«Quem vive além das suas possibilidades e vai ter de mudar de hábitos é certa classe média deslumbrada que se deixou levar pela febre consumista e pela inveja social, sem se esforçar por gerar os proventos que lhe permitam recorrer à necessidade de adquirir para ser. São esses que não vão poder comer bife todos os dias e que terão de fechar a torneira quando lavarem os dentes. Não por culpa da troika, mas pelo elefante branco da gula: comer mais do que se precisa, gastar mais do que se ganha, parecer mais do que se é.
Isabel Jonet foi pouco hábil na forma como tocou num tema delicado, com tantas susceptibilidades em alta, tantos nervos em franja. Mas não merecia ler o que se escreveu nas redes sociais. Porque enquanto os inúteis e os selvagens lavam frustrações e a desancam, ela mantém de pé uma obra de solidariedade e cidadania sem a qual a vida de muitos portugueses seria pior.»
Alexandre Pais, na revista Sábado

Sendo o “tema delicado”, e havendo “tantas susceptibilidades em alta, tantos nervos em franja”, seria conveniente que o autor tivesse evitado expressões como “os inúteis e os selvagens” ou “classe média deslumbrada que se deixou levar pela febre consumista e pela inveja social”, que em nada favorecem uma discussão cordata.
“susceptibilidades”
e continuam as “habilidades” à volta das” inabilidades” da “SENHORA”… “Isabel Jonet foi pouco hábil na forma como tocou num tema delicado, com tantas susceptibilidades em alta, tantos nervos em franja”.
credo, tanta compreensão para com as as “inabilidades” da “SENHORA”, e tanta incompreensão perante as “inabilidades” de quem reagiu às “inabilidades” da “SENHORA” (ou esses não têm direito a “inabilidades” perante tais “inabilidades” da “SENHORA”?).
talvez, penso eu, porque aqueles que tudo pensam saber sobre a “SENHORA” devem saber exactamente o que ela pensa (o que será exactamente?) para além das “inabilidades” que comunicou, mas o que foi percepcionado por quem ouviu a “SENHORA” foram essas “inabilidades” e as pessoas comuns não tem a possibilidade de privar com a “SENHORA” para saber o que ela pensa, para além dessas “inabilidades”.
1 – Antes de mais convém referir que o autor não sabe o que é a gula. Gula não é comer muito, gula é chamar a si todos os pratos sabendo que não será capaz de os comer nem nesta vida nem na outra;
2 – O Banco Alimentar não é uma obra de Isabel Jonet, é uma obra de todos quantos contribuem para levar aos carenciados o mínimo que lhes é devido;
3 – Não foi a classe média nem os portugueses em geral que viveram acima de suas possibilidades. Foi esse estado que viveu acima das possibilidades de quase todos para beneficiar uns poucos.
Todavia, não quero desapontar o autor; na realidade há uma instituição nacional que se chama inveja. Este epíteto é também muito pronunciado por todos aqueles que têm inveja que outros acedam a lugares que muitos não merecem ter.
Sem desculpar deslumbramentos e outros devaneios consumistas, quando se acusa outros de inveja social como sendo portadores de mera fraqueza moral, está-se a ignorar uma componente importante da natureza humana e a razão porque as sociedades mais iguais são mais saudáveis.
Numa sociedade em que uma das indústrias mais visíveis é a que incita ao consumo, não se pode honestamente considerar a pulsão consumista com uma mera questão de vontade, força ou fraqueza. A publicidade funciona. Quando ela é “boa”, o consumidor compra para lá da racionalidade. É esse o seu objectivo.
Mister L.
Padecemos de falta de tempero, de equilíbrio. Todos nós seres humanos vivemos num estado desconfiado, a diferença esta em uns são menos do que outros.
Imagino que nós (Portugal) vivemos tempos agitados. Tal agitação mostra tão somente o atraso de vida em que nos encontramos. E isto é para todos, independentemente da ideologia que cada um tem a qualquer nível, seja o do individuo seja o das massas.
Resumindo: Somos um atraso de vida.
Errata
« Somos um atraso da vida»
Será que Alexandre Pais percebeu que quem alimenta o BA é precisamente a dita classe média que tanto parece abominar? Também o fazia por inveja e para parecer mais do que o que é?
Quanto à obra, não desfazendo no trabalho da senhora, quem a edificou foram os que para ela contribuíram, ou conhece alguma obra de caridade que funcione sem a caridade dos outros?
Como dizia um filosofo popular que havia na minha terra, “eu próprio, não diria melhor”! Alexandre Pais pôs este assunto na perspectiva correcta, e não teve medo das palavras!
Em finais de 2008, principios de 2009, quando já era bem visivel o buraco onde estávamos metidos, houve pessoas que nos blogs propuseram uma reflexão nacional, despida de ideologias, para se avaliar o que é que tinha corrido mal desde o 25/4, e porque é que Portugal apesar de ter finalmente uma Democracia solidificada, não conseguia sair da cepa torta, e em vez de convergir, há dez anos que estava a divergir da União Europeia, mesmo a 27.
Mas nessa época estávamos a entrar em campanha eleitoral, o desvario socretista estava no seu auge, e os media estavam mais interessados na propaganda do governo de então, do que falar de coisas sérias.
Perdeu-se nessa altura, uma boa ocasião para calmamente se fazer um debate que era, e continua a ser essencial para o nosso futuro colectivo.
Se calhar este post não é suficiente para fazer baixar os pensamentos do Jaa, o melhor é aceitar a sugestão de um outro leitor e publicar rapidamente as Belles Toujours.
