«O que vimos [na Grécia] foi um referendo trapaceiro. Sem uma verdadeira campanha. Uma pergunta opaca e incompreensível. Um apelo àquilo que não se sabia o que significava, pois do “não ao euro” dos primeiros momentos ao sim de domingo à noite, passando pelo não a umas propostas dos credores que ninguém explicava, [o Syriza] mudou de direcção três vezes em oito dias. (…) De que democracia falamos? A União Europeia não é, apesar dos seus imensos defeitos, esse espaço pacificado no qual pouco a pouco aprendemos a substituir a eterna lógica do pulso pela negociação e pelo compromisso? Não é, apesar dos seus imensos defeitos, esse lugar de invenção democrática no qual, pela primeira vez desde há séculos, tentamos resolver as nossas diferenças através do diálogo e não da guerra política ou da chantagem? E em virtude de que perversão intelectual podemos ver um acto de ‘resistência’ nesse confronto perante 18 países, alguns dos quais atravessam situações não menos difíceis do que a Grécia mas nem por isso deixaram de assumir sacrifícios consideráveis para conceder-lhe, em 2012, por exemplo, um perdão da sua dívida no montante de 105 mil milhões de euros, apesar de que também eles terem de prestar contas aos seus povos? Desde domingo, toda a gente se comporta como se o senhor Tsipras fosse o último democrata da eurozona. (…) Os países da Europa Central que atravessaram o inferno dos dois totalitarismos, nazi e comunista, não precisam de receber lições de legitimidade – e muito menos dele [Tsipras].»
Bernard-Henri Lévy, no El País

Por falar em perfeitos idiotas, é difícil encontrar espécime mais aprimorado que “BHL”. Estaria num bar mitzvah, ou numa reportagem em directo da origem da “falha técnica” que afectou a Bolsa de Nova Iorque?
Ah, a camisa sem gravata fica melhor a Tsipras ou Varoufakis, temos pena.
Não me pronuncio sobre o mensageiro. Basta-me a mensagem.
“A União Europeia não é, apesar dos seus imensos defeitos, esse espaço pacificado no qual pouco a pouco aprendemos a substituir a eterna lógica do pulso pela negociação e pelo compromisso?” (sic)
Bernard-Henri Lévy ficou a saber agora que a Europa com que ele sonha sempre foi uma Europa que se deixa pacificar depois da demonstração de um forte pulso, particularmente quando a Alemanha sonha liderar sobre ela (Europa) e até mesmo sobre o mundo.
A Alemanha é um país eficiente que não possui proficiência, em particular aquela que se exige na relação com os outros.
E a Europa de pseudo-tecnocratas, vaidosa e submissa como estes são, quis aconchegar-se ao dinheiro que até sem o saber proporcionou ao líder.
No aspecto cultural, os seus filhos, os da Europa, são os filhos daqueles que nunca viveram a cultura. Mas que pensam tê-la e adquiri-la nas páginas do Financial Times, nos ecrãs da Bloomberg ou pelos gráficos da S&P e da Fitch.
Porém, a Grécia empurrada para o abismo encontrou nas camadas do tempo a força da cultura que a fez emergir e enfrentar, com as raízes a que se apegou, este tormento onde se digladiavam os andróides e os 12 deuses do Olimpo – Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares, Deméter, Apolo, Artemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dionísio – associados aos 12 apóstolos que burilaram e esculpiram o Monte Olimpo, concluindo a escultura desta Europa.
Tão cegos eles andam que lhes custa compreender o que é um acto democrático com a participação de todo um povo que foi às urnas dizer Não. Mas um Não à submissão, à chantagem, à morte do orgulho e da nobreza de um código de vida que se pretende enterrar.
E tão cegos permanecem que na sua falsa cultura e vergonhosa superioridade pretendem dar lições a um povo que ditou uma lição que na história já está registada.
“E tão cegos permanecem que na sua falsa cultura e vergonhosa superioridade pretendem dar lições a um povo que ditou uma lição que na história já está registada.”
bom resumo do seu post!
Agradam-te os posts do Vento e nunca vais para além da burrice de não os saber criticar.
A percepção de ironia não é forte aí por esses lados, pois não?
O senhor Bernard não se deve admirar, foi ele que ajudou a construir a cultura mediática esquerdista que constrói os Syrizas.
