Rapariga, mulher, outra


Cristina Torrão,

rapariga mulher outra.jpg

Há pessoas brancas e pessoas negras, certo? Sim, mas… onde se ordenam os outros matizes? Mesmo sem falar daqueles que apelidamos de peles-vermelhas ou amarelos, sem falar de ciganos ou indianos, há toda uma paleta de cores entre o branco e o negro. Há os mestiços de todas as etnias e feitios, há os mulatos e as mulatas e, entre estes, há mulatos escuros, mulatas claras, mulatos e mulatas propriamente ditos (assim cor de café com leite). Há mulatos quase brancos, há mesmo mulatos que não se distinguem dos brancos. E há brancos morenos, bem mais escuros do que os mulatos, incluindo senhoras brancas da socialite que investem muito num bom bronzeado, durante a época balnear. Andam muitas pessoas pela Europa convencidas de que são brancas e têm antecedentes negros, porque houve famílias negras que, com a miscigenação, se tornaram cada vez mais brancas. Até há louras e louros descendentes de negros sem o saberem.

Mas não é só a cor da pele a tornar difícil ordenar as pessoas. Também o sexo. Há mulheres e homens, certo? Sim, mas… há pessoas que não se sentem nem um nem outro. Há mulheres bissexuais e outras que se sentem atraídas apenas por mulheres. Entre estas, há as que não têm dúvida de que são mulheres, mas outras que se sentem homens e gostariam de mudar de sexo. Mas também há as que gostam de se vestir “à homem”, que adoptam atitudes masculinas, mas que se sentem bem sem mudar de sexo. E nem todas as mulheres que gostam de se vestir “à homem” e adoptar atitudes masculinas são lésbicas. Também há quem não se consiga decidir. Com os homens é igual.

É justo sermos ordenados e julgados pela nossa cor de pele, ou pelas nossas preferências sexuais, que nem nós sabemos explicar, apenas sabemos que nascemos assim? Este livro de Bernardine Evaristo, vencedor do Man Booker Prize 2019, é, desde já, um dos livros da minha vida (por isso, falo dele aqui). Porque nos torna mais humanos e nos ajuda a compreender muitos fenómenos. É impressionante a maneira como Bernardine Evaristo faz desfilar toda uma série de personagens, com as mais diversas formas de vida, sem julgar, nem ser tendenciosa.

O livro centra-se mais na mulher negra, a última da hierarquia social, aquela que só vem depois de todos os homens e todas as outras mulheres. Mas não pensemos que a autora faz o seu elogio,  apresentando estas mulheres como se não tivessem mácula, ou fossem apenas vítimas da sociedade branca e machista. Bernardine Evaristo mostra-nos igualmente como uma lésbica narcisista pode manipular e subjugar a sua companheira ao melhor estilo machista (independentemente da sua cor). E também nos mostra como os negros podem ser racistas. Não se trata igualmente de um livro de ódio aos homens, mostra-nos inclusive como um homem pode ser a salvação na vida de uma mulher, como lhe pode dar autoestima e proporcionar-lhe uma vida decente, de forma desinteressada e incondicional, depois de essa mulher ter sido discriminada e humilhada no seio da própria família.

Retratos de mulheres fortes e fracas, de lésbicas, bissexuais, transexuais, heterossexuais e outras que tais, de mulheres negras e brancas, mulatas, mestiças, de brancas, uma delas loura e racista, que não fazem ideia do sangue negro que lhes corre nas veias.

Este livro é um tesouro. É assim que o vejo. Naturalmente, recomendo-o. Abram as vossas mentes! A vida é colorida, não a preto e branco. Somos todas e todos humanos.

 

Nota: são livres de expor as vossas ideias, mas qualquer comentário que, mesmo contendo opiniões válidas, eu considere degradante em relação a certas pessoas, ou me ataque pessoalmente (tentando explicar a minha psique, me acuse de ódio, ignorância, ou tente desvalorizar* o meu modo de pensar), será apagado.

 

* digo “desvalorizar”, não “discordar”

64 comentários em “Rapariga, mulher, outra”

  1. Há mulheres […] que se sentem atraídas apenas por mulheres. Entre estas, há as […] que se sentem homens e gostariam de mudar de sexo.

