Ouço a pergunta: «Então, Sr. Tó, como vai a vida?» e a resposta: «Ah, lá vai indo.»
E penso: tal como existe invariavelmente um ponto de redenção nas nossas desgraças (podia ter sido pior), há sempre uma pitada de fatalismo no nosso bem-estar. Ainda que a resposta, tão portuguesa, pretenda dar a entender que tudo está bem ou pelo menos normal, ver a vida «ir», em especial quando o Sr. Tó é um idoso que parece já mal conseguir mexer-se, constitui uma formulação incrivelmente dura – porque incrivelmente exacta.

Essa faz-me pensar na minha típica resposta à pergunta: “Então, que tal tens andado?” –Ehh.. andando; que remédio.
Uma singular mistura de transcendentalismo com fatalismo; ou assim gosto de pensar.
CeC: a sua resposta não revela lá muito optimismo; mas talvez ele esteja no facto de gostar de atribuir significados mais ou menos esotéricos ao que diz… 🙂
(Eu faço o mesmo.)