1. Nada mais normal do que um primeiro-ministro perder eleições autárquicas realizadas a meio do mandato governativo. Sobretudo um primeiro-ministro de um país em recessão. Esta pesada derrota do PSD — que é também uma derrota pessoal de Pedro Passos Coelho — era previsível. Mais preocupante, na perspectiva da direcção social-democrata, é o claro indício de que o partido deixou de ser um automático congregador de votos em zonas do País que sempre nele confiaram. A partir de agora, por exemplo, nunca mais o PSD poderá contar com vitórias antecipadas em antigos bastiões como Vila Real ou a Madeira. E sem isso não voltará a ser o mesmo.
Primeiro desafio: como retomar estes bastiões?
2. O PSD perde quase 600 mil votos, baixa sete pontos percentuais e deixa fugir 33 câmaras em comparação com as autárquicas de 2009. O resultado é particularmente mau junto do eleitorado urbano, contrariando outra das imagens de marca do partido — a da sua transversalidade social. Na Área Metropolitana de Lisboa, por exemplo, os sociais-democratas só conseguiram conquistar sozinhos a câmara de Mafra, o que diz muito sobre esta hecatombe eleitoral. O voto de protesto contra as medidas de austeridade — e os custos sociais delas decorrentes — está patente como nunca na dimensão citadina do novo mapa autárquico, de onde a cor laranja é eliminada em vastas áreas.
Segundo desafio: como recuperar o voto urbano para o PSD?
3. Passos Coelho tem de liderar um Executivo sólido. Para tanto é-lhe indispensável a manutenção do apoio do CDS. Mas estas autárquicas reforçaram a afirmação dos democratas-cristãos como força política ainda mais autónoma, que perde quando se aproxima dos sociais-democratas e ganha quando se liberta das tentações hegemónicas dos laranjinhas. Se antes do escrutínio o diálogo entre os dois parceiros da coligação governamental já era complicado, as dificuldades vão acentuar-se a partir de agora. O discurso de “vitória” de Paulo Portas na noite eleitoral não deixa lugar a dúvidas.
Terceiro desafio: como evitar novas tensões com o CDS no Governo?
4. Depois de década e meia em constante ebulição interna, o PSD parecia há três anos um partido pacificado. Esse clima de consenso generalizado em torno de Passos quebrou-se nestas autárquicas. Os desaires sofridos pelas distritais de Lisboa e do Porto afectam particularmente o presidente do partido, que terá de contar com sinais crescentes de insatisfação por parte de todos aqueles que nunca lhe foram afectos mas precisavam de um bom pretexto para acentuar o discurso crítico — primeiro através dos jornais, depois em discurso directo. Um nome vai destacar-se neste contexto: Rui Rio. Que, arriscando o mínimo, lucrou o máximo nas autárquicas. E, nada tendo a perder, tudo tem a ganhar a nível nacional.
Quarto desafio: como apaziguar o descontentamento interno?
5. Em última análise, tudo se reconduzirá à economia. Os ténues indícios de recuperação terão de ganhar solidez e tornar-se muito mais evidentes como condição indispensável para futuras vitórias eleitorais do PSD. Caso isso não se verifique, o partido estará condenado a remeter-se ao maior período de oposição da sua história. Por outras palavras: Passos Coelho, mais do que qualquer outro primeiro-ministro antes dele, é escravo das estatísticas macro-económicas. A margem de sucesso é muito estreita, desde logo porque Portugal não depende só de si nesta matéria. Mas nada de ilusões: nenhuma acção política obterá êxito enquanto a economia não recuperar.
Quinto desafio: como transformar a economia em trunfo político?


Passos Coelho deve assumir a responsabilidasde do desastre eleitoral de domingo. Ha três cidades onde o PSD não podia perder as eleições, e onde as poderia ter ganho com uma certa facilidade: Porto, Sintra e Gaia. E perdeu em todas porque a direcção do partido não soube evitar as quezilias que levaram às listas autónomas. Lisboa estava perdida porque a “Lesboa” dos media e do comentário politico já tinha decidido quem ganhava.