    Pois. Isto não levanta muitos problemas, mulheres que decidem mudar de sexo. Mas o caso mais vulgar de transexuais é o contrário, homens que (não) decidem mudar de sexo. E esse caso tem sido extremamente problemático nos EUA e na Inglaterra, porque é crescentemente vulgar e porque levanta problemas muito melindrosos de inimizade entre transexuais e feministas, com indivíduos que têm um pénis e que nalguns casos gostam de mulheres, mas que decidem que são mulheres e que querem ser tratados como tal, por exemplo utilizando os balneários femininos.
    O presidente Biden mal tomou o posto pôs logo a pata na poça, decidindo que todo e qualquer indivíduo com pénis que decida dizer que é mulher passa a ter o direito de ser tratado como tal.

  2. O problema, é mesmo esse, o da “Nota”.
    Essa inibição da Liberdade de Opinião a que condena os Outros, com veemência.
    O querer ser de um “género”, qualquer.
    Não conseguir prescindir dessa animalidade, para Ser.

  3. “O livro centra-se mais na mulher negra, a última da hierarquia social, aquela que só vem depois de todos os homens e todas as outras mulheres”
    A sério que não entendo de onde é que surge esta ideia?
    Estamos a falar dos dias de hoje? Onde mulheres negras podem deter (e detêm) imenso poder?
    Normalmente gosto dos Booker Prize, são refrescantes. Mas este livro parece-me já alimentar demasiados preconceitos… e tentar cavalgar o espírito dos tempos…

    1. Só o conceito de “mulher negra” como um dado absoluto —como se existisse uma entidade colectiva que age com o mesmo propósito composto de todas as mulheres negras, ou a que todas elas aderem automaticamente por nascimento (tipo aristocracia) — é repelente.

      Repelente porque é mais uma das falácias do pensamento da esquerda. Mais uma patranha marxista, mas que garante bons resultados. Usar patranhas e falácias intelectuais porque dá resultados é a característica mais evidente do marxismo e das pessoas de esquerda. Uns porque pensaram muito e usam o truque — outros porque pensam pouco (e mal) e repetem a conversa dos activistas que ouviram nas CNNs e nos pobres jornais portugueses.

      Estes estatutos colectivos são apenas subterfúgios ou manipulações — e apenas servem para destruir e contornar o estado de direito. A igualdade já está na Lei.

      Trabalhem. Os camponeses europeus demoraram 1500 anos a chegar a ser “classe média” e os socialistas, que estavam entre eles, estão a traí-los e a fazê-los recuar 1000 anos para o tempo das superstições e dos terrores nocturnos.

      1. Bem visto. Nos EUA já se discute o que é ser negro para se ser elegível no acesso à discriminação positiva. É ter progenitores negros? É ter acima de uma determinada quantidade de melanina na pele? Pode ser determinado por testes genéticos? Enfim, um sarilho…
        Para mim há pessoas e ponto final.
        É um crime convencer as pessoas que são inevitavelmente vítimas por causa de uma determinada característica física.

        1. Sobretudo quando esses crimes ocorreram há 500 anos.

          E os crimes que os ditadores africanos —os herdeiros dos que vendiam os seus primos aos colectores de escravos muçulmanos— praticam hoje? E os crimes que vão praticar amanhã — e que depois aparecem como criancinhas com fome nos anúncios da Unesco, de certo vítimas de indiferença dos… de quem, dos africanos? Dos chineses? Dos vietnamitas que também vendem as filhas para a prostituição e para o comércio de escravos? Ou sei lá, dos indianos que matam as filhas para não terem de pagar dote?? Nada disso, vítimas por simpatia da culpa subliminar (vem nos jornais) dos europeus e dos americanos. Ah, e dos israelitas, com certeza — esses estranhos fascistas que já foram vítimas numa peripécia moral que ainda ninguém decifrou mas os comunistas já tinham intuído.

          Com esses crimes, os crimes actuais —assassinatos, violações, excisão feminina— que os intocáveis políticos, militares e civis africanos perpetram todos os dias sobre as “mulheres negras” ninguém se preocupa nem parecem indignar ninguém. Não, o que interessa são as empregadas de escritório negras do Harlem e os comentários xenófobos no Observador.

