O fim da ditadura. O fim da repressão. O fim do partido único. O fim das manifestações orquestradas a favor dos ditadores Ulbricht e Honecker. O fim do vergonhoso servilismo perante a União Soviética. O fim dos ‘crimes’ de natureza política. O fim da sociedade de delatores, tão bem retratada nessa obra-prima do cinema contemporâneo que é A Vida dos Outros. O fim da proibição do direito à greve. O fim da proibição do direito à manifestação. O fim da imprensa amordaçada, submetida ao pensamento único do Partido. O fim da polícia política. O fim dos delitos de opinião. O fim da Stasi – a PIDE leste-alemã. O fim dos tiros disparados, na calada da noite, contra quem ousasse transpor a fronteira. O fim da perversão da palavra democracia, usada como emblema de um Estado que sempre a espezinhou.
Além do derrube do Muro, é também isto que hoje festejamos. O fim de um pesadelo que durou 40 anos.
Imagem: tanques soviéticos esmagando a rebelião operária em Berlim-Leste, capital da República ‘Democrática’ Alemã (17 de Junho de 1953)


Antes deste li o texto do Carlos Barbosa de Oliveira. Apesar de, regra geral, estar mais próximo da área política dele do que da tua, neste caso, tenho de subscrever por inteiro o teu post e não o dele, que me parece desviar as atenções do essencial e quase “branquear” o que era o bloco soviético. A memória é importante.
Alguma vez havíamos de estar em sintonia. E aposto que esta não será a última.
mas tem gente por cá, Portugal, que gostava do tempo antes do derrube.
Também há por cá quem preferisse os ‘bons velhos tempos’ do Salazar. Nostálgicos de ditaduras haverá sempre. Mas a esmagadora maioria das pessoas, felizmente, prefere viver em liberdade. Com crises, certamente. Com dificuldades, certamente. Com incertezas, certamente. Com menos ‘ordem nas ruas’, certamente. Mas em liberdade.
Ora bem.
Ich bin Berlinerin!
🙂
Vou fazer link, PEdro. Obrigado.
Abraço 🙂
Obrigado eu, Ana Paula.