Há recordações que doem. Descubro, todavia, que não são as do passado que mais me perturbam. São as que prevejo que me encontram mais indefeso. É o que se passa quando olho para as fotografias que tiro aos meus filhos. Sei que um dia, daqui a alguns anos, vou reencontrá-las num álbum, numa gaveta ou num cartão de memória. E dói-me agora a saudade que então vou sentir destes momentos, deles ainda tão nossos. São essas lágrimas futuras que já hoje me tomam os olhos.
Recordações
Rui Rocha,

É um sentimento indescritível, Rui Rocha.
Quando os meus filhos eram pequenos, “passei o tempo” a filma-los. Era tido pelo tolinho da câmara de filmar. Hoje, todos revêem com muito gosto aqueles filmes.
E a mim, tal como prevê lhe irá acontecer, bate-me forte um sentimento estranho, indefinível, mas que me faz sentir um nó na garganta.
😉
É a primeira vez que oiço falar de um assunto que me atormenta. Rever retratos dos meus filhos crianças, dá-me um nó na garganta e uma sensação indescritível. Como o tempo passa!
Meu caro Rui,
se por um lado concordo consigo, por outro creio que eles serem mais velhos trazem-nos diferentes alegrias.
O primeiro passo é trocado pela primeira lição de condução. A ida ao baloiço passa a chamar-se futebol. As primeiras palavras acabam anos mais tarde em belíssimas discussões de quem foi o melhor jogador do Sporting.
Por isso digo-lhe, com conhecimento de causa, aproveite agora sim a meninice dos seus filhos. Mas o futuro também é risonho.
Santa Páscoa!
Cá em casa dói tanto a saudade,que exageramos na dose do tratamento abebésado da nossa Leonor que por acaso faz hoje 6 anos. e por causa desse tratamento não a estávamos a deixar crescer. Não imagina como entendemos essa dor e por mais que custe a acreditar a saudade dói.
Ter tempo para pensar por vezes aumenta a dor.
Estou com o José do Xã, aproveite para gozar as ondas desta maré propícia, a meninice dos seus filhos, porque o futuro também pode ser risonho.
Estes são os meus votos.