          1. Já agora, se por acaso a Cristina aplicasse o crivo definido pela sua nota prévia aos seus próprios comentários, teria publicado o seu comentário das 18:54 ao meu comentário das 12:02?

          2. É discutível, está em cima da linha, de facto. Mas o seu comentário das 12:02 é extremamente discriminatório. Por exemplo: vender as filhas para a prostituição acontece em todo o lado, matar filhas, seja para o que for, também. Acontece todos os dias, na nossa civilizada Europa, no nosso querido país.

          3. Cristina… Não acontece em todo o lado daquela maneira. Pode acontecer esporadicamente, há situações de violência — mas as regiões do globo que apontei são conhecidas, entre outras coisas boas, por essas coisas serem realidades culturais. São coisas reais, diárias, há tráfico organizado, há turismo sexual, caramba.. não se pode comparar (o mais parecido mais perto é na Albânia e no Kosovo e não é na mesma escala). No Vietname, Laos, etc toda essa região até ao Bangladesh, há tráfico de escravos, muitos deles vendidos pelas próprias famílias. Só não sabe quem não quer saber. Aliás, referi esses factos não para discriminar mas para lembrar que —ao contrário das “lutas” raciais em larga medida intelectualizadas que agora as esquerdas europeias estão a importar da América e que normalmente radicam no rancor e na História e na própria metodologia da esquerda para conquistar poder nas universidades e nas organizações, estas e outras situações na Ásia e em África (como os massacres regulares no Uganda e toda a região dos grandes lagos) e isso sim são situações ACTUAIS e ENDÉMICAS de violência racial e de género — mas sobre isso ninguém fala.

            Em relação aos EUA, só para esclarecer, como é sabido as situações de conflito racial que acontecem nos States são episódios que começam ligados à marginalidade e casos de polícia, não são na origem lutas “étnicas” ou raciais — e depois há todo um desenvolvimento mediático que segue um padrão típico — não muito diferente do que está a acontecer agora em Espanha em relação ao caso do rapper…

            Se é que se pode chamar àquilo rap. Aquele tipo deve estar preso mas não é pelos insultos à monarquia: é pela qualidade da música.

          4. Não nego nada disso. Só não concordo que se generalize, condenando todo um povo. Há muitos vietnamitas, indianos, negros, etc. contra práticas dessas e lutando para acabar com elas. Não podemos cair no erro de ver um vietnamita e logo concluir que é um vendedor de filhas!

            Houve negros a colaborar com a escravatura, sim. Como houve judeus a colaborar com o Holocausto, por exemplo. Não podemos estigmatizar todo um povo pelos crimes de alguns. Além disso, condenamos com mais empenho crimes desses nos outros povos do que no nosso. Um preto racista é visto com grande rancor e ódio, com grande indignação. Como se atrevem? Um branco racista, enfim, não passa de uma pequena chatice, ou um caso de ignorância. Porquê?

  4. Excelente texto. Nos dias de hoje, faz falta que alguém exponha publicamente contra a vontade manipuladora e supostamente ”politicamente correta”, que o racismo pode provir de qualquer pessoa, seja branca, negra ou o que for. Os negros não são imunes a serem racistas. Afinal não somos todos humanos, com as mesmas virtudes e erros ? Obrigado pela dica do livro.

  5. Se apagar o meu não tem qualquer espécie de importância.
    Entre indianos e ciganos não existe praticamente diferença
    dado que os ciganos são oriundos essencialmente da Índia.
    Longe de mim ofender seja quem for.

  6. Há uns anos numa das minhas aulas, desentenderam-se 2 alunos africanos. Murros pra cá murros pra lá.
    Consegui separá-los. Um deles a cada murro gritava, toma lá ó preto!
    Perguntei, você está a chamar preto ao seu colega?
    Ele, o aluno; ó professor ele é preto ou não é?
    Interprete como quiser.
    Cumps.

    1. Uma professora de uma escola internacional de Luanda, contou-me um dia, ao perguntar aos alunos o que era o racismo vários alunos (negros) responderam que era os brancos nao gostarem dos negros… Cada um interprete como quiser.

