Racismo?


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A insistência que alguns sectores políticos vêm tendo na questão do “racismo” e da “xenofobia” marcam a mentalidade dominante, numa visão cada vez mais polarizada entre aqueles que negam a existência de quaisquer sintomas desses fenómenos e aqueles que peneiram quaisquer assuntos neles sempre encontrando a vilania racista e/ou xenófoba. Nisso torna-se o assunto da discriminação negativa um tópico omnipresente, o que poderá ter efeitos positivos na sua condenação e evitamento. Mas também negativos, numa confusão abrasiva que tornará muitos insensíveis a essas malevolências e, acima de tudo, incapazes de reconherem os reais processos.

Ontem deixei aqui uma breve piada – que encontrara no mural de Facebook de um dos grandes (ex-)bloguistas portugueses. Este blog não é dedicado a futebol mas não é vedado que se aborde o tema. E assim aludi à polémica futebolística que vem correndo no país, sobre a tendência teatral do ponta-de-lança portista, Taremi. A encenação de faltas sofridas nas grandes-áreas, promovendo os célebres e ambicionados “penalties”, é um assunto constante na história e na mitografia do futebol. Eu, sportinguista, cresci sob o constante debate, até irado, entre os justos que condenavam o pérfido Nené por simular “penalties” e os falsários pagãos que invectivavam o codicioso Manuel Fernandes por lhe, erradamente, atribuírem essas práticas. Pouco depois celebrizou-se em Carnide o extremo-esquerdo Chalana (sobre quem aqui recentemente escrevi), um mestre no mergulho na área (aqui memória do penalty mais saboroso da história do futebol português, que ele literalmente “arrancou”), e logo a seguir o extraordinário Futre, que tinha um enorme talento em “cavar”  “penalties” (até o reconhecia à imprensa, naquele seu simpático jeito dessassombrado). Isto não acontece só em Portugal e lembro-me do grande avançado alemão Klinsman, que quando foi jogar para Inglaterra foi acusado de simular quedas nas grandes-áreas, recebendo o cognome de “mergulhador” – ao que ele respondeu, deliciosamente, passando a celebrar os seus (muitos) golos com mergulhos deslizantes para os relvados, gesto que se disseminou até hoje.

Os tempos mudaram e o jogo também. Os árbitros de futebol receberam instruções para punir os simuladores (advertências ou expulsões). E depois instalou-se o controlo audiovisual dos lances (o VAR), o que torna mais difícil a aldrabice. Mas não impossível, claro. E é evidente que Taremi é um desses mergulhadores, facto que vai passando algo impune devido à importância do seu clube no futebol nacional (por isso o jogador sofre mais em jogos internacionais). Será menos simulador do que reclamam os sportinguistas e benfiquistas, mas será mais do que dizem os portistas. Pois é assim o futebol, é assim o adeptismo.

Ora no breve postal que coloquei, a tal deliciosa piada, recebo um comentário denotativo deste ambiente geral a que aludi no início do postal. Um anónimo (claro) que se traveste com o nome “camaradas” acusa-me de xenofobia e racismo, numa patacoada assim “Tanta xenofobia, bem piores outros mas esses são mais brancos“. E é exactamente isto, esta histriónica e pateta mania de em tudo encontrar o racismo, a xenofobia, fruto dsta até abjecta senda “identitarista” promovida por “activistas” e jornalistas.

Enfim, a minha cara aparece no meu perfil da SAPO e no “avatar” que acompanha os meus comentários. E já aqui fiz algumas ligações ao meu mural no Facebook (quando replico textos que lá coloquei em função de algum debate que por lá se tenha passado), no qual também aparecem as minhas feições (trombas, se preferirem). Olho para o jogador Taremi – o homem tem menos 30 anos do que eu. E é mais bem apessoado, justiça lhe seja feita. Mas será que um tipo com o meu fenotipo pode olhar para o Taremi e criticá-lo  em função de “ser menos branco”? Será que é o racismo que me faz saltar na bancada ou entornar a cerveja no sofá quando grito impropérios vendo-o atirar-se para o relvado?

