E as alternativas?


escafandro,

Pode parecer que estou a fazer publicidade ao senhor mas, que me lembre, antes do dia de hoje nunca o tinha mencionado no blogue.

(Através do Blasfémias.)

29 comentários em “E as alternativas?”

      1. Então o problema deve ser meu. Confesso que depois de o ouvir responder que “a Economia não é uma ciência exacta, ao contrário das outras ciências”, à pergunta “como explica a unanimidade contra as medidas”, e ainda que gastámos “à tripa forra” e considerações do género, perdi o interesse. Para ouvir isto basta-me apanhar um táxi, e há taxistas que conseguem ser mais eloquentes…

  1. Camilo Lourenço, Blasfémias, Helena Matos … o Delito de Opinião resolveu voltar à idade da pedra?

    Também gostava de saber se o Camilo é pago. Se for a RTP pode fazer o que ele pede e despedi-lo. É uma autêntica gordura.

      1. Alternativas para o conteúdo? Essa agora! Quando vai ao médico também discute com ele se deve tomar o medicamento x ou y? Isso não significa que não deva dizer-lhe que o medicamento que está a tomar não está a fazer efeito, ou que não tenha ideia que não se tratam infecções com anti-inflamatórios.
        Que não temos Economia para tanto Estado, toda a gente sabe. Que temos de sair desta situação, idem. Mas temos o direito de questionar escolhas que nos querem impor, sem que alguém nos consiga explicar como se espera que resultem. Não lhe parece?

        1. Questionar, sempre. Mas, se aceitamos que temos de reduzir o Estado e este é essencialmente composto por salários e pensões, porque é que recusamos medidas nessa área? É que mesmo os famosos institutos, fundações, empresas públicas, etc. onde muita gente parece aceitar cortes são compostos por pessoas. Atabalhoadamente, o governo anda a tentar substituir despedimentos no sector público por redução de salários (provavelmente por considerar que é menos duro, e por não desejar contribuir para aumentar a taxa de desemprego, e por medo das reacções – veja-se que sucedeu com a não colocação de uns milhares de professores). Não queremos. OK. Mas e então? Mais TSU , menos TSU , nem outros médicos apresentam receitas substancialmente diferentes; limitam-se a criticar e a remeter-se ao silêncio. É provável que a questão da TSU seja abandonada e que se corte “apenas” um salário a todos os trabalhadores. Ficaremos satisfeitos? Mesmo que – e lá está, a economia não é uma ciência exacta -o consumo também caia alguma coisa, o desemprego aumente mais uns pontos, o crescimento das exportações diminua (creio que neste ponto ninguém nega a utilidade da redução da TSU ) e os objectivos do défice acabem por não ser atingidos? Sim, não se deve tomar o medicamento errado – mas às vezes é preciso tomar medicamentos com efeitos secundários fortes e mais vale fazê-lo sem adiamentos.

          1. Bem me parecia que, nos últimos tempos, tudo se coloca em termos de “não morremos do mal, morremos da cura”, mas é sempre bom o conforto de uma opinião que transforma as nossas dúvidas em certezas 🙂

  2. as vezes ouço-o na m80 e dó diz disparates, como por exemplo (há uns 2 meses) que não há direitos adquiridos. Ou seja, o direito à vida ou à liberdade não são garantidos para este senhor. se o disparate pagasse imposto, o camilo dos fretes estaria pobre e o país rico, sem necessidade da ajuda da troika, que ele tanto admira. este é daqueles que vive na lua…

          1. “camilo, como é que explicas…?”
            “ó carla, a economia…”

            atão adonde é que o publicozinho em geral e os “ó carla, a economia..”, em particular, têm acesso aos estudos do gasparinho, que dizem que as medidas dele é que são boas?
            sem isso, podemos dizer tudo e o seu contrário, “ó carla, a economia…”, perdão, “ó jaa”.

          2. Jaa,

            Ouvi a entrevista até ao fim.