  7. Depois de ler este texto tão colorido o meu comentário só pode ser em cor de rosa bebé. Mas depois de ler a nota mudei para cor de rosa choque.
    Enervei-me a temperatura subiu e a cor desmaiou.
    Não sou de desistir e pintei o comentário da cor da esperança. Porque para viver num mundo com tanta cor, sem que algum pigmento fique alterado, não há nada melhor do que ser transparente.

  8. Cristina Torrão, muito teria a dizer sobre o seu “post” mas limito-me, para já, a recomendar-lhe um outro livro, “How To Be An Antiracist”, do Ibram X. Kendi, que desconheço se até existe uma versão traduzida para português, e a pedir-lhe que se informe sobre a origem de vocábulos como “mulato” ou outro que até não recorreu, “cabrito”…
    O meu obrigado pelo seu “post”: se há verdadeiro “delito de opinião” neste blogue, é o que V. escreveu.

  9. Não li o livro e por isso não sei, se Bernardine Evaristo coloca a situação de existir ou não nas sociedades de índios da Amazónia, de aborígenes da Nova Guiné ou doutras em estado de “pouca civilização” qualquer tipo de tendência declarada de bissexuais/homossexuais.

    1. Não, ela não fala disso, o livro centra-se em Inglaterra (uma grande parte, em Londres), onde a autora, ela própria com antecedentes migratórios, vive.

      Mas levanta uma questão interessante. Realmente, nunca li nada sobre isso. Diria, porém, que, nessas sociedades, há as mesmas tendências como em toda a parte, mas serão mal aceites. Sempre houve homossexualidade e bissexualidade entre os humanos. Nós também as escondíamos, só há cerca de cinquenta anos se começou a falar nisso. No entanto, em tempos passados, quem tivesse poder e riqueza, caso tivesse essas tendências, raramente se coibia de as praticar e raramente era castigado por isso. Os pobres e os vulgares, como em tudo, sempre tiveram mais azar.

      1. Julgo que nas sociedades ‘atrasadas de civilização’ as tendências sexuais são bem definidas: homens para fazer e mulheres para ter descendentes.
        Por isso, nessas sociedades seria muito esquisito poder existir homossexualidade de “tendência à nascença”. Nessas sociedade não há aleijados ou alguém que prossiga com deficiências visíveis à nascença.
        Parece existir uma relação directa do homossexualidade masculina devido ao relacionamento prolongado em tempos de guerra, incluindo as sevícias aos prisioneiros entre os árabes, p.ex., e doutro lado as mulheres ficarem durante muito tempo sem homens para seu relacionamento sexual. Depois houve uma evolução até passar ao hábito entre gregos dos senhores terem um rapazinho e entre as mulheres até era interessante. A cultura religiosa judaica-cristã e a muçulmana acabou com esta rebaldaria.

          1. Cristina Torres, não é tão estranho assim.
            Provavelmente serão “eliminados” à nascença ou não se desenvolvem acabando por morrer.
            Temos os caso dos ciganos, nunca se vê um cigano aleijado.

      2. Basta ler o Panjamon ou outros livros que falam de experiências de ocidentais entre tribos de índios sul-americanos. Tudo menos o Schneebaum porque esse foi lá à procura de justificar a sua causa. Ou seja é a descoberta ao contrário. É o sobrepôr a um acto inocente e original uma intenção que não está lá no início.

        E essa permanente contaminação do assunto universal pelos motivos particulares é o problema da homossexualidade (que está relacionado com a cultura exclusivista a que o tal juiz do Tribunal Constitucional aludiu há uns dias), não é ser-se homossexual propriamente que é o problema, obviamente, isso não é problema nenhum. Estranho é fazer-se um grande alarido acerca disso. E como tal o porquê do alarido é a verdadeira pergunta a colocar.

        Em suma, andam sempre a impingir estas tretas porque no fundo trata-se de criar clubes que distribuem riqueza e favores entre si (por exemplo, quantos empregos são distribuídos de acordo com este critério por cima dos outros critérios, sabem? Eu sei, são muitos) e é nesse sentido agem contra a igualdade entre todos prescrita na Constituição da república. Porque se há igualdade, a minha preferência sexual, cor, clube de futebol, partido não dever ser um critério de selecção nem é necessário contaminar a verdadeira cultura com isso — porque isso não é cultura.