E é isto que este histriónico discurso “identitarista”, o “activismo” das “boas causas” promove: as invectivas estúpidas, o desconhecimento dos processos. Vindas dos anónimos, apatetados na internet, ou dos locutores, alcandorados a figuras públicas. Nada mais do que isso.

20 comentários em “Racismo?”

  1. Alguns anónimos que se aliviam destes dislates talvez sejam filiados na CGTP. Que teve um secretário-geral, anterior à actual, lesto a fazer piadolas sobre um “escurinho” que integrou uma delegação do FMI a Lisboa.
    Nessa altura o habitual coro dos indignados não se escutou. Alguns até devem ter gargalhado com a alarve graçola racista.

  2. ‘Identitarismo’ parece a palavra certa para identificar um culto sectário que usa umas tantas palavras-chave como declaração de pertença.
    Quanto mais básicos e ignorantes mais delas se socorrem, reclamando uma adesão e reconhecimento que por outra forma nem saberiam exprimir.
    E nisto estamos…

  3. jpt, até me apetecia dizer ‘qualquer dia não se pode fintar’.
    O futebol, ao contrário do rugby, pode-se enganar o adversário, enganar no sentido de fintar, no rugby tem de se dizer para onde vai jogar e quem rasteirar o adversário é expulso e castigado.
    O Seminário do Sporting fazia a vida negra ao Ângelo do Benfica. Na antiga Sede do Sporting na Rua do Passadiço estava uma fotografia com 1,80m com o Ângelo a agarrar pela cintura o Seminário. Só a falta do Ângelo era marcada, a finta, o enganar, do Seminário tinha direito a palmas e olés.
    O velhinho Matthews do Stok City, o brasileiro Garrincha, o Pelé e o Maradona, e os nossos Chalana e Futre enganavam constantemente os adversários, não se lhes marcava falta por isso. O Maradona e o Vata marcaram golos com o pé que tinham mais à mão. A finta bem feita é a que também engana o arbitro, os defesas fazem fintas/faltas que o arbitro não vê. Qualquer dia haverá um VAR pontapés de canto por o árbitro não poder estar a seguir a bola e a olhar ao que se passa dentro da grande área.
    Nos treinos também se “estuda” a maneira de ganhar penaltis (é como ganhar faltas no basquete) tem é de ser muito bem feito na prática. A grande maioria dos penaltis são “sacados”, ou seja o defesa é enganado e em vez de acertar na bola acerta no jogador.
    Vemos muitas vezes o avançado salta por cima da perna do defesa em vez de tentar ganhar a falta para penalti, não está treinado nessa finta.
    O futebol agora é diferente, menos violento ou à inglesa que só marcavam faltas quando havia nítidas rasteiras, e não se vê espectaculares “duelos” avançado/defesa.
    O atirar-se pra piscina é uma arte futebolística como um chuto em trivela, outra coisa é o inexplicável amor clubista que batemos palmas se o nosso jogador saca um mergulho e desancamos o adversário quando fez a mesmo.
    Mas se não houvesse vivas ao SLB não havia este inexplicável amor clubista que não muda desde que nascemos até morrermos.

    1. Eu discordo parcialmente: uma coisa é ter a arte e a manha de provocar a falta contrária, através da sempre ambicionada finta ou por outro meneio qualquer. Outra coisa é simular a falta. A primeira aplaudo, a segunda assobio – mesmo que seja do meu Sporting. “Assim não!”, resmungo.
      Já quanto ao râguebi também discordo um pouco. Sim, é um jogo muito mais “limpo”, nobre, do que o futebol. Mas enganar os outros é sempre um objectivo, tanto individualmente (a finta de troca de pés, a troca de passes, etc.) até às magníficas manobras colectivas (verdadeiras fintas), verdadeiros embustes para atrapalhar os adversários.

