Reflexão do dia


Pedro Correia,

«Há dias, a Presidente do Brasil, Dilma Rousseff, adiou a obrigatoriedade da implementação do “Acordo Ortográfico” para 2016. Fê-lo com base numa petição que reuniu 20.000 assinaturas. Em Portugal, uma igual petição reuniu mais de 130.000, e não teve qualquer eco. 130.000 assinaturas num país cuja população é incomparavelmente menor do que no Brasil. (…) Em 2016, eis um cenário muito possível: Angola manterá a ortografia existente anterior ao “Acordo”. Portugal seguirá, se não conseguir inverter o statu quo, o pobre “acordês”. E o Brasil terá entretanto revisto e certamente “melhorado” o “Acordo”, escrevendo numa terceira ortografia. Resumindo: cada qual escreverá de sua maneira, e ter-se-á esfrangalhado a ortografia comum que, até agora, era seguida por todos os países lusófonos, com excepção do Brasil. Ou seja: será um verdadeiro “acordo português”, em que ninguém sabe acordar.»

Helena Buescu, no Público

3 comentários em “Reflexão do dia”

  1. Mas a acontecer essa desgraça, não será por um inelutável decreto divino.
    Há responsáveis políticos por esse crime e têm nomes. De Cavaco Silva, a Santana Lopes e Sócrates, passando pela Isabel Alçada – que impôs o acordês no ensino contra o dito em pareceres oficiais – mulher de Rui Vilar o muito próximo da maçon o presidente da Gulbenkian que subsidiou os dicionários do Malaca – outro irmão – a Relvas, também iluminado pela sede do saber, ou os pusilânimes Portas e Crato, e, em geral, todos aqueles que tudo têm feito para, por acção ou omissão, abafarem a reacção do Povo Português, num repugnante e abjecto espectáculo de falta de respeito pelos interesses de quem deviam respeitosamente servir.
    E a pouquidão dessa gente – o Cavaco é tão ignorante nem sabia quantos cantos têm os Lusíadas! – não lhes pode servir de atenuante.
    Sabem o que estão a fazer e sabem porquê.

  2. Concordo totalmente com o comentário anterior até chegar à última frase .
    Acho que não sabem o que estão a fazer e não sabem porquê .
    De resto não fazem mesmo a mais pequena ideia , pareceu-lhes “bonitinho” e pronto , aqui vai disto.

  3. Nunca entendi a necessidade de um acordo ortográfico internacional quando ainda nem sequer se fez um acordo nacional que corrija as assimetrias que existem de Norte a Sul como por exemplo, aquela coisa da troca dos bês pelos vês. Faz mais sentido a fêmea do boi ser a baca do que o cidadão do Egito ser o egípcio, pois se a regra é mandar tirar o que não se pronuncia (que neste caso até se pronuncia) não se entende porque é que não se manda escrever o que se pronuncia e não se acaba com a ditadura dos vês imposta há séculos ao povo do Norte em directa contradição com o que falam.

    Perante as decisões e indecisões dos outros e a enorme resistência que existe cá ao Acordês, dever-se-ia inverter o status quo rapidamente pois é mais que evidente que nos enfiaram um grande barrete.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *