«Todo o escritor se acha o melhor escritor senão não vale a pena escrever. Para não ser o melhor não vale a pena.»
António Lobo Antunes, em entrevista ao Público
«Todo o escritor se acha o melhor escritor senão não vale a pena escrever. Para não ser o melhor não vale a pena.»
António Lobo Antunes, em entrevista ao Público
É como na bola. Todos aqueles que não se acharem melhores que o CR devem arrumar as chuteiras.
Tal e qual.
Quer-me (modestamente) parecer que ALB entrou naquela categoria de pessoas, já de certa idade (a propósito, a minha mocidade vai longe), que largam não interessa que baboseiras e a assistência ri-se muito e bate palmas…
A idade é um (im)posto.
ALA, obviamente.
ALA é Grande.
Neste âmbito, o maior de todos é o MS.
Plenamente de acordo. Marco Silva é o maior.
Lembrou-me CR7, salvo erro em entrevista a JS “claro que eu me acho o melhor do mundo. Se eu nāo pensasse assim, nāo valeria a pena jogar”.
Vale para tudo. Mas interrogo-me o que não diriam de um político se dissesse algo semelhante numa entrevista.
Esta frase não tem pés nem cabeça. Escrever não é uma competição e há muitos critérios sobre a qualidade da escrita. Se este escritor é melhor do que aquele saberemos talvez daqui a cem anos. O escritor que pensa que é o maior tem talvez demasiadas certezas.
O escritor deve ter um ego grande, maior do que o da média. Julgo que a ideia de ALA será esta.
Eu até concordo com ele e já agora e apesar de não ver jogos de futebol, com que o CR7, desde que não atropelem, matem ou esfolem os que fazem o mesmo que eles, ou seja subirem à custa de outros.
Na escrita quem é o maior juiz? Os leitores
No futebol quem é o maior juiz? Os golos?
O que eu gosto e faço os outros podem não gostar e há espaço para tudo e para todos. Eu só a melhor em tudo o que faço e se não pensar assim, vou para qualquer tarefa de ombros caídos.
Estarei errada?
Houve políticos do melhor. Nunca o disseram mas digo eu sempre que posso: Mariano Gago e Laborinho Lúcio. Deves saber o que foram e o que fizeram:)
Um abraço e desculpa ser do contra, mas é a minha modesta opinião e dela não abro mão
Um abraço. E viva a liberdade de opinião.
Cuidado com esses vivas. Se a sua opinião puder ser interpretada como piropo…pode sair-lhe caro.
Oh diabo. E se eu disser à Liberdade: “És broa como o milho”?
Lixa-se. f. dixit
Vexata quaestio.
Se as nossa palavra escrita não for tratada e acarinhada, vestida, alimentada e composta, como um filho que acabámos de parir,então não vale a pena escrevê-la. Se não a amarmos, se nada significar para nós, seremos apenas autómatos que debitam monossílabos e polissílabos.
De acordo, Dulce.
Sempre me confundiu a postura displicente de Lobo Antunes, como quem atira umas pérolas a porcos. Surpreendeu-me a admiração confessa de George Steiner pela sua obra. Serei talvez um dos porcos que não merece nem desfruta das suas pérolas.
Para compensar a admiração de Bloom pela obra de Saramago.
Talvez seja porque ande a contas com o meu primeiro romance, mas percebo perfeitamente o que Lobo Antunes quer dizer por isto, e não compreendo o tom condenatório por aqui.
Percebo também. Eu não o condeno por isso (nem seja pelo que for). Força nesse romance, Miguel. Quero destacá-lo em 2015 na série ‘Sugestão: um livro por dia’.
António Lobo Antunes pode dar-se a esse luxo. Mas um escritor não escreve porque se julga o melhor escritor, como outro artista não faz a sua arte por se considerar o melhor. Bach caminhou 400 km para ir ouvir Buxtehude que ele considerava bastante e com quem aprendeu. Hoje sabemos todos quem é Bach e poucos quem é Buxtehude. Um escritor, um músico, um artista, faz o que tem de fazer porque tem disso absoluta necessidade. Só! O drama de um artista menor é esse. Saber que não se pode comparar aos melhores mas que também não pode deixar de fazer o que faz. Não é por valer a pena, mas por necessidade espiritual. Rilke já o dizia.
Para quem vive da escrita, o que vem primeiro a necessidade de escrever ou a de comer ?