
Ainda é cedo para se perceber o que aconteceu nestas eleições europeias, mas parece ter ocorrido uma rebelião contra os partidos do sistema. Os socialistas já não lideram a esquerda europeia, pelo menos sozinhos, e ficaram atrás dos verdes em dois grandes países, França e Alemanha. O Partido Popular Europeu (PPE) e os Socialistas e Democratas (SD), que controlavam o parlamento, perderam o seu confortável monopólio e terão de juntar a família de partidos liberais ao núcleo dominante (Portugal não elegeu ninguém para este grupo). Os conservadores do PPE continuam a perder votos para uma direita radical que teve um desempenho mais ou menos: vitória em França e Itália, mas resultados decepcionantes na Holanda e Alemanha (Portugal também não tem ninguém neste grupo). Na nossa comunicação social, a amálgama de populistas, extremistas e reformistas é descrita como um conjunto homogéneo que tem a intenção de destruir a Europa, mas a coisa é mais complicada e consiste, na realidade, na ascensão de vários movimentos de protesto que pretendem mudanças, nem sempre compatíveis entre si. Finalmente, no Leste, há também um fenómeno claro, refiro-me à forma como os partidos pós-comunistas estão a ser cilindrados, agora não apenas na Hungria e na Polónia, mas em toda a região. O que significam estas rebeliões eleitorais? É cedo para percebermos, mas o voto de protesto na Europa aumentou; a crise financeira está finalmente a produzir os seus efeitos políticos e começa a viragem de ciclo (o fim da Era Merkel e o início de outra fase). O próximo parlamento europeu será bem mais interessante do que o anterior e o Brexit é inevitável. Em relação a Portugal, onde se instalou uma desilusão melancólica, o eleitorado acentua a agonia da direita, mas vota à esquerda sem a convicção do passado.

Não é cedo para perceber o principal. Existe uma expressiva maioria, mesmo entre os partidos conservadores, como é o caso da Polónia, que entende, e bem, que a UE é governada por um sindicato de interesses que tem no seu Concelho e no Eurogrupo alguns dos seus procuradores.
Infelizmente em Portugal esse grupo de interesses está representado pelo PS que não aquece nem arrefece em termos eleitorais. Costa continua a ser a representação do governante poucochinho. Curiosamente este status quo tem sido mantido pelo BE, um partido neo-esquerdista que juntamente com o PS simbolizam a ultra-ortodoxia reaccionária feminista lgbtísta.
Para Portugal, se alguma ilação se pode tirar, será o facto da campanha eleitoral para as legislativas começar agora, e todos os partidos da oposição vão fazer Costa engolir a recente chantagem. O PS está absolutamente trucidado. Mas como Costa é um habilidoso que gosta de poder, tentará de todas as formas desalinhar com Macron e reverter a sua postura num acto de cosmética.
Num outro sentido, Portugal, uma vez mais, ao invés de se ter afirmado como um país empenhado em reformar Bruxelas, continuou a estar alinhado com as forças reaccionárias invisíveis que através desta nos oprimem. Portanto, Costa é o rosto mais recente da opressão gerada por via orçamental contra o povo português, com a ajuda do BE.
Assim sendo, dependemos das forças dos outros países europeus agora eleitas para o PE para respirarmos a liberdade que Abril nos ofereceu e que foi tomada por aqueles outros anteriormente citados.
Será um caminho de espinhos, mas o PS entrará em agonia. Espero que os seguristas se cheguem à frente.
O PPE continua a ser a principal força política no PE. Porém desenha-se uma nova actuação destes. Nada está garantido, a não ser que a mudança ocorrerá.
Vento esqueça os seguristas, isso não existe.
O que existe é o PS e se soube sobreviver após a última derrota então agora é que ninguém os segura. A próxima crise em Portugal está próxima e o álibi já existe, a desconstrução europeia.
Os “poderes” na Europa e no Mundo continuarão a zelar pela sua existência, não tenha dúvidas.
WW
WW, é provável que tenha razão relativamente aos seguristas, no PS. Mas é somente uma probabilidade. Todavia eles existem fora da estrutura partidária.
O PS não sobreviveu a nada. Já escrevi no post de Sérgio Almeida a este respeito.