Outra desagradavel surpresa foi a Madeira onde a inevitavel debacle do Jardinismo tinha de acontecer mais cedo ou mais tarde, porque nenhum poder é eterno.
Depois de dois anos a pedir sacrificios aos portugueses, dificilmente o PSD se salvaria da derrota mais ou menos pesada, e a esperteza saloia “que se lixem as eleições”, também deve ter ajudado à derrota mais pesada.
Era sabida que Rui Rio haveria de fazer tudo para evitar a eleição do velho rival Luis Menezes, mas deve ter comprometido as hipoteses de vir a ser lider do PSD, embora escape às sanções e à sorte de António Capucho que é a expulsão do partido.
Como é que o PSD pode voltar a ser o partido mais votado nas autarquias? vão perguntar ao Ricardo Rio que demorou oito anos a demolir outro poder de mais de trinta anos, o de Mesquita Machado em Braga. Fez um trabalho de formiga, andou de porta em porta a explicar aos bracarenses porque é que ele devia ser o presidente da camara de Braga, até os convencer a aceitar as suas propostas. Num concelho como Braga, não é nada facil fazer o que ele fez, mas pelos vistos deu resultado, e como se diz na minha terra: “quem porfia, mata caça!”
Quanto a resto a unica salvação do PSD em futuras eleições é a recuperação económica, mas isso não depende apenas do governo, que não pode continuar a comprar guerras por tudo e por nada, já lhe deviam bastar as que tem com o cumprimento do memorando. Tudo depende também das decisões do Tribunal Constitucional, e do cumprimento das metas. E, para usar um cliché,da “conjuntura internacional”, nomeadamenta na zona euro.
Olhando para o que os portugueses passaram nos dois ultimos anos, seria uma pena morrermos na praia, mas não estamos livres disso.
Também podem ser trunfos para Passos Coelho, por um lado a vacuidade das propostas do Seguro, que são uma especie de boletim do Euromilhões, e por outro, o facto de a diferença de votos expressos nas urnas, entre o PS e a coligação ser inferior a cem mil, ou seja a 2%. Estou convencido de que o PS atingiu o maior score que lhe é possivel nestas eleições.
Quanto à sua última previsão, caro Alexandre, julgo que não: nas europeias de Maio, o PS terá um resultado ainda melhor, segundo prevejo. É o escrutínio ideal para um voto de protesto.
Concordo no entanto consigo nisto, que passo a transcrever: “A única salvação do PSD em futuras eleições é a recuperação económica, mas isso não depende apenas do governo, que não pode continuar a comprar guerras por tudo e por nada, já lhe deviam bastar as que tem com o cumprimento do memorando.”
E estou de acordo igualmente quando aponta o exemplo de Ricardo Rio, que não baixou os braços: obtém a vitória, finalmente, após duas derrotas nas anteriores autárquicas.
Um perfeito contraste com certos pára-quedistas, que julgam ser possível um triunfo quase sem campanha e quase sem trabalho junto dos eleitores. Como se as vitórias caíssem do céu.
O primeiro desafio é espúrio. É prova de imaturidade democrática que haja locais onde as pessoas votam, de forma quase automática, num partido, faça esse partido o que fizer. O PSD não pode esperar nem desejar que certas regiões do país regressem a tal condição.
Pois!
Mas importante mesmo é o único desafio de uma enorme maioria dos portugueses, essa sim, de uma ‘transversalidade social’ a toda a prova, e que é; COMO CORRER O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL COM ESTA CAMBADA DE INCOMPETENTES QUE NOS DESGRAÇA.
É que já estamos em ponto Tiririca, pior que isto não fica!
1.- Para botar rotunda ou piscina é indiferente ser-se socialista, social-cálquer-coisa, comunista, ou demo-cristão (é o menú actual).