“Foi esse estado que viveu acima das possibilidades de quase todos para beneficiar uns poucos.”
Ignorancia sem limites. Então porque é que os portugueses estão todos chateados quando nem sequer começámos a reduzir a dívida?
O dinheiro da dívida chegou a quase todos. Não uso a palavra beneficiar porque dinheiro nem sempre é benefício.
Já vi que dança bem a solo. Contraímos uma dívida para pagar parte dessa outra (mas no fundo dizem que é para ajudar-nos a sobreviver). E só o facto de a termos contraído deu-nos um “benefício” de cerca de metade dela em juros. Ainda nem começámos a pagar a dívida que permitiria pagar a outra – que não paga – e já devemos cerca de 35 mil milhões em juros. 12 mil milhões são entregues à banca à taxa de 7%, mas este “empréstimo”, avalisado pelos contribuintes, e não pela banca, não contempla o valor adicional dos juros que sobre ele pesa. As PPP´s, pagas a 30 anos, socializam os prejuízos mas não os lucros. As corporações, em diversas áreas, públicas e privadas, arrecadaram o valor da dita dívida. Nacionaliza-se um banco (socializando todos os prejuízos e malefícios) que entra em rupura não por activos tóxicos mas por outras razões; e você, na sua douta sabedoria, atreve-se a chamar ignorante a quem suporta tudo isto. Anda por aí muito doutor que, nesta matéria e noutras, necessita dar os passos das primeiras letras.
Comentário sem nenhuma relação com o artigo –
“
A Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) deixou caducar uma alegada dívida de IRS no valor de 740 mil euros do presidente da Vodafone Portugal, António Carrapatoso, relativa a rendimentos auferidos em 2000, noticia hoje o “Diário de Notícias”.
Segundo o jornal, parte dos rendimentos de António Carrapatoso relativos a 2000 não foram tributados pelo fisco, que teria até 31 de Dezembro de 2004 para notificar o contribuinte. Mas a liquidação só foi feita em 2005, fora do prazo legal, prossegue o DN.
De acordo com o mesmo jornal, um funcionário terá identificado o erro em 2005 e introduziu indevidamente no sistema a informação de que a liquidação tinha sido feita em 2004. Só que este procedimento não foi acompanhado por nenhum documento válido, situação que constitui um “crime informático”, segundo auditoria efectuada pelo próprio fisco.
Como a reclamação dos serviços fiscais foi feita fora de tempo, o presidente da Vodafone apresentou uma reclamação que sustentava, entre outros motivos, a caducidade do direito à liquidação por parte do fisco.
Os factos relatados pelo DN constam de uma auditoria interna do Fisco, datada de 14 de Junho de 2005, que concluiu ter existido “falta de zelo” dos funcionários envolvidos na operação, que foram alvo de processos disciplinares.
A situação fiscal de António Carrapatoso foi detectada numa inspecção da DGCI realizada à Vodafone. Na acção inspectiva foi detectado que, em 2000, o presidente da Vodafone exerceu o direito de opção de compra de acções (“stock options”) da então Telecel. Perante esta situação, descreve o jornal, em Julho de 2004 a administração fiscal iniciou uma acção de inspecção ao próprio António Carrapatoso, que foi concluída em Novembro do mesmo ano. Só que, por desleixo dos serviços, a liquidação da dívida fiscal só foi entregue ao presidente da Vodafone em 2005.
Uma porta-voz da Vodafone Portugal assegurou ao DN que a situação fiscal do presidente da empresa está regularizada e que, após uma reclamação de António Carrapatoso, a administração fiscal deu-lhe razão. A porta-voz da Vodafone diz que “os ganhos auferidos em resultado do exercício de ‘stock options’ em Abril de 2000” não podiam ser tributados como rendimento de trabalho dependente (categoria A), “dado que só com efeitos a 1 de Janeiro de 2001 o código do IRS estava dotado de normas que definiam os elementos quantitativos e temporal constitucionalmente indispensáveis para que o imposto fosse exigível”. Nesse sentido, não havia lugar ao pagamento de imposto em sede de categoria A, que só seria possível a partir de 1 de Janeiro de 2001.”
Comentário nº 2 sem relação com o artigo mas com mote – Viver acima das possibilidades –
” Em cada 100 euros gastos na compra de alimentos apenas oito euros chegam ao bolso do agricultor. Esta é uma das principais conclusões de um estudo apresentado ontem em França pelo ministro da agricultura, Stéphane Le Foll.
O documento, elaborado pelo observatório francês para a fixação de preços e margens nos produtos alimentares, mostra pela primeira vez a decomposição dos custos desde a produção até ao consumidor.
O estudo, que levou mais de um ano a ser preparado, conclui ainda que as margens líquidas dos supermercados e hipermercados são altamente variáveis consoante o tipo de produtos. Por exemplo, enquanto na secção de carnes pode haver perdas, ou seja, margens líquidas negativas, já na charcutaria e aves o cenário é exatamente o oposto.
Apesar deste estudo ter ocorrido em França, alguns intervenientes no mercado agrícola nacional consideram que as diferenças para Portugal serão insignificantes, até porque algumas das cadeias de distribuição analisadas também operam em território luso.
Em Portugal, e de acordo com uma análise feita pelo Expresso junto de vários grupos de produtores, há situações em que o preço sobe dez vezes desde a produção à mesa do consumidor. Com a particularidade de os custos de produção (como os combustíveis, as rações ou os fertilizantes) no agricultor não terem parado de subir nos últimos anos.”