        1. Como nunca tinha ouvido falar do “Panjanon”, lá fui à procura dele na Net e, do que encontrei, acabei por descobrir que as «experiências de ocidentais entre tribos de índios sul-americanos» nele, apenas se reportam a um livro de aventuras de um europeu (“ocidental”) «entre tribos de índios sul-americanos» na ilha do Bornéu – Se não sabem onde fica essa ilha, eu situa-a: é algures na América do Sul, encaixada entre países (evidentemente sul-americanos) como a Indonésia, a Malásia, as Filipinas, Singapura, ou o Vietname…
          Como em quase todas as obras literárias dessa sub-espécie, os coitados dos brancos capturados pelos “primitivos”, ou “selvagens”, são castigados exemplarmente com um casamento forçado com claro, nunca menos do que a filha predilecta do cacique-ditador da racista tribo protagonista. Schneebaum? Sim, esse não conta: o gaijo não só não foi obrigado a ter de casar com a habitual “princesa” como até, pelos vistos, acabou por enfrentar a «descoberta ao contrário» (“V.” dixit!).
          “V.”, como nunca li o “Panjamon” não me posso pronunciar sobre as “conclusões” que lhe permitiram avançar com toda essa lengalenga onde recupera o discurso antissemita nazi («fazer-se um grande alarido acerca disso», «criar clubes que distribuem riqueza e favores entre si», «agem contra a igualdade entre todos» ou «nem é necessário contaminar a verdadeira cultura») sobre a homossexualidade. E claro, «não é ser-se homossexual propriamente que é o problema, obviamente, isso não é problema nenhum.»

          1. Como em quase todas as obras literárias dessa sub-espécie, os coitados dos brancos capturados pelos “primitivos”, ou “selvagens”, são castigados exemplarmente com um casamento forçado com claro, nunca menos do que a filha predilecta do cacique-ditador da racista tribo protagonista.

            Não sou anti-semita nem Nazi — mas pior do que isso— você de facto não leu oo Panjamon. Se tivesse lido perceberia (talvez) por que razão eu falei desse livro. O Panjamon é o nome dado ao estrangeiro que depois de um naufrágio é adoptado e integrado na tribo que o salvou, e a dada altura é descrita uma cena de homossexualidade entre os caçadores, e é interessante ver o contexto em que isso acontece. Talvez seja necessário um espírito diferente do seu para entender tudo. Mas leia, nunca se sabe.

            Quando aos “clubes” e à forma como regalias são distribuídas… se não fosse verdade não teria falado nisso. Poupe-me às suas ironias finas.

      3. Cristina Torrão, de tudo o que li, as civilizações pré-colombianas, na sua maioria aceitavam as diferentes manifestações de sexualidade, no mínimo, com uma natural tolerância.
        Mesmo em vários filmes sobre essas civilizações isso é, por vezes, abordado. Não há muito, tive a oportunidade de ver um filme brasileiro, “Brava Gente Brasileira”, com o “nosso” Diogo Infante, onde o assunto surge naturalmente. Em cinema, a primeira referência de que me lembro reporta-se ao ano de 1970, no filme “O Homem a Quem Chamaram Cavalo”, com um personagem que representa o fenómeno dos chamados “two-spirited” ou “two-faces”.
        Mas é como V. diz «nessas sociedades, há as mesmas tendências como em toda a parte (…). Sempre houve homossexualidade e bissexualidade entre os humanos.»
        PS. Se tiver paciência, há um livro já com algumas décadas que aborda o assunto e que pode encontrar, em PDF, aqui: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4250398/mod_resource/content/1/Devassos.pdf

        1. António Vaz, por acaso, nunca me dediquei a essa questão, mas, depois de aqui ser abordada, pensei que realmente já deve ter havido sociedades a aceitarem diferentes práticas sexuais. Talvez até houvesse ritos relacionados com isso. Um tema interessante.

  10. Todos deviam ler este livro. Sem preconceitos. A pele dos humanos é constituída por uma imensa palete de cores e não deveria determinar nada. Ainda, as escolhas que cada um faz da sua orientação sexual ou do género com que se define, não interessa a ninguém, a não ser ao próprio.
    O mundo seria bem melhor se todos pensassem assim.