Mas como sempre acontece no Marxismo já começa a faltar o papel para imprimir jornais na Grécia.
http://news.yahoo.com/just-greek-newspap ers-running-paper-160821934–business.ht ml
Os jornalistas que ousaram defender o ‘sim’ no referendo estão a ser “investigados” pela justiça grega. Estão vingados pelo prórprio Tsipras, que rasgou o resultado desse referendo cinco dias depois,
http://www.levif.be/actualite/internatio nal/thomas-piketty-denonce-l-hypocrisie-d e-l-allemagne-envers-la-grece/article-no rmal-404313.html?utm_source=Newsletter-0 7/07/2015&utm_medium=Email&utm_campaign=Newsletter-RNBDAGLV&M_BT=10297323311721 e http://www.noticiasaominuto.com/economia/4 17602/piketty-e-outros-economistas-apela m-a-merkel-para-que-mude-de-postura
http://www.elmundo.es/economia/2015/0 7/09/559ec0fd46163fdc728b4592.html
Básicamente a proposta é que, alguém/um país/uma comunidade, tendo sofrido por mor de qualquer coisa deverá exigir para que essa qualquer coisa se reproduza até ao fim dos tempos, que o facto de uns se vergarem implica que ninguém possa resistir ao que obrigou outros a essa posição de vergado. Há quem pense diferente: nal/thomas-piketty-denonce-l-hypocrisie-d e-l-allemagne-envers-la-grece/article-no rmal-404313.html?utm_source=Newsletter-0 7/07/2015&utm_medium=Email&utm_campaign=Newsletter-RNBDAGLV&M_BT=10297323311721 e http://www.noticiasaominuto.com/economia/4 17602/piketty-e-outros-economistas-apela m-a-merkel-para-que-mude-de-postura
http://www.levif.be/actualite/internatio
Pois enquanto esses falam, os gregos desesperam. E o Syriza deita borda fora todas as promessas eleitorais e age como se o tal plebiscito de domingo nunca tivesse acontecido. 7/09/559ec0fd46163fdc728b4592.html
Aceitando desta vez, em troca do tão ansiado dinheiro dos contribuintes europeus, cortes na despesa grega superiores aos que estavam em cima da mesa na semana passada:
http://www.elmundo.es/economia/2015/0
Isto constitui um marco na antologia da estupidez política difícil de ultrapassar.
Pedro, deixei um comentário ali no post de Luís Leitão a complementar outros dois comentários. Se o ler, depois de publicado, verificará, com base na proposta original que não é nada disso que referem. E a questão do aumento de IRC já eles vinham a defender anteriormente, só que tinham fixado o tecto nas empresas com lucros a partir de MEIO MILHÃO DE EURO.
Em Espanha, não se esqueça que, tal como em Portugal, há órgãos de informação e ou jornalistas em órgãos de informação, ligados à ideologia do governo, que desejam fazer passar a mensagem que a Grécia recuou para tentar enganar os eleitores no sentido de lhes demonstrar que as suas políticas erradas é que foram as acertadas.
Mas meu caro amigo, não quero partir para mais uma de minhas habituais ausências sem lhe deixar aqui um abraço e os votos para que brevemente nos possamos reencontrar por aqui.
Se tiver fé, ore também por mim.
PS: Vou ali acima deixar mais uma musiquinha como sugestão.
Espero que não seja o ‘Zorba, o Grego’, Vento.
O Costa não lê o El País, só o El Mundo.
Se lê o El Mundo, já deve ter lido isto: 7/08/559c20d546163f1e728b459a.html
http://www.elmundo.es/economia/2015/0
Não fosse a Grécia um país crucial para a NATO , esta opereta bufa já teria acabado há muito!
Atente-se para a hipocrisia do Sr Obama, made in USA: — muito preocupado com a economia da Grécia —enquanto o seu protetorado Costa Rica, agoniza na miséria!
Julgo que pretende dizer Porto Rico. O que aliás motivou uma piada do ministro alemão das Finanças, propondo a Obama trocar a Grécia por Porto Rico. Não deixa de ter alguma graça, até porque Washington fala muito mas até agora não enviou um dólar de ajuda financeira a Atenas.
O ministro alemão não teve graça, teve pouca vergonha na piada se é que é piada. Já agora, era o que faltava, o Obama mandar dólares, mas provavelmente se a Europa dos incapazes, descambar, lá terão de vir os Estados Unidos salvar os unidos da europa
Graça teve o Varoufakis, a chamar “terroristas” aos credores. Muita graça teve também o ministro das Finanças grego, um troglodita de que nem quero lembrar-me o nome, ao ameaçar abrir um “corredor” na Grécia para os assassinos jiadistas entrarem livremente na Europa.
Isso sim, é sentido de humor.
Sim, eu também fiquei sem saber se a Grécia queria, ou não, sair do euro.
Pelos vistos, não quer. Mas isso só se soube hoje, cinco dias depois do referendo.
Nunca quis, Cristina. Foi o referendo plebiscitário mais inútil de que há memória na Europa. E mais uma absurda despesa pública num país onde não sobra dinheiro para as necessidades mais básicas. No fim, Tsipras aceita condições ainda mais drástica para o resgate europeu às finanças gregas.
Não é drama grego: parece mais um teatro do absurdo.
