Rescaldo (1ª parte)


Sérgio de Almeida Correia,

Vencedores:

 

1. Partido Socialista: Recuperou do desastre das eleições europeias, reconquistando um milhão dos votos que lhe haviam fugido e mostrando que com unidade, bom senso e algum esforço é possível remediar os erros dos seus dirigentes e apresentar aos portugueses propostas aceitáveis de governação. Tem agora um longo caminho a percorrer. Neste momento a sua principal missão é formar um governo credível e sólido e apresentar um programa que não comprometa as escolhas dos eleitores. Governando bem recuperará facilmente os eleitores que agora lhe fugiram para o Bloco de Esquerda e para o CDS. Se nas próximas eleições parte destes 500 mil votos regressar, então será sinal de que esteve bem.

 

2. Paulo Portas e o CDS/PP: Fizeram com poucos meios uma campanha de grande nível. Concentraram a mensagem, apostaram num discurso directo e sem subterfúgios, ainda que com os habituais laivos populistas. Ainda assim, levaram a carta ao destino, ultrapassando os dois dígitos e humilhando as sondagens. Resta saber o que irão fazer com os dois dígitos e se o seu grupo parlamentar estará à altura do resultado obtido ou se vai continuar a ser o eco do líder.

 

3. Bloco de Esquerda: Apesar dos múltiplos deslizes de Louçã e da vacuidade do discurso, o Bloco de Esquerda voltou a crescer. Resta saber até onde irá e se quererá usar a sua influência para benefício do país ou apenas para a galvanização dos protestos sociais.

 

4.  Oposição interna do PSD: Nos outros partidos na hora da vitória todos se apressam a reclamar os louros respectivos, a sua quota-parte no resultado. No PSD, estranhamente, é na hora da derrota que todas as suas facções aparecem a reclamar méritos nos maus resultados e a pedirem a decapitação dos chefes. Quando as figuras nacionais do partido aparecem nas televisões a mostrar a sua preocupação pelos resultados, estão subtilmente a dizer aos descontentes do partido que o mau resultado também se deveu a eles e que chegou a hora de substituir quem lá está. No PSD a vingança serve-se a quente e de preferência ainda com as urnas a fumegar. De nada lhe servirá esta vitória se não conseguir dar um rumo ao partido.  

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