Sócrates, refeito por umas férias em hotel de cinco estrelas, perna laroca, leituras elevadas, duche Vichy com exfoliação e óleos aromáticos, comove-se com as novas vítimas do estado social: Alegre fez-se triste, Cavaco está no papo, Portas, como sempre, pôs-se a jeito, Louçã, sossegadinho, medita no engulho das presidenciais.
Em Massamá, Passos Coelho contempla o remoinho de papéis que se formou nos contentores da reciclagem. Um raio de sol desponta entre dois prédios e ilumina o parque de estacionamento. Quatro gordas saboreiam babás na esplanada da Mizete. Um rafeiro faz cocó à entrada do Minipreço. Ainda há beleza no mundo, mas o líder do PSD não dá por ela: é um homem oprimido, aflito, angustiado.
A revisão constitucional não lhe correu tão bem como dissera o Ângelo. Algumas ideias promissoras, como a de privatizar a CGD, claudicaram perante a misteriosa resistência dos rapazes. As sondagens desencorajam-no. O Senhor Presidente da República marcou a audiência que tanto lhe pedira para depois do dia 9 — o que fazer agora?
O que resta, quando já não tem estratégia, a um homem sem convicções?
(Continua).
