Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Uma das razões da pobreza atávica de Portugal é o empaturramento de discursos morais sobre as actividades alheias: se as horas que perdemos a fiscalizar e criticar os actos e gestos de A, B ou C fossem gastas a fazer alguma coisa de útil pelo País, a vida portuguesa teria outro dinamismo ou, como se diz agora, ‘competitividade’.»

Inês Pedrosa, no Sol

2 comentários em “Reflexão do dia”

  1. A Inês Pedrosa tem toda a razão.
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    Ainda bem que é uma mulher a dizer o que disse.
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    É habitual no pensamento feminino pensar que “ele” tinha intenção dizer “verde” mas disse “azul”…interessando pois o “verde”.
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    Há um cultivo do jogo das intenções não reveladas, um cultivo do julgar antes do conhecer.
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    Quando é mais fácil ser-se ignorante, …inicia-se e termina-se a conversa num multiplicidade de julgamentos que dão na moralidade, essa coisa que aprendemos mas não discorremos.
    É fácil “achar”, dificil dizer. E no “achar” interessa “quem” fala, e não propriamente “o” que diz. Assim, não há argumentação, o jogo são do discurso porque não se conhece…julga-se.

  2. Os “gestos”, as “intencionalidades” não reveladas, enfim uma teia de nada para…nada. Conversa, em vez de argumento, conversa em vez de inquirição.
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    O sujeito A diz “amarelo”, o sujeito “B” diz “A desejou dizer “verde”, e a partir disto desenrola-se um “comentário”, misturando-se metade de “factos” ou “dados” com comentários.
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    Fala-se mas não se diz.
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    Um professor ensina. Um carpinteiro trabalha na madeira e faz coisas. Que me importa se o professor ou o carpinteiro é “simpático”, “vistoso”, “rude” ou “competente”? O que importa é que aqueles…ensinam ou fazem coisas de madeira e é nessas coisas e nos alunos que se deve argumentar…

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