  11. Quase todas as pessoas que têm poder acabam por abusar dele. É preciso ser um Cincinnatus para não acontecer.

    Como era óbvio o Feminismo tendência Marxista é o fim da Mulher. Biden começou logo com o pé no acelerador em direcção ao reino da Noruega:
    “As in the UK, people who voice concerns are being harassed and targeted — ‘witched’, as Vanessa puts it — so even those who do see what is happening cannot speak freely. The impact on women is profound.
    She told me that between 2015 and 2017, the number of women reported for rape increased by over 300 per cent. But, since it is impossible to disentangle transwomen from women in the data, Norwegian women now face the indignity of being blamed for the crimes of those born men.”
    https://www.spectator.co.uk/article/does-the-snp-really-want-to-copy-norway-s-gender-revolution-
    Entretanto chegam mais classes de cor de pele para um Marxista ganhar poder por mostrar a sua virtude: “Colourism” sabem o que é?
    “An upcoming biopic about the father of Serena and Venus Williams has faced criticism amid reports that Will Smith will play the lead role.
    Richard Williams, 77, coached his daughters to become two of the world’s greatest tennis players, despite having no previous experience of the game.
    But Smith’s reported casting in the film has angered critics, who say he is too light-skinned for the part.
    The actor has not yet commented on the reported casting or the criticism.
    Colourism is a form of discrimination against dark-skinned people in favour of those with lighter skin from the same race.”
    https://www.bbc.com/news/world-us-canada-47468011
    Pelos vistos para BBC o contrário já não seria Colourism…

    1. ‘…o Feminismo de tendência Marxista é o fim da mulher’
      Uff tava a ver que não aparecia um marxismo nisto e não sei quando será o fim da mulher. Que elas continuam a ser belas e jeitosas, até de máscara se nota, inteligentes e empreendedoras, mães carinhosas e lutadoras por melhores condições de vida e sem tabus sexuais, e muito provavelmente dirão ‘ó lucklucky não seja ridículo’

      1. Então não sabe que os anglo-saxões andam a substituir a palavra women/woman por outras expressões?
        Olhe até “mãe” está a desaparecer.

        ‘There’s only one sex that can give birth’: Fury at hospital’s order to midwives to say ‘chestfeeding’ so transgender people are not offended as new maternity bill refers to ‘pregnant people’ instead of women.
        https://www.dailymail.co.uk/news/article-9244921/Government-maternity-bill-uses-person-not-woman-refer-expectant-mothers.html

        “Academics make new words for ‘mother’, ‘father’
        The nation’s top university has told staff to stop using words like mother in favour of “gestational parent” and to call fathers the “non-birthing parent”.”
        https://www.dailytelegraph.com.au/

        “people who bleed”
        https://twitter.com/Tampax/status/1305952342504767491

        https://twitchy.com/brettt-3136/2020/11/30/biological-females-now-to-be-referred-to-as-vulva-owners-or-birthing-people/

        Vamos falar da destruição dos desportos femininos que Biden está a promover?

    2. “She told me that between 2015 and 2017, the number of women reported for rape increased by over 300 per cent.”

      E é claro que não vão ver quem é que pratica essas violações. São os noruegueses que de repente começaram a bater nas mulheres.

          1. Muitos homens cristãos acham ser isso um direito deles.

            Mas isso não é por serem cristãos. É por serem labregos.

          2. Não é por serem cristãos? Ainda hoje muitos homens acham que a culpa da violação é da mulher (ou, pelo menos, não prescindem da culpa partilhada). E só nos últimos anos, a Igreja Católica começou a considerar que os abusos sexuais de clérigos sobre mulheres adultas é da única responsabilidade e culpa deles. Na violência sexual exercida sobre menores, já se iliba as vítimas. Com mulheres adultas é diferente. Lido num Jornal Católico: o Cânone 1395, sobre delitos sexuais, Parágrafo 2, só foi alargado em 2010 (!!!) a mulheres adultas e, mesmo assim, com condicionantes: só provando que elas têm algum tipo de deficiência (que pode ser mental). Ainda se está à espera que a Igreja Católica inclua nos seus Cânones a condenação de abusos sexuais a adultas, sem lhes imputarem uma parte da culpa!

