RDA, 1949-1989


Pedro Correia,

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Tanques soviéticos esmagando a rebelião operária em Berlim-Leste, capital da República “Democrática” Alemã (17 de Junho de 1953)

 

O fim da ditadura. O fim da repressão. O fim do partido único. O fim das manifestações orquestradas a favor dos ditadores Ulbricht e Honecker. O fim do vergonhoso servilismo perante a União Soviética. O fim dos “crimes” de natureza política. O fim da sociedade de delatores, tão bem retratada nessa obra-prima do cinema contemporâneo que é A Vida dos Outros. O fim da proibição do direito à greve. O fim da proibição do direito à manifestação. O fim da imprensa amordaçada, submetida ao pensamento único do Partido. O fim da polícia política. O fim dos delitos de opinião. O fim da Stasi – a PIDE leste-alemã. O fim dos tiros disparados, na calada da noite, contra quem ousasse transpor a fronteira. O fim da perversão da palavra democracia, usada como emblema de um Estado que sempre a espezinhou.

Além do derrube do Muro, é também isto que hoje festejamos. O fim de um pesadelo que durou 40 anos.

29 comentários em “RDA, 1949-1989”

  1. Junto-me à tua prosa e aos votos, mas com o sentimento de que toda a comemoração como esta só vale para que nada disto se repita em qualquer outro lado do mundo e sob qualquer outro sinal ou pensamento.

    1. Excepto na Chininha que por lá anda a Coca-Cola, a McDonald e outros dinheirinhos.
      Em HongKongsinho estão a estragar as loginhas com bandeirinhas às risquinhas e estrelinhas.
      Mas lá o murinho é muito compridinho e eles até podem sair para fazer negociosinhos.
      Não são como os outros malandrinhos, são comunistasinhos que andavam todos vestidinhos de igualzinho e assim podiam …….

        1. Quer se dizer. Houvesse por lá McDonald, Coca-Cola, Donuts e outras marcas USA o muro era para ninguém entrar.

          1. Essa foi a justificação para levantar o muro. Para evitar que a RDA fosse “invadida”. Embora o problema fosse inverso: quase todos queriam fugir de lá.

          2. Só foi levantado muro em Berlim porque a fronteira interna da cidade dividida era altamente permeável. Cada vez mais gente fugia todos os dias da metade oriental para a metade ocidental.
            A fronteira externa da RDA estava guardada até aos dentes. Pelos soviéticos e pelos seus títeres leste-alemães.

          3. Aquilo é que era.
            Milhares de soldados de 50 em 50 metros, do Báltico até à Suíça.
            E nem sequer havia um único corrupto secreto que deixasse passar por troca de marcos-oeste.
            Ninguém fugiu por aqueles lados, só queriam fugir por Berlim, ou também aconteceu mas não tinha grande impacto e não se ‘contabilisou’

  2. E lembro-me de um professor me dizer que a RDA era um país tão desenvolvido economicamente como a RFA…olhei para ele com ar incrédulo e nunca mais falámos sobre política…

    lucklucky

  3. Andam por ai, uns defensores dos muros, como se os muros alguma vez tivessem resolvido alguma coisa, que não fosse criar miséria, sofrimento, separação, violência, mortes …..

  4. Se uma república existe por vontade de um povo então pode dizer-se que a maior mentira era logo o nome da RDA, que não era uma República, muito menos Democrática e quanto muito apenas meio Alemã, ou então apenas prussiana.
    Era tudo mentira.

  5. O fim da sociedade de delatores

    Não é bem assim.

    Ainda recentemente estive em Vilnius (capital da Lituânia), onde me espantei por não ver quaisquer automóveis mal estacionados (na faixa de rodagem, em segunda fila, no passeio…). Interroguei o meu cicerone, que me informou que, se uma pessoa estacionasse mal o automóvel, tinha enormes probabilidades de que qualquer transeunte telefonasse imedaitamente para a polícia a denunciá-lo, e a polícia rapidamente apareceria para tratar do assunto.

    Portanto, a sociedade de delatores está bem viva. E com excelentes consequências no ordenamento do estacionamento.

    1. Pois, por cá nada de muros. Houve até um pequeno negócio (tinha que ser pequeno como todos os outros negócios por cá) quase semioficial, que a pagamento duns contos de reis passavam até França. Julga-se que foram mais de um milhão de pessoas que passaram para França, Alemanha, Luxemburgo nessas condições.
      Também houve alguns que levaram tiros da GF ou GNR.
      Mas nada de comparações, ou melhor, a única comparação é que os comunistas também não saíam de cá, mas por estarem presos.

      1. Boa tarde , não sei o que dizer , um milhão de portugueses saiu de Portugal , quantos saíram da RDA ?

        Luis Almeida

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