RDA, 1949-1989


Pedro Correia,

 

O fim da ditadura. O fim da repressão. O fim do partido único. O fim das manifestações orquestradas a favor dos ditadores Ulbricht e Honecker. O fim do vergonhoso servilismo perante a União Soviética. O fim dos ‘crimes’ de natureza política. O fim da sociedade de delatores, tão bem retratada nessa obra-prima do cinema contemporâneo que é A Vida dos Outros. O fim da proibição do direito à greve. O fim da proibição do direito à manifestação. O fim da imprensa amordaçada, submetida ao pensamento único do Partido. O fim da polícia política. O fim dos delitos de opinião. O fim da Stasi – a PIDE leste-alemã. O fim dos tiros disparados, na calada da noite, contra quem ousasse transpor a fronteira. O fim da perversão da palavra democracia, usada como emblema de um Estado que sempre a espezinhou.

Além do derrube do Muro, é também isto que hoje festejamos. O fim de um pesadelo que durou 40 anos.

 

Imagem: tanques soviéticos esmagando a rebelião operária em Berlim-Leste, capital da República ‘Democrática’ Alemã (17 de Junho de 1953)

8 comentários em “RDA, 1949-1989”

  1. Antes deste li o texto do Carlos Barbosa de Oliveira. Apesar de, regra geral, estar mais próximo da área política dele do que da tua, neste caso, tenho de subscrever por inteiro o teu post e não o dele, que me parece desviar as atenções do essencial e quase “branquear” o que era o bloco soviético. A memória é importante.

    1. Também há por cá quem preferisse os ‘bons velhos tempos’ do Salazar. Nostálgicos de ditaduras haverá sempre. Mas a esmagadora maioria das pessoas, felizmente, prefere viver em liberdade. Com crises, certamente. Com dificuldades, certamente. Com incertezas, certamente. Com menos ‘ordem nas ruas’, certamente. Mas em liberdade.

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