            Na teoria, são todos contra. Na prática, sim, mas…

  12. “mostra-nos igualmente como uma lésbica narcisista pode manipular e subjugar a sua companheira ao melhor estilo machista (independentemente da sua cor).”

    Achei este ponto curioso. O que é o melhor estilo machista? Um desvio ao melhor estilo feminista de manipulação e subjugação? Ou o adoptar a forma masculina de o fazer?

    1. «estilo feminista de manipulação e subjugação» – não sei o que é isso.

      O machismo não é a forma masculina do feminismo. Os dois não têm comparação. O primeiro assenta na superioridade de um sexo em relação ao outro; o segundo reclama a igualdade de direitos e oportunidades.

      “Machismo:
      Comportamento ou linha de pensamento segundo a qual o homem domina socialmente a mulher e lhe nega os mesmos direitos e prerrogativas”.
      In Priberam, dicionário online de língua portuguesa
      https://dicionario.priberam.org/machismo

      “feminismo – movimento ideológico que preconiza a ampliação dos direitos civis e políticos da mulher ou a igualdade dos direitos dela aos do homem”
      Idem
      https://dicionario.priberam.org/feminismo

      Entendeu agora?
      Que cansaço!

      1. Portanto, não é possível que as mulheres dominem, subjuguem e destruam a vida dos seus companheiros, companheiras e famílias precisamente por se julgarem superiores àqueles que estão a seu lado.

        Não, não há mulheres que fazem vida de se julgarem superiores aos homens. porque são tão estúpidas, tão mediocres, tão neuróticas, tão conformistas, tão narcíssicas, tão invejosas, tão poucochinhas, tão bimbas, tão moralmente rascas que não aguentam conviver com a diferença, têm de anular o próximo para se conseguirem levantar de manhã. Não destroem relações, não arranjam formas altamente sofisticadas de exercício do poder sobre os que lhes estão mais próximos. Virgens Marias dos tempos modernos, as mulheres.

        Obrigada pelas entradas no dicionário, mas tinha percebido à primeira, descansada. E a sua resposta foi elucidativa. O feminismo tornou-se uma piada, ridicula e narcíssica, absolutamente medíocre.

        1. Claro que há mulheres dessas. Mas é um erro pensar que são feministas. O feminismo não tem nada a ver com isso. Chame-lhe outro nome, mas não feministas!

          As mulheres, como os homens, são seres humanos e claro que há psicopatias e criminosas entre elas. Não nego essa evidência e a autora deste livro também não. Uma mulher narcisista, que manipula e subjuga a família, os próprios filhos, não tem nada a ver com uma feminista. Livre-se desse pensamento, Marta! Não passa de desinformação.

          1. “Uma mulher narcisista, que manipula e subjuga a família, os próprios filhos, não tem nada a ver com uma feminista.”

            Entao porque diabos um homem que faz o mesmo tem de ser chamado de machista?!

            Um mulher abusadora tem uma patologia, um homem abusador é machista… Tá certo! Esta dualidade de critérios nao deixa de me surpreender.

          2. O machismo estrutural existe, André Miguel. E 90% das vítimas de abusos e violência são mulheres.
            Há mulheres que também o fazem, sim. Mas sempre houve, muito antes de haver feminismo.

          3. Nao, nao existe, isso foi mito criado pelo feminismo que está a falhar o alvo na luta contra a violencia domestica.

            Deixo-lhe uma leitura interessante:

            It’s About Violence, Not the Patriarchy: How Feminism is Failing Women:

            https://www.internationalaffairs.org.au/australianoutlook/its-about-violence-not-the-patriarchy-how-feminism-is-failing-women/

            Destaco: “The evidence speaks very clearly to us about connections between domestic violence and alcohol and other drug misuse, poverty and social disadvantage, and intergenerational experiences of abuse. It is no coincidence that the most promising approaches to addressing domestic violence, and especially reoffending, make these issues their focus”

        2. Obrigado Marta!
          Tive uma namorada tal e qual assim, durante 5 anos fui subjugado e abusado pelo seu tique de comando sentia-me um desgraçadinho impotente.

          1. E a culpa é do feminismo, claro.
            Antes de haver feminismo, que surgiu no início do século XX, não existiam mulheres subjugadoras. Acredita mesmo nisso?

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