«O que morre com José Hermano Saraiva não é apenas uma parte importante da história da nossa televisão. Nem apenas o homem a quem devemos essas verdadeiras lanças em África que constituíam O Tempo e a Alma, A Alma e a Gente ou Horizontes da Memória, mensageiros de uma época em que a aprendizagem era um fim em si própria. Nem (muito menos) apenas uma maneira bastante particular – particularmente romântica, talvez – de ver a História de Portugal. Tudo isso morre com José Hermano Saraiva. Mas, sobretudo, morre com ele uma maneira especialmente generosa de comunicar, vinda ainda de um tempo em que já havia aquilo a que os anglo-saxónicos chamam public intelectuals, mas em que esses “intelectuais públicos” (digamos assim) eram mesmo públicos, propriedade do público, ou, mais provavelmente ainda, propriedade de ninguém.»
Joel Neto, no Diário de Notícias

Excelente texto. Concordo inteiramente. Já sinto saudades daquele estilo de fazer televisão. Por muitas críticas que o mesmo suscite.
Digo o mesmo, Luís. O Joel Neto acerta em cheio, como aliás é hábito no que escreve.
Partilho da vossa opinião!
Bem me parecia, Helena, bem me parecia…
Um “resumo” de sensibilidade e lucidez.
Honra o desaparecido – e honra quem o escreve.
Acho o mesmo. Daí ter trazido esta reflexão, com a devida vénia ao autor.
Um excelente parágrafo.
Ora ao menos nisto estamos de acordo.
Era fascistoide, isso era, mas isso que importância tem, que importância teve? E tal…
Pound era fascista, Heidegger foi nazi, Picasso e Neruda não esconderam a devoção por Estaline. E um imenso etc. Grandes artistas foram alcoólicos, drogados, avarentos, invejosos, péssimos pais, péssimos filhos. Alguns foram até pedófilos. É demasiado fácil colar rótulos às pessoas. Há que saber separar o homem da sua obra.
Bem verdade, Pedro.
Não conheço (confesso) muito da vida de José Hermano Saraiva, mas de qualquer forma partilho da opinião que se deve saber separar o grande génio da sua obra, até porque como já foi enumerado, e como é do conhecimento “popular”, parecendo que não, mas nunca estas grandes personalidades foram propriamente homens cheios de virtudes…
Sempre pensei assim. Nenhuma biografia decorre sem sombras. O chamado homem perfeito apenas existiria em sociedades totalitárias, onde a vida tal como a entendemos seria algo insuportável.
A obra de um ministro fascista é o Portugal fascista.
Que ele continuasse a promover o salazarismo durante o resto da vida, percebo, mas não respeito. Que você respeite a atitude dele, não percebo. Mas lamento.
O seu comentário faz-me lembrar os lamentos daqueles que, nos dias imediatos à morte do José Saramago, só conseguiam falar no caso do despedimento dos vinte e tal jornalistas do DN no Verão quente de 1975. Almas gémeas.
O seu comentário é o que se chama em futebolês: atirar para fora.
Não, meu caro. Esse não é de todo o meu estilo. Apenas tento sempre ver os dois (ou mais) lados de cada questão. Reagi ao seu comentário sobre JHS como já tenho reagido, noutras alturas, a comentários muito dogmáticos e muito inflamados contra Saramago, por exemplo. Um homem nunca é unidimensional. Felizmente.
Uma vénia, Pedro. E aos restantes. 🙂 JN
Um abraço amigo, Joel. Saudações leoninas.