«É possível que o Estado que oferece uma multa de amigo às pessoas que ocultaram milhões de euros no estrangeiro, que as isenta de responsabilidades criminais e que ainda tem atenção suficiente para lhes proteger a identidade, é possível, dizia eu, que este mesmo Estado execute penhoras da única casa de quem deve dois mil euros ao Fisco e já tem o magro salário penhorado? É possível – e acontece em Portugal.»
Bruno Faria Lopes, no Diário Económico

Em Portugal tem acontecido muita coisa que tem denegrido a imagem dos palhaços circenses e enaltecido palhaçadas que mais lembram a luta dos perseguidos face às feras neste coliseu.
Como é possível que uma viúva com seis filhos não tenha direito a um reescalonamento da dívida de acordo com suas possibilidades. Chamam a estas acções eficiência fiscal, pois eu penso que é um assalto aos desprotegidos.
Estes tipos, durante sua vida, vão ter oportunidade de conhecer a miséria e as consequências da mesma.
Tortuga, Madagáscar, Port Royal… Terras de piratas, governadas por piratas… Agora também perto de si, no extremo ocidente da Europa…
É possível e acontece como se de algo normal se passasse e para cúmulo, ainda há pessoas que andam atrás deles como marionetes e que apoiam, esta gente, sem escrúpulos e sem vergonha. A falta de escrúpulos é tal que ainda obrigam o cidadão comum, a pagar as dívidas que eles fizeram e fazem no seu desgoverno. Àqueles que desviam os seus milhões para o estrangeiro, passam-lhes as mãos delicadamente, pois também eles o fazem sem qualquer pudor. Pergunta-se: para onde caminhamos, onde quem não tem princípios, ética, moral e vergonha,
sai sempre por cima e o honrado, o equilibrado, o sensato e cumpridor das suas obrigações é sempre espezinhado?….
Não tarda nada, com o Costa Livre, tudo isso acaba.
É o estado que temos: insaciável, cego, surdo e mudo. Esta é uma questão de falta de bom senso por parte do fisco, a começar no governo, passando pelo director geral e a acabar no director de finanças local, que tem obrigação e poder para resolver este tipo de problemas da melhor maneira.
Mas preferem levar tudo a eito, e este é mais um episódio da velha história: quem deve tostões ao estado, tem um enorme problema; quando a divida é de milhões, então o problema passa a ser do estado, quer dizer do resto dos contribuintes.
O que não são estes senhores senão uma forma de “Estado Islâmico”? São puros terroristas, que matam de uma forma diferente daqueles.
Para quem viveu a alegria do 25 abril 74 assistir a isto é duma tristeza revoltante.