2. Os aparelhados do PS ou do PSD (dezenas de militantes que vivem da política local há mais de dez anos) que se cuidem, pois não há dinheiro, não há palhaços. A tropa fandanga que chega a general da polis e da república vem na sua maioria do “autárquico”, após anos de semeadura, distribuindo chupetas, “actividades”, coisinhas…
3. Mas mais, se outrora existia verticalidade centralizada do aparelho partidário, o Conselho Nacional ou o Comité decidia quem era candidato, o certo é que desde o início deste milénio que se vive da “localidade” como antecâmara do poder central, sendo necessária uma teia de simpatias, amiguismos e interessados, e daí a qualidade manifesta do que temos ao nível de AR, Governo ou Direções Gerais (o psd foi precursor no fim do cavaquismo). Isso acabou. E acabou com a falência do país.
4. Seja Rui Rio, seja António Costa estão à margem destas alusões. São maiores que os partidos a que pertencem.
5. Alguém quis saber nestas eleições quanto devem as câmaras municipais? Alguém quis saber como se gasta dinheiro numa câmara municipal? Alguém no debate local se importou com o que se fez e como se fez? Mas ouviu como tema de debate, o desemprego e pata-ti e pata-li, e fazer umas tretas para-ti pata li;e mais transportes e pata ti pata li… agora, acordar, benvindos ao real que nunca mudou, …mas agora sem dinheiro.
6. Para quando uma reforma séria do Poder Local? Com extinções de câmaras e de concelhos e não fusões? Nada. Bastariam as capitais de distrito, mantendo-se as quatro mil e tal freguesias (essas sim verdadeiras colunas do Poder, da Proximidade e da Alteridade)…
7. O Primeiro Ministro tem de se preocupar com o drama dos próximos meses e mandar calar os sargentosinhos da oportunidade (mesmo Rio ou Rangel…apesar de terem vida própria e serem maiores que o próprio partido), e ordenar a “aparelhados” para irem às Selvagens verem a fauna (caso de Moreira da Silva, Marco António). Paulo Portas tem trabalho de casa que não apresentou, e coloca no exterior a impressão de ser o tal que pode pular fora para mal dos pecados lusos (já ameaçou, já fez…certo?). António J. Seguro vive como se a Europa nadasse em dinheiro e tivesse pachorra para ad infinito nos emprestar dinheiro. O PC está vivo e é coerente, mas segue um mundo que acabou há muito. Só resta a … troika. Fazer o que não sabemos fazer há mais de 20 anos. É triste, mas confiança, isto é saber , perante a complexidade do tempo, prevêr o futuro, …só a troika.Venha quem vier.
Concordo em especial com o ponto 5 – houve pouca/zero informação sobre a sanidade financeira das autarquias… porque não agradava a ninguém:
– PS, PSD, e também o PCP, levaram câmaras a grandes défices.
Portanto, houve uma pausa na austeridade para as promessas do antigamente, menos exuberantes, mas sempre presentes.
Discordo em especial com o ponto 6 – os concelhos são uma herança da nacionalidade. Esfrangalhar em freguesias impotentes, seria mais um bónus para o centralismo da corrupção.
Muito se gosta de falar em aproximar os representantes da AR dos eleitores, mas essa representação deveria sair justamente dos concelhos, contra o centralismo partidário.
Os partidos nacionais deveriam estar proibidos de concorrer às autarquias – esse é o primeiro erro do sistema que temos.
Em segundo lugar, os deputados da AR deveriam ser justamente os presidentes de câmara, tal como havia lugar dos concelhos nas Cortes. O que temos é um governo que sai da mesma eleição, e por isso não há qualquer separação de poderes entre o legislativo e o executivo. Essa seria a Câmara de Representantes locais.
