Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Esta corrosão do consenso social e do consenso político é decerto o mais importante argumento para uma inflexão de rumo quanto à Taxa Social Única. Creio que o Governo, depois de encetado um processo de diálogo social e de diálogo com as instâncias internacionais, devia prescindir da dita medida. Dizendo, alto e bom som, que continua a considerá-la o instrumento mais eficaz para combinar a austeridade com a promoção de emprego e de crescimento. Mas aceitando, sem complexos, que os danos que infligiria no grau de consenso político e social se revelaram de tal calibre que acabaria por ser contraproducente. Para tanto, teria de envolver os parceiros sociais e políticos na reformatação das medidas de austeridade e de apresentar soluções fomentadoras do emprego que possam, junto da troika, tomar o seu lugar. (…) Mostrará que o PSD põe o essencial à frente do acessório, estando à altura das expectativas que gerou nos portugueses e não desbaratando o esforço que tão abnegadamente continuamos a fazer»

Paulo Rangel, no Público

5 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Dizem os peritos que esta “Troika medida”, à base da TSU , nunca foi experimentada.
    Numa disciplina tão indisciplinada como é a economia ouvir tantas certezas contra, é muito curioso.
    Mas facto indiscutível é que a Troika SÓ assina memorandos com com o PM. A Troika:
    Não assina memorandos com a Comunicação Social.
    Não assina memorandos com Centrais Sindicais.
    Não assina memorandos com CIPs.
    Não assina memorandos com Partidos.
    Não assina memorandos com o Tribunal Constitucional.
    Não assina memorandos com o Presidente da República.
    Nem assina memorandos com 9.999.999 manifestantes
    na rua.
    Todos estes actores podem auto intitular-se detentores de uma voz (!?) em relação à Troika.
    Mas, facto indiscutível, a Troika SÓ assina memorandos com com o Primeiro Ministro. É este o sistema em vigor.

  2. Não me leve a mal Pedro, mas colocaria mais este texto como uma “frase”; reflexões com esta origem/história não tem para mim subst
    Ância para refletir.

    Candidata a “frase” igualmente esta “We’re deliver.” by Paulo Portas.

    Abraço

  3. “teria de envolver os parceiros sociais e políticos na reformatação das medidas de austeridade e de apresentar soluções fomentadoras do emprego”

    Infelizmente, isto é lirismo puro. Os parceiros sociais não querem ficar ligados a medidas que, com ou sem TSU, serão sempre duras (que ninguém pense que os trabalhadores do sector público recuperarão os dois subsídios e que os do privado não perderão qualquer deles). Por outro lado, não há soluções fomentadoras do emprego que não passem por aumentar a competitividade externa. Ou melhor, haver já: mas apenas servem para recomeçar a aumentar o défice externo.

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