Parece que a Europa não aprendeu nada e os alemães muito menos. Depois da carnificina e destruição que fizeram por toda a Europa, foi-lhes perdoada metade da sua dívida e só acabaram de pagar a outra metade agora. Estes alemães não aprenderam nada, se tivessem aprendido, olhariam os países em crise e com dívidas impagáveis de outra maneira, mas não. Eles impõem e os outros têm de obedecer. Até quando? Não sei, mas prevejo que a Europa, tal como está a ser manobrada, por incapazes e intolerantes à aprendizagem não vai acabar bem. Provavelmente Tsipras teria muito a ensinar-lhes, eles, os senhores do poder é que não querem nem admitem, no meio da sua ignorância, julgar o Tsipras um político grande que tudo quis fazer pelo seu povo, mas que eles não o deixam fazer.
Tsipras é eurofóbico. Está coligado com um partido da direita eurofóbica. E é idolatrado pela direita mais rançosa, que odeia a União Europeia. A direita soberanista do UKIP do senhor Farage, a direita identitária da madame Le Pen. Tanto Farage como Le Pen receberam festivamente Tsipras na sua aparição no Parlamento Europeu esta semana.
Esquerda radical e direita radical convergem neste ponto. Querem a dissolução do euro, a desagregação da União Europeia, o regresso à lógica da guerra fria. Daí as peregrinações de Tsipras a Moscovo, onde Putin esmaga a oposição, manda assassinar quem lhe faz frente, silencia os jornalistas incómodos, espezinha os direitos das minorias étnicas e dos homossexuais, reprime as liberdades e se perpetua no poder.
Ah, como é interessante ver certa “esquerda” a prestar homenagem ao proto-fascista de Moscovo, com o seu “pulso forte”, enquanto berra contra a União Europeia. Esta esquerda é herdeira espiritual daquela que, nas décadas de 20 e 30 do século passado, justificou e louvou os sistemas mais totalitários que o mundo já conheceu.
Agora viraram todos radicais! Era só o que faltava. A senhora Lagarde também é radical? O Obama também? A esquerda de que fala, embora tenha feito loucuras, não fez tantas, como a direita louca, nazi, do século passado que dizimou a Europa. Levou tudo à frente, judeus, ciganos, negros, crianças, mães, deficientes… Quem quer massacrar são os mandantes do BCE, UE, Eurogrupo, Alemanha e a França. Não sei que cor representam nem me interessa, mas uma coisa sei, representam: o desespero, a fome, a repressão, a angústia, a pobreza, a ganância, a miséria, a tristeza, tudo isto, para favorecerem a finança. O grave é que passam por tudo isto, com uma indiferença assustadora, mesmo sabendo que um dia, terão de dar a mão à palmatória porque não se pagam dívidas, com austeridade e eles sabem. É indiscutível que nenhum país em crise foi governado por essa esquerda, mas alguns deles, foram governados, por direitas que o que fizeram foi arruinar os seus países e eles, os governantes, ficaram podres de ricos. Se o homem fosse menos egoísta e pensasse mais no bem do outro, provavelmente teríamos uma sociedade mais justa e mais igual.
Resumindo e abreviando: a Grécia tem há seis meses um Governo da esquerda radical. E a culpa de tudo estar lá a dar para o torto é… da direita.
Pensamento genial.
A Grécia tem um governo eleito democraticamente. Quer queira ou não, tem toda a legitimidade, para governar um país que sofre e que os outros olham como um impecilho. Se é de esquerda ou direita não lhe interessa a si, nem a mim nem a ninguém, interessa ao povo que o elegeu. A culpa é de quem tudo faz, para os empurrar para o precipício e de quem, não tem um pingo de amor só próximo. Só os insensíveis reagem impávidos, ao sofrimento de um povo que está a pagar pelos erros, de quem os governou e não do actual governo. Não posso aceitar que se massacre gente indefesa que súplica ajuda, mas que lhes é negada, por gente que ainda há pouco, comemorava com pompa e circunstância a queda do muro de Berlim, mas assiste, ainda mais impávido, à construção de outro muro da vergonha, pela Hungria. Isto, não são atitudes de políticos sérios, são atitudes de políticos incultos, sem preparação, sem ética e sem princípios, onde impera, o EU e o EU e os outros que se lixem.
A Grécia tem um governo eleito democraticamente.
Como todos os restantes países da UE têm.
Qual é a novidade?
Mas a Grécia tem um Governo que se apresentou nas urnas e ganhou eleições com um programa anti-austeridade.
Mais: há uma semana organizou um refrendo anti-austeridade. Em que o ‘sim’ obteve maioria.
Perguntas:
– Irá Tsipras pedir a demissão por ter falhado as promessas ao povo grego?
– Irá Tsipras convocar um novo referendo para saber se agora os gregos já aceitam a austeridade?
Isso sim, seria verdadeiramente democrático.