A eleição do poder executivo, do governo, essa seria feita em lista única nacional, para um Senado executivo, com muito menos lugares. Se a lista fosse nacional até o MRPP tinha um lugar entre 100…
O regime foi feito para uma ditadura partidária, sem qualquer controlo externo sobre os partidos, que se dedicaram a controlar também o sistema judicial.
confesso que também gosto de reflexões contemplativas, mas as deste poste são bem pouco interessantes.
por exemplo, esta do presidente do psd ter alguma influência na madeira (aqui e agora) não me tinha passado pela cabeça…
e quanto ao resto, é bem bem mais interessante blablabear àcerca do moita e do isaltino, ou seja do padrinho-presidiário que, através do voto (e da simpatia) popular, derrotou o pj justiceiro (será que o moita vai aproveitar a lição para escrever um argumento para uma série televisiva, com o paulo rangel a fazer o papel de isaltino?) e da derrota completa dos candidatos quéxandequerri (que soa a uma espécie de apelido basco) do makro antónio costa.
e depois há aqueles sacríficios pessoais, desconhecidos do grande público, como é o caso do do rui moreira, que terá abdicado de uma grande carreira cinematográfica: ouvi dizer que ele tinha sido convidado para dar seguimento ao personagem dos dentes de aço que surgia recorrentemente nos filmes do 007.
isto sim, justifica a nossa reflexão.
Acho que foi isto que estiveram a discutir ontem até ás 4 da matina.
É extraordinário o afastamento da realidade que os alinhados com este PSD, repito, este PSD, ostentam ainda por cima com uma assustadora sobranceria intelectual.
Esta malta está numa de masturbação e nada, nem mesmo o que os portugueses expressaram este domingo, os fará acordar para a realidade.
Pois eles que continuem a blablabar cheios de pins na lapela… e que gozem muito com a masturbação.
O estranho a estranhar até estrebuchar … é o partido que nos levou à desgraça em que vivemos, ter ganho as eleições!!!! Só um Povo masoquista chega a tanto!
… ” Solta-se o ladrão… prende-se o policia!
A vitória de Rui Moreira (Porto) como independente, é a minha esperança: –
Que a Loja a feche para balanço…e mude de gerência!
O PSD Manchete-BPN, da Maria swamp das swaps, do Marco do Metro, o dos next-rodriguinhos de Cascais?
Com tanto bicho, até na montra da Loja das maçãs só vemos podres.
Os policias são todos os que nomeia… mais os que omite: Socrates,Pinhos & Comp. Ilimitada..Que esperar dum país que venera.. festeja… a “vitória” dum ex-autarca preso por corrupção?
Volta SALAZAR… estás perdoado ( por mim)!!!!!
Pois, mas esses – Sócas da Cova da Beira Freeport, o Coelhone da Mota, os Pinholino Mendonça-TGV, etc… eram os supostos “ladrões” a quem ladraram muito estes supostos “polícias”.
Essa montra da Loja pelos vistos está a ser coberta pelo “Seguro”…
A solução de Salazar foi proteger o Estado que controlava, deixando rédea solta a toda a exploração de trabalho privada. As benesses que hoje vemos no Estado vêm na maior parte dos casos dessa altura, por contraponto à desprotecção do trabalho privado. Os comunistas não alteraram isso, porque pensaram herdar esse “Estado de coisas” e acabar com o privado…
A velha senhora também fechou os olhos a muita escandaleira e roubo privado, para se conseguir manter no poleiro… a grande diferença é que nunca enfraqueceu o Estado, nem internamente, nem externamente. O escudo era uma moeda de referência internacional, comparada com peseta ou outras.
Aliás se houve algum período na História em que Portugal manteve a Espanha sob controlo quase total, foi com o domínio de Salazar sobre Franco.
No entanto, esse grande mérito de política externa foi depois pago na pele por uma guerra colonial, por visão estreita anti-autonomias, e teve como contra balanço um política interna miserável e campónia – é bom não esquecer disso. Eu era puto, mas lembro-me da miséria que se vivia nos campos… para esse regresso – não, nem obrigado!
“Quinto desafio: como transformar a economia em trunfo político?”
Essa é de fazer rir até às lágrimas! Valha-me Deus…
Fácil… é dar a Luis Filipe Menezes a pasta das finanças (e se por acaso os pins da lapela estiverem momentaneamente out of order, peçam emprestado ao Dr Relvas)
