Reflexão do dia


Pedro Correia,

«O blogger António Peixoto, que assinava como “Miguel Abrantes” (não sei porquê: “António Peixoto” já parece um pseudónimo), recebia 3550 euros para bajular o primeiro-ministro e mostrar os caninos aos seus críticos. Se a notícia é verdadeira, só me resta suspirar de alívio: uma coisa é elogiar Sócrates com convicção; outra, mais razoável, é receber algum dinheiro por esse trabalho sujo. A mais velha profissão do mundo não tem que ser a mais velha profissão imunda.»

João Pereira Coutinho, no Correio da Manhã

4 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Porque é que o trabalho é “sujo”?
    O blogue Câmara Corporativa (que eu costumava ler) não bajulava o primeiro-ministro nem ameaçava os seus críticos. Apenas louvava o PS e as suas medidas. Muitos outros blogues fazem o mesmo para outros partidos.

  2. COMO SEMPRE

    O DINHEIRO
    O dinheiro é tão bonito,
    Tão bonito, o maganão!
    Tem tanta graça, o maldito,
    Tem tanto chiste, o ladrão!
    O falar, fala de um modo…
    Todo ele, aquele todo…
    E elas acham-no tão guapo!
    Velhinha ou moça que veja,
    Por mais esquiva que seja,
    Tlim!
    Papo.

    E a cegueira da justiça
    Como ele a tira num ai!
    Sem lhe tocar com a pinça;
    E só dizer-lhe: «Aí vai…»
    Operação melindrosa,
    Que não é lá qualquer coisa;
    Catarata, tome conta!
    Pois não faz mais do que isto,
    Diz-me um juiz que o tem visto:
    Tlim!
    Pronta.

    Nessas espécies de exames
    Que a gente faz em rapaz,
    São milagres aos enxames
    O que aquele demo faz!
    Sem saber nem patavina
    De gramática latina,
    Quer-se um rapaz dali fora?
    Vai ele com tais falinhas,
    Tais gaifonas, tais coisinhas…
    Tlim!
    Ora…

    Aquela fisionomia
    É lábia que o demo tem!
    Mas numa secretaria
    Aí é que é vê-lo bem!
    Quando ele de grande gala,
    Entra o ministro na sala,
    Aproveita a ocasião:
    «Conhece este amigo antigo?»
    — Oh, meu tão antigo amigo!
    (Tlim!)
    Pois não!

    João de Deus, in ‘Campo de Flores’

    MILLÔR FERNANDES
    “O dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra facilmente qualquer um.”
    “Depois de bem ajustado o preço, a gente deve sempre trabalhar por amor à arte”.
    “Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo.”
    “O dinheiro não dá felicidade. Mas paga tudo o que ela gasta.”
    “O que o dinheiro faz por nós não é nada em comparação com o que a gente faz por ele.”
    “O dinheiro não traz a felicidade. Manda buscar.”
    “O dinheiro não só fala, como faz muita gente calar a boca.”

    OU ABRI-LA, como é o caso do post.

  3. Luís Lavoura tem razão.
    Conquanto ninguém vá para o paraíso pelos pecados alheios.

    Porém, o mundo é o que é.
    E para o que está.

    Na pantominocracia, vale tudo.

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