Face aos acontecimentos dos últimos tempos, veio-me à memória um texto antigo: “Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário a um povo dissolver os laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno para com as opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação. Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade. Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade“.
É desta forma que se inicia a célebre Declaração de Independência dos Estados Unidos. Acima está traduzido em português, mas também se encontram facilmente versões em catalão ou castelhano.

O que é interessante é que as mesmas forças que surgem como garantia do Estado e das liberdades individuais são as mesmas que protegem o Estado quando os seus cidadãos não sentem os seus interesses defendidos pelo mesmo Estado. E desta forma as forças de protecção do Estado que garantiam a liberdade se tornam forças de repressão.
Toda a força armada do Estado é assim em última análise uma forca de repressão.
Nos EUA temos por hoje a Patriot Act que viola a Constituição Americana.
Paradoxal foi também na Constituição se afirmar que todos os homens nascem iguais e se ter permitido e Escravatura
1. A constituição americana também defende o porte de armas e aceita a pena de morte
2. A constituição americana não aceita a secessão (estarei bem lembrado se disser que houve uma guerra civil derivado desse facto?)
Demagogia dá jeito, seriedade é mais útil num debate
Demagogia, também é simplificar porque fala dos EUA sem esclarecer que nem todos os 50 Estados têm Pena de Morte.
“Os Estados dos Estados Unidos são cinquenta unidades que partilham a soberania com o governo federal. Devido a esta soberania dividida, cada cidadão dos Estados Unidos é cidadão tanto da entidade federal quanto do seu Estado de domicílio.
A Constituição dos Estados Unidos distribui o Poder entre estes dois níveis de governo. Ao ratificar a Constituição, o povo transferiu determinados poderes soberanos limitados dos seus Estados para o governo federal.”
48 desses Estados ainda se dividem, num total de 3,007 counties (county é o equivalente às nossas Câmaras Municipais, onde um Estado pode ir de 3 aos 254 e, quando Counties podem ser maiores que Portugal (se fosse por cá dividiam-no em mais uns quantos bocadinhos, para poderem distribuir mais uns quantos tachos) portanto, fala dos EUA com a mentalidade de quem vive num quintal.
A grande vantagem dos cidadãos americanos é, precisamente, poder optar por residir num Estado tipo socialista ou escolher um mais liberal (no correcto sentido do termo porque, já há quem queira misturar conceitos) e, outra curiosidade estatística, quanto mais socialistas, mais perto estão da bancarrota e de nem ter dinheiro para pagar aos funcionários e serviços públicos (o dinheiro tem a particularidade de não cair do céu e, mais cedo ou mais tarde, pagam-se as consequências do facilitismo).
Quanto ao porte de arma, está legislado na Constituição Americana mas não pense que é só para andarem aos tiros uns aos outros e, está bem esclarecido por escrito, para o caso dos cidadãos terem de se defender dos próprios governantes.
Naturalmente, como em todos os casos da História em que governantes queiram governos totalitários, a 1ª coisa que fazem é desarmar a população e, há Estados que, por “portas e travessas” conseguiram impôr essa legislação mas, quem quer saber factos em vez de papaguear o que emprenha pelos ouvidos, as estatísticas mostram que é precisamente nesses Estados, onde só os criminosos arranjam sempre a maneira de ter armas, a criminalidade é muito mais elevada, sem qualquer possível comparação.
Como vamos a caminho do maior Governo Global Totalitário, o Governo Federal americano tem feito de Tudo, mesmo Tudo, para alterar a Constituição, para todos os Estados ficarem mais “ao estilo europeu”. Basta olhar para aqueles ataques na Europa em que os europeus ficam à mercê da vontade dos criminosos, restando-lhes rezar para, entre mortos e feridos conseguirem escapar, nada podendo fazer como no caso do padre a ser torturado ou a matança na discoteca. Se calhar, se estivesse numa dessas situações gostaria mais de viver num Estado americano que lhe permitisse ter meios para se defender. Quando gente de bem, passou a ter que confiar mais na “sorte ou no azar” do que ter o Poder para se defender e, como se tem visto, temos cada vez mais Poder… para coisa nenhuma.
Basta olhar para o Referendo que vão fingido não ter acontecido, protelando a ver se passa ou aquele que nem sequer querem que aconteça. De preferência como em Portugal que nem foi preciso Referendo para nos perguntar se queríamos entrar na UE… com os Debates podia não dar o resultado pretendido e, perguntar ou fazer perguntas, por aqui e ao povinho, só se for para perguntar coisas “muito importantes”… sobre Futebol ou dar uma de paizinho que, aos meninos, até o Futebol, só depois de pôr a cruz no quadradinho e, de preferência vão a pé ou, num domingo, podem secar mais um bocadinho pelo transporte público (adoro os conselhos do papá!)
