francisco Almeida, julgo que a questão da homossexualidade – que Rangel veio declarar após uma perversa invectiva jornalística -, e ainda que decerto levante os dichotes que V. indica como possíveis, não é factor determinante para a desvalorização dos políticos na sociedade portuguesa. Mesmo nas áreas ideologicamente mais conservadoras. E sabemo-lo bem.
Compreendo que deva ser difícil, como autor de postais, responder a todos os comentários…
De tudo que escrevi resulta apenas e tão somente, que Rio e Rangel têm características que objectivamente favorecem eleitoralmente Costa. Tudo o que, na leitura, excede esta minha opinião, é descabido ou supérfluo.
“… não é factor determinante para a desvalorização dos políticos na sociedade portuguesa.”
Quando é que mil ou dez mil votos são determinantes?
Os políticos não se valorizam ou desvalorizam na sociedade mas sim no eleitorado.
E o que é a sociedade portuguesa? Aquilo que Rentes de Carvalho no “Observador” de hoje situou entre o Parque das Nações e Cascais ou as muitas tertúlias de jogadores de sueca em tascas do interior?
Ocupando-me agora do supérfluo, começo por anotar que o eleitorado do CDS era mais culto e mais urbano do que o do PSD. E que, dada a posição mais à direita do CDS no espectro, circunstâncias particulares do líder não teriam a mesma relevância. Hoje, com o advento do Chega e, sobretudo, com a ofensiva ideológica do “gramscianismo” isso já não seria assim.
Bem sei que não viu mal de maior (salvo dois pormenores) na Disciplina de Cidadania e Desenvolvimento mas não só está errado, como subestima as reacções de quem vê e crê que constitui um perigo real. Sigo a opinião de quem entende que toda a parte da “Igualdade de Género” é uma preparação e pretensa justificação para os desenvolvimentos subsequentes da “Ideologia de Género”. Assim considerando, verifica-se que esses assuntos ocupam 980 páginas num total de 2.360 isto é, 41,5%.
Há pais que, não tendo optado pelo combate dos Mesquita Guimarães, se obrigam a acompanhar de perto os filhos e a desconstruir em casa, o que nas aulas lhes é doutrinado. Ocupa-lhes, tempo, força-os a lidar com assuntos que desaprovam. Naturalmente, revoltam-se e transmitem essa revolta às pessoas dos seus círculos sociais. Esta reacção provoca naturalmente a rejeição em bloco de tudo o que é LGBT+++. Por isso, o “factor que não é determinante” é hoje muito mais significativo do que era há dez anos. E, na minha opinião, a tendência é para aumentar.
Francisco Almeida:
1 – não será exactamente difícil responder a todos os comentários. Mas às vezes, quando os postais geram um ror de comentários exigem algum tempo, nem sempre disponível. Difícil, às vezes – e nada tem a ver com este seu nem com os outros comentários gerados por este postal – é ler o azedume que surge em vários comentários em alguns postais. E normalmente vindos de leitores (e comentadores) habituais, mesmo que anónimos. Confesso que não percebo – compreendo e bem a discordância, o debate aceso, a recusa radical da argumentação alheia. Mas o fel comentador? Para quê, porquê?
2 – Quanto ao que me diz, grosso modo concordo. De facto parece-me que, se centrando-nos nos indivíduos, Costa (mesmo que algo macerado por 6 anos de governo minoritário) será mais apelativo ao eleitorado do que o abrasivo e algo inepto Rio e do que o “europeu” Rangel. Sendo ainda que nenhum dos dois candidatos ao PSD é um homem carismático, para além das hipotéticas valias das suas propostas.
3. À sua pergunta, um bocadinho capciosa, de quando é que “X votos são determinantes” só posso sorrir. Sim, “por um se ganha, por um se perde…”. Mas entenderá o que quis – mesmo que apressada e sumariamente – dizer. Há algumas décadas os factores da vida pessoal dos políticos eram mais significativos na sociedade (e no reflexo que poderiam ter no eleitorado, para seguir a sua distinção – que não irei discutir). Lembro-me que o simples (hoje em dia) facto de Sá Carneiro ser separado (julgo que nunca se divorciou) chegou a ser arma de arremesso eleitoral. Hoje em dia estou certo que há um maior “abertura” em matéria de costumes – mesmo que esta não seja, concedo-lhe, universal. Mas nisso não deixo de considerar como pertinente aquilo que refere, os efeitos contraditórios provocados pela refracção nas famílias da inculcação da ideologia de “género”, o fastio e mesmo recusa que isso poderá ter em sectores alargados. Aliás, e aquilo que me diz aqui fez-me lembrar disso, se pensarmos nas penúltimas eleições presidenciais americanas (e nas outras eleições que as acompanharam, para vários níveis de poder) bem como nas últimas eleições presidenciais brasileiras, foi notório que pelo menos ao nível discursivo as candidaturas mais à direita convocavam, com notório sucesso em termos de adesão, a oposição a essas questões.
4. O que é a “sociedade portuguesa”? Ui, se eu tivesse um texto pronto na cabeça para lhe responder faria um livrinho e tentaria ganhar algum que se visse com isso… Mas permita-me uma aproximação, aludindo a postais que aqui fui colocando ao longo dos últimos tempos: quando surpreendentemente Medina foi apeado (aleluia!!) por Moedas aqui coloquei dois ou três textos (e já antes havia resmungado pelo que me pareceu a desatenção sobre isso) sobre o facto de a derrota do PS em Lisboa ter tido dinâmicas eleitorais que são algo excêntricas ao Parque das Nações e ao Restelo (vá lá, o Cascais lisboeta) e às até lendárias tascas do desertificado interior. Ou seja, deveu-se a questões que são interessantes nos bairros (freguesias) populares, não as sempre citadas Alfamas ou Mourarias, mas sim os Olivais que bem conheço, ou Santa Clara (ou as Benficas). Ou seja, nem os “bobo – bourgeois bohême” de retórica gramsciana do BE e seus ademanes de “género” e “identidade” nem os lavradores e seus vetustos campinos ou capinadores.
5. Terá razão, digo-o por intuição pois desconheço estudos sobre esses universos sociais, sobre a distinção sociocultural entre os eleitorados PSD e CDS e seus reflexos nas considerações que poderão ter sobre as características pessoais dos seus líderes partidários. Ainda assim quero crer (não num dever-ser mas numa mera predisposição para acreditar) que a (sempre evitável, quase indita) questão não será determinante nas opções eleitorais da grande maioria das pessoas.