Rascunhos


escafandro,

Oito páginas. Tenho oito páginas de rascunhos na área de gestão do blogue. A vinte rascunhos por página, são cento e sessenta rascunhos. Bom, cento e cinquenta e dois porque na última página só há doze. É também verdade que uns quantos estão repetidos e que vinte ou trinta contêm apenas fotografias ou vídeos musicais que, por alguma razão, não publiquei mas também não apaguei (custa-me apagar coisas). Ainda assim. É uma catrefada de textos começados e largados a meio ou acabados e deixados a definhar. E porquê? Nuns casos porque a oportunidade para a sua publicação se desvaneceu (ainda lá estão dois ou três sobre Vítor Gaspar), noutros porque perdi o ímpeto para os finalizar, na esmagadora maioria dos casos porque são uma… er… trampa. Sim, digamos trampa.

Ter tantos rascunhos poderia denotar uma criatividade espectacular. Infelizmente, não é o caso. Apenas mostra que o meu cérebro consegue produzir muito mais dejectos do que qualquer outra parte do meu corpo – como inúmeros leitores, baseando-se apenas nos textos publicados, foram certamente percebendo (há gente que exsuda perspicácia). Mais perturbador ainda: entre tantos rascunhos deveriam encontrar-se várias obras-primas. Dois, três, quatro textos tão subtis que, se publicados, a inveja levaria Pedro Mexia a arrancar cabelos e penugem facial ou tão verrinosos que Vasco Pulido Valente gaguejaria de despeito durante horas. A velha história do macaco que, posto a martelar teclas durante tempo suficiente, acaba por escrever os Lusíadas… Mas não. Decididamente, não. Não este macaco. Na melhor das hipóteses, grassa por todos aqueles textos uma ofensiva mediania. Encontram-se, os completos e os incompletos, mais ou menos ao nível deste. Razão pela qual será melhor deixá-lo também como rascunho. Será o décimo terceiro da oitava página. Daqui a uns dias, a umas semanas ou a uns anos talvez o publique. Quando tiver dezasseis páginas de rascunhos.

0 comentários em “Rascunhos”

  1. Não te preocupes, José António. Eu tenho “só” cinquenta e cinco páginas de rascunhos. De textos que por algum motivo que esqueci não foram publicados, outros que ficaram incompletos, outros que perderam oportunidade, vários de citações que hei-de usar um dia, uns poemas, muitas canções (já para a série que vai seguir-se às canções do século) e muitos etc.
    Uma espécie de baú, enfim.
    Geri-lo nem sempre é fácil: por isso faço limpezas periódicas. E percebo muito bem este teu desabafo.

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