      1. Correcto, jet.
        O não poder enganar no rugby não queria referir a essas fintas em movimento.
        Quanto às faltas treinadas para o não se aperceber, são celebres as pisadelas ao avançado para não saltar e o meter o braço numa queda dando a ideia ter sido o adversário.
        Mas, a arte de sacar um penalti é treinada para no preciso momento ser o adversário a tocar no pé/perna antes de na bola.
        Agora, por o Tarami ser persa haver um certo tratamento de em vez de ‘levanta-te libelinha’ como se dizia ao Nene ou a Manel Fernandes, levar com um ‘vai pra tua terra’ há uma certa diferença. que pode muito bem ser uma questão racismo/xenofobia.

  4. A piada é bem pior que racista; é especista.
    Os humanos entretêm-se a gozar uns com os outros ofendendo e menosprezando a dignidade de uma pequena criatura inocente e indefesa que, para além de lutar diariamente pela sobrevivência, vê ridicularizados na praça pública os seus dotes teatrais. Ainda por cima sabendo-se que o coitado do bichinho só estava a tentar imitar a Rainha de Inglaterra…

  5. Falta aí o penalti do Jardel, foi um vento que lhe deu, como ele proprio confessou, no estadio da Luz . A mais bela simulação de todas.

    1. Desse não me lembro. Mas sim, tenho memória de que Jardel no FC Porto muito beneficiava do controle portista sobre as arbitragens, sendo beneficiado com muitos penalties de facto inexistentes.

  6. “É exactamente isto, esta histriónica e pateta mania de em tudo encontrar o racismo, a xenofobia, fruto dsta até abjecta senda “identitarista” promovida por “activistas” e jornalistas.”.

    Não é mania,, é uma forma de obter poder social dentro da cultura de que fazem parte, cultura promovida por professores universtários marxistas e respectivos jornalistas. O curioso é que o mecanismo de funcionamento fanático funciona tal hooligans.

  7. Defender Tarami, acusando os críticos de xenofobia por ele ser “mais escuro”, só pode ser um projecto de story board para um anúncio de detergentes:
    Atenção Taremi, se não queres ser perseguido, OMO lava mais branco.
    Camaradas, não me lixem

    1. Não ligo de todo a futebol. Nem sequer sabia que havia por cá um iraniano a jogar futebol. Mas já que falam em “escuros”, é bom lembrar que por essa Europa fora os portugueses passam por mulatos. Não são considerados brancos “puros”.

      Até sou mais claro que o que por aí vejo, mas não me esqueço dos olhares policiais pela Europa central a verificar no controlo de fronteiras se aqueles meus compatriotas pequeninos, pernicurtos vindos de Portugal, podiam passar.

      Agora que a Rainha Isabel II morreu, é procurar na net. Dizem que ela também tinha sangue africano. Como assim? Através de um infante português, lá para 1400 ou 1500, casado com uma moura. Resultado: os genes transmitiram-se século após século e a mulher de Jorge III, Carolina de Brunsvique, era uma pretinha de narinas largas.

      Se há coisa ridícula é um português a falar de pureza da raça. Haja Deus, que paciência não há.

      1. “…falar da pureza da raça….”? Que raça?
        A não ser que haja alguns casos conhecidos de “animaladas”, que até na Bíblia já havia indicações que de pecado capital.
        E mesmo nesses casos havia mais desculpa ao pastor do que à pastora.

        1. Estou apenas a dizer que é ridículo ver portugueses armados em racistas. Façam-lhes um teste genético e mostrem-lhes os resultados.
          Não, não há raças puras e ainda bem que não há.

          1. O comentador Albino tem toda a razão. A família real inglesa é um desses exemplos em como a falta de diversidade genética resulta em muitos deles serem feios. Bem como muitas outras famílias reais europeias. Há quem diga que foi o incesto a razão da queda da maioria das monarquias.

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