Televisões que se presumem sérias, praticantes de um jornalismo considerado rigoroso, difundiram por estes dias a imagem de um repórter britânico que se encontra cativo do autoproclamado Estado Islâmico, funcionando portanto como porta-voz compulsivo desta organização terrorista.
Mesmo sabendo isto, as televisões emitem esta mensagem adulterada, fazendo-a passar à primeira vista por informação isenta. É um acto de lesa-jornalismo. Pior: é um alto de lesa-civilização. Estamos a recuar perigosamente em matéria de princípios sempre que pactuamos com a violência terrorista, mesmo que seja insidiosa e encapotada, como sucede neste caso.
E o problema não se centra só nas imagens que procuram banalizar o mal. Repare-se na linguagem tantas vezes adoptada para descrever os bárbaros assassínios de jornalistas, decapitados a sangue-frio depois de serem forçados a confessar aquilo que não pensam e noutras circunstâncias jamais diriam: foram “executados”, proclamam vozes neutrais na televisão, sem um assomo visível de indignação cívica. Fosse outro o contexto, fossem outros os algozes, falar-se-ia em crime, chacina, massacre. “Execução” tem uma conotação burocrática, quase legal, quase consentida, quase compreensível.
O primeiro erro, aliás, é chamar Estado Islâmico a um movimento inorgânico que utiliza a bandeira do islão como mero pretexto para dar largas ao mais básico instinto sanguinário. Um bando de pistoleiros, mesmo vasto e bem armado, não pode confundir-se com Estado algum. E nenhuma religião deve caucionar a violência homicida, aliás cometida em larga medida, neste caso, contra os próprios irmãos de fé.
Usar a linguagem dos assassinos é o primeiro passo para atenuarmos os seus crimes.

![ISIS-Ninewa-photos-Jun24-16-thumb-560x315-3319[1]. ISIS-Ninewa-photos-Jun24-16-thumb-560x315-3319[1].](http://4.fotos.web.sapo.io/i/B91132815/17553012_ZUtDI.jpeg)
Totalmente certeiro
Não são só as televisões que se estão a portar mal; em Portugal temos o Partido Socialista que quer ser governo e através do seu porta voz Marcos Perestrelo, preocupado com a segurança dos portugueses que se converteram ao terrorismo jihadista, e que têm colaborado no assassinio a sangue frio de jornalistas que foram raptados no exercício da sua profissão.
Quando o PS estiver no governo podemos até esperar o reconhecimento do “estado islamico” pela República Portuguesa e a abertura da respectiva embaixada em Lisboa.
Quanto ao Perestrelo, pode o 1º ministro Costa nomeá-lo embaixador de Portugal junto do “estado islamico”, que é onde ele está bem.
http://observador.pt/2014/10/28/ps-teme-p ela-seguranca-dos-jihadistas-portugueses/
Em cada esquina um amigo…
A importância é um conceito relativo. As coisas só se tornam verdadeiramente importantes, se as pessoas lhes derem muita importância. Ao auto-proclamado Estado Islâmico foi e continua a ser dada demasiada importância, de tal modo que podem continuar impunemente a cometer assassínios e outros actos de terror. A internet tem todos os dias milhares de vídeos gone viral… A escolha dos media em reproduzir alguns deles nos noticiários só confere cada vez mais protagonismo a quem o procura acima de tudo o mais. Proselitismo compartilhado?
Proselitismo consentido. Sem rebates de consciência do lado de cá, ao que parece.
Totalmente de acordo.
Pedro,
não posso estar mais de acordo com sua indignação. Gostaria somente de referir-lhe que a guerra que se trava naquela região já foi declarada perdida por todos quantos dizem estar a combater um movimento terrorista.
Na realidade eles usam também o rosto do terror, e abusam de personagens inocentes para fazer passar esse objectivo. Mas ninguém acredite que o ocidente e os aliados na região fazem esta guerra por um objectivo humanitário. Quando muito usa-se a mesma estratégia que se usou no Vietnam e outros cantos do mundo para se poder chegar a um compromisso. Isto é, usar a força para fingir que o compromisso alcançado foi fruto da derrota infligida.
Adicionalmente, como já tinha referido por aqui num debate em torno dos problemas naquela região, o mundo ocidental começa a reagir ao terror que por ali se faz sentir. O terror levado a efeito anteriormente e o agora vigente.
http://expresso.sapo.pt/promessa-cumprid a-suecia-e-o-primeiro-pais-ocidental-da-u e-a-reconhecer-a-palestina=f895929
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id _news=740988
E Malala, uma vez mais, demonstra sua generosidade:
http://expresso.sapo.pt/malala-yousafzai-d oa-50-mil-dolares-para-as-escolas-em-gaz a=f895947
Coitada da Malala, se fosse capturada pelos assassinos do autoproclamado ‘estado islâmico’. Ela personifica tudo quanto eles mais odeiam.
Vento: as principais vítimas do movimento terrorista que se intitula Estado Islâmico não são os habitantes do Ocidente. São sírios, curdos, iraquianos. Quase todos muçulmanos.
Não sei o que possa ter isto a ver com o Vietname. É algo que escapa à minha compreensão.
Tem sim, Pedro. Essas vítimas de que fala julgam estar a ser ajudadas pelo ocidente. O ocidente só está a ganhar tempo para ver em que param as modas.
Nenhum país da região nem tampouco o ocidente colocará um só soldado nesta luta.
Eu não defendo o EI, simplesmente afirmo que a situação já não tem controlo possível. A não ser que pretendam uma terceira guerra.
Agora explico o porquê: O Egipto, a Turquia, a Arábia Saudita se entrarem directamente nesta guerra sujeitam-se a que os extremistas internos boicotem todo o processo. E nesta situação não haveria tropas suficientes para combater em duas frentes.
Os desgraçados dos curdos, sírios, iraquianos e outros mais são a carne para canhão.
Termino já afirmando uma vez mais o que já uma vez disse: a solução é política e não militar. E tanto que é que as pressões que veremos agora recairão sobre Israel no sentido de mostrar aos terroristas que todos estão empenhados numa solução para a Palestina. Sendo este o mote para sentá-los à mesa do diálogo.
Talvez o Pedro queira destacar este documentário:
http://www.youtube.com/watch?v=4JrqfJ67G UM
Só agora é que descobriu que o Terrorismo é noticiado dessa maneira?
O Terrorismo existe por causa do Jornalismo Ocidental. De Esquerda.
Ainda há poucos dias um “carro atingiu uma multidão” em Jerusalém.
Como se não bastasse os festejos publicos pelo Hamas e Jihad Islamica pelo facto, ficaram com conivência dos Jornalismo Ocidental, na gaveta.
“O terrorismo existe por causa do jornalismo”?! Julgo que você, LL, acaba de bater um recorde pessoal. Mas não merece parabéns.
Excelente. Completamente de acordo.
Obrigado, Fátima. Espero vê-la novamente na blogosfera.