            Fiquei a pensar num ponto: quando ela pergunta se negociar as rendas das PPP seria suficiente para reduzir a despesa, o CL, diz que não…Ok, pode não ser suficiente uma vez que o maior indice de despesas é com salários e Pensões Sociais, no entanto, já contribuia para que os trabalhadores e desempregados não fossem tão afetados. Se o estado está falido e isso o legitima (?) para aumentar impostos e retirar regalias a quem trabalha, também está falido para não pagar as rendas das PPP’s, ou não? Só estou a tentar perceber a lógica dos argumentos dos dois lados.

          3. Paula:

            Estou perfeitamente de acordo que se corte nas PPP. Só que há vários problemas:
            1. O problema legal e as indemnizações que o Estado se arrisca a pagar se não conseguir o acordo com os concessionários (um exemplo: por cancelar o TGV – e é bom relembrar que, na legislatura anterior, PS, BE e CDU chumbaram no Parlamento um projecto para impedir o avanço da concessão – o Estado arrisca-se a pagar uma indemnização de 170 milhões de euros ao consórcio vencedor).
            2. As negociações são processos lentos, para mais quando uma das partes está satisfeita com a situação e escudada em contratos com cláusulas de salvaguarda muito bem pensadas (que deveriam ter levado o Estado a não os assinar – o que me faz estar de acordo com a Teresa Ribeiro*: onde é que anda a responsabilidade criminal desta gente?).
            3. A maioria dos encargos com as PPP têm de ser pagos porque correspondem aos custos de financiamento e construção das obras – e, estejamos agora arrependidos ou não, elas foram construídas.
            Em suma, eu também gostaria que fosse possível cortar imenso nas PPP, e insisto que o governo o faça**, mas julgo que a maioria das pessoas está a aproveitar todas as desculpas a que consegue deitar mão para evitar encarar a realidade: há um ajustamento a fazer (como houve sempre noutros países em situação similar; fala-se muito da Islândia mas os islandeses passaram três anos terríveis em 2009, 2010 e 2011) e, com ou sem TSU, dentro ou fora do euro, de forma “equalitária” ou mais centrada no sector público, vai ter de passar pelo rendimento disponível dos portugueses. A menos, claro, que consigamos convencer os cidadãos do norte da Europa a oferecer-nos anualmente dez mil milhões de euros.

            * http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4783140.html
            ** http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4289326.html

          4. Desculpe estar sempre a meter-me na conversa, mas este seu último comentário levou a conversa para um terreno que é mais o meu: o legal. Essa história da “blindagem” dos contratos, para mim, devia ser bem explicada, porque há institutos no Direito que nos defendem das cláusulas leoninas, e os tribunais não costumam ser “meigos” quando estes problemas se colocam nos contratos entre particulares. Por outro lado, e por causa desses (aparentes) obstáculos à redução da dívida pública, o Governo parece não ser minimamente sensível a direitos fundamentais dos cidadãos, garantidos pela Constituição. Há aqui uma contradição que, a meu ver, não fica nada bem ao Governo…

          5. Pois está longe de ser o meu terreno. Todavia, como escrevi acima, há apenas uma parte em que se pode cortar (as obras foram construídas) e creio – mas posso estar a ser ingénuo – que o governo preferiria evitar ser colocado em tribunal. De qualquer modo, acho muito bem que se pressione o governo a fazer esses cortes e a disponibilizar os contratos para que outras pessoas os possam analisar.

            Quanto à Constituição, nas circunstâncias actuais é pura e simplesmente impossível cumpri-la – e, desde há muito, difícil levá-la a sério; os próprios juízes do TC o confirmaram, ao apresentarem uma decisão (sobre os subsídios) que dava uma no cravo e outra na ferradura. A Constituição ajudou a trazer-nos à situação actual e ajuda a que nos mantenhamos nela durante mais tempo do que seria estritamente necessário. Um exemplo, da sua área: impõe-nos um sistema de Justiça que não resulta bem em país algum, impedindo verdadeiras reformas (a este respeito, permito-me aconselhar-lhe o livrinho “O Governo da Justiça”, de Nuno Garoupa, pertencente à colecção da Fundação Francisco Manuel dos Santos).

