Resistirei sempre…


jmmcc,

Tem-se acentuado de há uns anos para cá: à medida que o linguajar empobrece, as pessoas tendem a dizer todas as mesmas coisas com as mesmas palavras. Já não é um mero problema de "moda", mas sim de escandalosa falta de vocabulário. Fruto, necessariamente, de estarmos a criar gerações com mais habilitações e menos conhecimentos.

Lembrei-me disto a propósito do Prós e Contras, que ainda vai na primeira parte. Nem estou a prestar muita atenção, mas consigo perceber que é já a quinta intervenção no programa e concluo que devem estar todos a dizer o mesmo, porque todos eles têm falado à exaustão na mudança de paradigma. Mais para uns, menos para outros, a mudança de paradigma é algo que nitidamente os persegue e consome. Até a Fátima Campos Ferreira também já lhes dá a palavra a partir de uma ideia qualquer em torno da mudança de paradigma.

Na minha opinião, a reforma do ensino que continua por fazer era suposto voltar a pôr os portugueses a falar português. Por inteiro e com características individualizadas, porque andamos a assistir permanentemente a pedacitos de língua plagiados e indiferenciados, com total desprezo por direitos de autor.

Tenho feito um grande esforço para resistir a esta triste realidade, que já constitui um risco sistémico. E esta é que é a questão essencial, que era preciso, basicamente, colocar em cima da mesa. A bem da mudança de paradigma…

62 comentários em “Resistirei sempre…”

  1. Inteiramente de acordo. Agora as questões são todas «incontornáveis» e postas «em cima da mesa». Admira-me que as mesas cheguem para tanta questão. E as questões, tal como as mesas, devem ser quadradas, já que são «incontornáveis».
    Assim não há paradigma que aguente.

    1. Também reparei. Já disseram muitas vezes “mudança de paradigma”. O senhor de Cincinnati deve andar alarmado por lhe evocarem tanto o paradigma em vão.

      Ah, as questões são bicudas e, por isso, se discutem em mesas redondas .

      :)))

      1. Isso agora! Depende das vertentes elencadas para equacionar o problema que, como foi bem dito, está em cima da mesa. E convém ter atenção para as problemáticas emergentes no contexto em causa…

        :))

          1. Parece que a mesa anda de candeias às avessas por causa dos ângulos de abordagem. Como não são rectos, a mesa vê-se aflita para se ajustar às circunstâncias. E, parafraseando o outro, as mesas são as mesas e as suas circunstâncias.

    1. Oh Ana eu acho que o paradigma tem as costas largas. São uns cinzentões os ‘discutidores’. E deve estar na horinha deles porque falam quase a dormir.

      :))

  2. Não estarás a ser mais “papista do que o Papa”? São combinatórias lexicais, ferramentas da fala, desde que cumpram uma função comunicativa, não vejo – basicamente – problema algum…

  3. Basicamente estive na dois a ver o Serviço de Urgência. Já agora podem esclarecer-me que questão essencial se analisava que configuraria uma mudança de paradigma que constituiria um risco sistémico eventualmente colocado em cima da mesa da FCC ?

  4. “a reforma do ensino que continua por fazer era suposto voltar a pôr os portugueses a falar português”

    Eu diria que há no ensino coisas muito mais importantes do que isso.

    Eu preferiria que o meu filho falasse português mal e porcamente se em troca dominasse perfeitamente matemáticas avançadas, física inglês e informática.

    Até mesmo mandarim é, nos tempos que correm, mais importante do que português.

    1. O mandarim, claro: é a primeira ou segunda língua falada no mundo e o português é apenas a quinta ou sexta. O mandarim é muito mais importante, sim. Sobretudo, em certas regiões do interior da China e em algumas casas das ‘China towns’ no Ocidente onde o cantonense não seja dominante.

      Só que não há volta a dar: a língua materna é a base da aprendizagem, do conhecimento e da cultura de um povo. Não sei que graça teria o seu filho falar português «mal e porcamente», mas cheira-me que, se ele «dominasse perfeitamente matemáticas avançadas, física, inglês e informática», falaria correctamente a nossa língua. Faça isso antes que seja tarde, ou ele ainda acabará um dia a perorar durante duas horas no ‘Prós e Contras’ sem dizer nada.

      1. “se ele dominasse perfeitamente matemáticas avançadas, física, inglês e informática, falaria correctamente a nossa língua”

        Talvez, mas o inverso não é certamente verdade. Isto é, um aluno pode ser muito bom a português e não perceber patavina de matemática, física nem informática. (De facto, há nas escolas portuguesas um grande número de alunos assim – que falam português deveras bem mas não compreendem conceitos elementares da matemática.) E isso, no mundo moderno, não serve para nada.

        Por isso insisto que, mais importante do que a disciplina de português, são as disciplinas científicas. São elas que são a chave da competitividade do país.

        De que servem, por exemplo, todos aqueles alunos egípcios ou sauditas que, sabendo perfeitamente a língua árabe – que é uma das mais faladas no mundo – e até sabendo recitar de cabo a rabo um espesso livro escrito nessa língua, não compreendem porém matemática ou física modernas? Não servem para nada – e é por isso que o mundo árabe permanece atrasado.

        E de que serviria o ensino sul-coreano se os alunos saíssem dele com um conhecimento, essencialmente, da língua coreana mas sem profundos conhecimentos de informática e matemática? Não serviria para nada.

        A língua materna pode ser a base da cultura, sem dúvida. Mas as pessoas não se alimentam de cultura, nem competem num mundo globalizado com base na cultura.

        1. “A língua materna pode ser a base da cultura, sem dúvida. Mas as pessoas não se alimentam de cultura, nem competem num mundo globalizado com base na cultura.”

          Está redondamente enganado, permita-me que lhe diga. Deixo ao critério de cada um alimentar-se ou não de cultura.., mas os povos sem ela não são ninguém , é a base de todas as civilizações e como os povos são constituídos de pessoas….

          É desesperante hoje em dia verificar como os jovens engenheiros escrevem mal e porcamente. Lido diariamente com eles, e é uma desgraça. Nem um relatório mesmo da sua especialidade, escrevem convenientemente.

          Se o mundo árabe permanece atrasado”, não será certamente por causa da língua…

        2. Tem toda a razão. Os sul-coreanos e os egípcios que falam correctamente as sua línguas não servem para nada, ao passo que o seu filho saber imenso de matemáticas avançadas e de física estará preparado para alcançar o Nobel da Literatura quando for escritor. Como é que não me lembrei disso antes? Basicamente, ainda me preocupo com a cultura, mas tenho de mudar de paradigma…

  5. “Quer-me parecer” que estão todos mais ou menos a ignorar a “problemática da panorâmica”, esta sim, totalmente “desadequada” à “crise sistémica” aliás “incontornável” e que, como toda a gente reconhece, está “em cima da mesa”.
    O tempora o mores.
    Como é que se diz “se o ridículo matasse…” em linguagem binária ?
    Completamente de acordo na “mudança de paradigma” (se bem que já me contentasse com uma mudança de carro).

  6. Sem esquecer que, para dominar uma língua estrangeira, o domínio da língua materna é essencial. Essa é que é essa.

          1. Nada disso Leonor Presidente returco,

            (assim, à la Saramago, imitação pobre que usa tempo verbal que de certeza certezinha alguém odeia) EHEHHE

            beijinho Leonor

            :)))

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *