Recolher obrigatório


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(Postal de 2.7.2021)

 

Devido a louvor alheio acabo de ler um artigo de uma afamada jornalista de investigação – do independente Diário de Notícias – no qual, e a propósito do Ministro da Administração Interna, as críticas aos governantes são resumidas a oportunismos de oposicionistas, afadigados a tentarem fazer cair ministros.

 

Por isso aqui garanto que não tenho a utopia de derrubar o sempiterno ministro Santos Silva, ainda por cima logo após a conclusão da presidência europeia. Apenas recordo que há menos de um mês o ministro (dos negócios estrangeiros) considerava “intempestiva”, incompreensível e baseada em “irrelevância estatística” a decisão do parceiro britânico de controlar as deslocações ao nosso país – algo que depois a Alemanha também decidiu -, ameaçando-o mesmo com “retaliações”.

 

Agora, e enquanto os avençados d’agora se desdobram em elogios ao governo, à “Super-Marta”e ao “está tudo bem” (como o sportinguista deputado Pinotes quando vai comentar futebol à TV), é declarado o recolher obrigatório em 45 concelhos. Decerto que medida “intempestiva” devido a uma “irrelevância estatística”, dirá o auto-proclamado “parolo”.

 

Quanto aos críticos? “Oportunistas”, clamará a “jornalista de investigação” câncio no seu espaço no independente “Diário de Notícias”. E os oficiais de comunicação – no ISCTE e não só – reforçarão os elogios à “Super-Marta”.

 

No fundo? “Porreiro, pá!”.

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