A UE será desconstruída na forma como se rege, mas manter-se-á. E não é somente por causa dos poderes no mundo, é pelo poder que os eleitores estão a demonstrar na Europa.
Em Portugal não apareceu o partido dos descontentes com a EU. Nos que há, esses partidos foram vencedores.
Cretinamente, diria que com métodos totalitários, a Carneirada e os Chicos-Espertos candidatos que ainda não perceberam que a EU é autocrática e caminha para um totalitarismo, chamam-lhes Extrema-Direita.
O Brexit foi a saída apressada do povo mais democrático do mundo antes que fosse tarde de mais.
Se ainda não perceberam que o descontentamento vai aumentar, têm de ter cuidado porque chamar pelo Diabo, ele aparece.
(ie, quero me rir quando os descontentes tatuarem a cruz nazi na testa, a culpa é dos cretinos).
Discordo inteiramente do título do post, já com o conteúdo está correcto aliás na senda dos escritos do autor aqui no DdO vai para mais de dois anos que soube interpretar e prever as mudanças que se vão efectivando na Europa.
WW
A escolha (…) do próximo Presidente da (poderosa) Comissão Europeia & associados penduras -na sequência dos resultados de estas eleições- será um interessante e significativo sinal do que esta União Europeia ainda é, e do que esta União Europeia poderá ainda vir a ser, nos próximos tempos.
Muitas carecas irão ser destapadas. Grande espetáculo.
o Brexit é inevitável
Isso não é evidente.
Vendo os resultados das eleições no Reino Unido, constata-se que os partidos resolutamente anti-Brexit (LibDem, Green Party, Change UK, e Scottish NP) tiveram no seu conjunto um pouco mais de votos que os partidos resolutamente a favor do Brexit (Brexit Party e UKIP).
Ou seja, se estas eleições fforem interpretadas como um referendo ao Brexit (que não são, mas muitos defenderam tal interpretação), então o Brexit perdeu.
Felizmente Portugal e Espanha são a exceção da Europa.
Nos outros 26 países a direita, o centro direita, conservadores ou liberais, ganharam ou têm larga maioria.
A maior derrota para Portugal tem ainda a abstenção, 70%.
Foi a derrota da democracia.
Só prova que quando aparecer alguém verdadeiramente patriota e não alinhado ao sistema corrupto e falso que comanda Portugal, vai arrebatar toda a população e esmagar os partidos do velho sistema podre e moribundo.
Vai vencer de forma estrondosa mesmo contra a mídia, vendida ao sistema e contra os poderosos.
Olhem o exemplo do Brasil.
Informem-se, vejam a revolução espontânea do povo brasileiro.
“O que significam estas rebeliões eleitorais? É cedo para percebermos, mas o voto de protesto na Europa aumentou; a crise financeira está finalmente a produzir os seus efeitos políticos e começa a viragem de ciclo (o fim da Era Merkel e o início de outra fase). O próximo parlamento europeu será bem mais interessante do que o anterior e o Brexit é inevitável. Em relação a Portugal, onde se instalou uma desilusão melancólica, o eleitorado acentua a agonia da direita, mas vota à esquerda sem a convicção do passado.”
Raciocínio errado.
O povo europeu está é farto de PM’s azeiteiros, peneirentos, bons “vivants”, políticos corruptos, inúteis e quejandos.
Ainda iremos chorar pela Angelinha Deutsch.
Como dizia o outro, é a vida.
Não tem nada que ver com “crise financeira”. É Guerra Cultural que o Marxismo declarou ao Ocidente.
lucklucky
o Post nao fala na abstençao, e incomodar-me-ia que falasse.
Mas a extrema direita, em portugal, teve a oportunidade de apanhar a malta distraida, desinteressada e acorrer a votar. E certo que sao pouquinhos e envelhecidos, ainda mais que desiludidos, pois sem esperança estao desde 1976 e 1977, mas tiveram ( mais uma ) a oportunidade da vida.
A referencia a ” nem sempre compatíveis entre si “, confirma o que se sabe, mero protesto, mesmo se genuino, mas inconsequente. Se fosse possivel a liberdade de expressao inofensiva, ate salazar a tinha introduzido. Agora, nestes tempos, juntam-se no mesmo protesto, pessoas a clamarem por agua para a horta e pessoas a clamarem por agua para a piscina privada.