          6. Se não é possível cumprir a Constituição, então que se altere, mas enquanto vigorar, tem de ser cumprida. É um princípio elementar para um Estado, que se quer respeitável e respeitado.

            Quanto ao livro do Prof. Garoupa, agradeço a sugestão, mas já tenho, e também recomendo. Tem algumas ideias interessantes e uma abordagem original. É, sem dúvida, uma boa base para debate. No que respeita a esta parte do seu comentário só discordo dessa ideia de que nos é imposto um sistema de Justiça. Feliz seria eu, se fosse assim tão simples. Por exemplo, sabe quantos códigos de processo civil (ainda) se encontram em vigor? Pois… 🙂

          7. Jaa, agradeço a troca de idéias!
            O Jaa e o CL são mais esclarecedores que o governo.

            O país está ou não está falido? Então nada de rendas obscuras às concessárias das PPP’s, às fundações e afins.

            Os trabalhadores em geral e os reformados também têm contratos ou os contratos dos primeiros são mais válidos que os dos outros?

            É esta sensação desconfortável que os politicos não estão a defender os interesses da maioria mas de um grupinho de lobbies, que faz com os portugueses se sintam desconfiados da boa fé das medidas de austeridade que teimam a vir a conta-gotas.

            Jaa, viu o último programa do olhos nos olhos na tvi24 sobre a corrupção? Se é verdade o que foi dito, é sinistro. Este país além de despesista é governado por corruptos. A classe politica está muito descredibilizada.

            Foi um prazer trocar estes posts consigo e agradeço todo a informação prestada:-)

          8. Não vi. Mas acredito. Só que não são apenas os políticos. Há séculos que as relações dos portugueses entre si são dominadas pelo favorzinho, pela cunha, pela ‘amizade’. Obviamente, tendem a chegar a lugares de topo aqueles que mais favores têm a pagar. Por outro lado, quanto maior é o Estado e mais presente está, mais a corrupção tem razão de ser.

            Um post de 2010 relacionado com o assunto:
            http://escafandro.blogs.sapo.pt/224525.html

            E já agora, para quem achar que sou fã incondicional de Passos Coelho:
            http://escafandro.blogs.sapo.pt/105634.html
            http://escafandro.blogs.sapo.pt/162837.html

            E para mim também é sempre um prazer trocar ideias.

          9. “Por outro lado, quanto maior é o Estado e mais presente está, mais a corrupção tem razão de ser.”

            Isto, com é bom de ver por muitos exemplos nesse mundo fora, não é necessariamente verdade. Diria que uma causa mais importante é o poder ficar estacionado demasiado tempo sobre os mesmos, como lembrava o Eça de Queiroz com a comparação com as fraldas.

          10. Os países onde um Estado grande funciona bem tiveram o cuidado de assegurar duas coisas:
            – Fazê-lo crescer sustentado numa economia saudável (e diminui-lo nos momentos de crise); nós atrofiámos a economia para o fazer crescer;
            – Garantir mecanismos de controlo e regulação eficazes (o nosso sistema de Justiça não funciona, o Tribunal de Contas é para inglês ver, etc, etc).
            E depois há a questão do civismo (pagar os impostos, não procurar favorzinhos, …) que tornam completamente diferente a lógica de funcionamento de um Estado grande na Finlândia ou num país latino. Mas asseguremos uma economia dinâmica e meios de controlo eficazes e, se assim for desejado, o Estado poderá voltar a crescer paulatinamente. Na situação actual, tem que decrescer e, com a mentalidade e regras actuais, mais vale que permaneça pequeno.

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