No seu entender, toca mas é a “comer”, calar e obedecer… essa pouca vontade de Liberdade e, tantos a pensar o mesmo, adultos que confiam nos “papás”, prova que o Programa está quase concluído, resta saber se perceberão para que tipo de Mundo estamos a caminhar.
Pense por si próprio mas, para pensar, não pode acreditar em ninguém, tem de pesquisar factos, estatísticas e, só depois, pode aproximar-se da realidade e, se digo aproximar-se, a razão é muito simples porque à medida que vai sabendo, descobre que o “novelo” tem sido, propositadamente, emaranhado para que, a grande maioria, nem sequer consiga descobrir as pontas.
Vamos lá ver, quem lançou a comparação com os EUA foi o Luiz Leitão, não fui eu. Mas, 50 ou 25 Estados, o facto é que a Constituição dos Estados Unidos permite ambas o porte de arma e a pena de morte. Eu, pessoalmente estou contra às duas. Alias, fico muito contente que o Senhor SemiZeus não tenha direito a passear na rua com a sua arma e sinto-me bem mais tranquilo.
No meu comentário acima não me parece que me tenha referido a “comer e calar”. Parece-me que unicamente me referi que os Estados Unidos não me parece uma boa comparação para este caso.
Mas já que insiste. Sabe quais são os poderes que foram delegados nas varias regiões AUTÓNOMAS de Espanha? Sabe quais são as competências da região e do Governo da Catalunha? Pois, bem, sao bem extensas. Pelo que falar de opressão é assim como que… disparatado.
Para mais, essa constituição, como neste blog já foi mencionado, foi validada democraticamente em Espanha e especialmente na Catalunha. Pode ser mudada? Pode. Mas até esse momento tem toda a legitimidade. Assim como têm os cidadãos catalães para irem viver… para qualquer outra região de Espanha!
A constituição americana não aceita a secessão
Há poucos países que aceitem pacificamente a secessão. Não aceitar a secessão é normal. A secessão quase nunca é pacífica.
‘The moment they can’t persecute anyone, they consider themselves martyrs’ (Marquise Visconti)
A marquesa estava a falar da igreja mas a frase aplica-se a 100% aos independentistas catalães.
quando oiço um político dizer ‘é agora’
recordo o caso verídico dum impotente sexual que gritou o mesmo até a mulher o mandar passear
Um comentário adicional. A independência dos Estados Unidos refere-se a um Estado opressor negando os liberdades individuais e democráticas (como não pagar imposto pela chá 🙂 )
Todas as ocasiões em que o principio de autodeterminação foi aceite pela comunidade e justiça internacional foi nessa base (colonização, e portanto o caso EUA, ou Kosovo). Não se aplica na Catalunha.
Só uma pequena nota, eu estou a favor (se alguém um dia decide perguntar-me) de um processo sério que possa por que não levar à decisão dos catalães de criarem um estado independente. Mas como diria o outro: “Assim não”
E a Eslovénia? E a Croácia? E o Bangladesh? E a Eritreia? E o Sudão do Sul? Também eram colónias? E isso impediu a separação dos Estados a que pertenciam?
Quanto ao “assim não”, isso era daquele que não queria o referendo ao aborto. Viu-se o resultado.
Engraçado que menciona o aborto. Por acaso até estava contra o referendo . Na minha opinião foi um acto de cobardia por parte dos nossos políticos que deveriam ter tomado a decisão parlamentar que se impunha com base num programa eleitoral em vez de passar a batata quente.
Engraçado também que compare a situação da Catalunha com a Eritreia e o Sudão do Sul… alguma coisa me diz que algo não bate certo
Para um peregrino a Meca, tem uma visão muito paroquial do mundo, restrita à Europa. As independências na África também podem ser analisadas.
Luís Menezes Leitão
Para peregrino de Meca não é só a visão paroquial do mundo, está mais do que preparado para uma completa islamização da Europa. Esta parte diz tudo:
“Por acaso até estava contra o referendo. Na minha opinião foi um acto de cobardia por parte dos nossos políticos que deveriam ter tomado a decisão parlamentar que se impunha com base num programa eleitoral em vez de passar a batata quente.”
Qual Indivíduos… que venham os programas! E as decisões impostas!
O mais engraçado é o “Por acaso” 😉
Por acaso até estou surpreendido porque não utilizar o caso do Quebeque que me parece bastante mais apropriado. E está fora da Europa.