Observador (com um par de consoantes da minha autoria).
Exceptuados os constrangimentos decorrentes da geringonça (foi bonito ver António Costa colocar na ordem os «patrões» do Porto de Lisboa assim que Catarina e Jerónimo lhe disseram para o fazer) e uma ou outra deriva convicta para a esquerda (o Ministro da Educação gosta de ser uma marioneta nas mãos de Mário Nogueira), o PS de 2016 é o PS de 2009 e 2010. Com espantoso descaramento, minimiza resultados negativos (no que respeita ao crescimento económico, hoje informaram-nos de que voltámos à nossa aconchegante mediocridade) e, ajudado por uma comunicação social mais acéfala do que uma amiba amnésica, gera «factos políticos» para tentar desviar as atenções, arranjar inimigos externos (velha táctica, velha táctica), clamar pequenas vitórias (se as sanções não vierem, a «posição de força» terá sido fundamental) e embaraçar a oposição.
E, como em 2010, não vale a pena dizer-lhes para se deixarem de rábulas e começarem a governar a sério. Pela simples razão de que, para além das rábulas, o PS apenas é competente numa coisa: a ocupação do poder.

Uma reles “troupe” de palhaços incompetentes e ignorantes, excepto no “devorismo”…
Confiando na ruminante boçalidade do público que assiste à execução do “número”.
Provavelmente fazem bem em confiar. O público, dependente deles em grande medida ou assim se imaginando, só em situações extremas (o «pântano» de Guterres, a bancarrota de Sócrates) os abandona.
A propósito de criar inimigos externos:
Usar o Mário Nogueira para camuflar que o processo se deve a rendas indevidas recebidas pelos colégios, também não é má tática.
Mário Nogueira é um inimigo externo?
De acordo com alguns débeis mentais é Stalin e Stalin era Russo.
Não se faça desentendido.
Os colégios estão a mamar na teta do Estado e isso é errado.
No seu modo de pensar se Mário Nogueira dissesse que o suicídio é errado, você passava a recomendar aos amigos que se matassem.
Relativamente às sanções também sou da opinião que o PS anda a fabricar uma cortina de fumo. E anda na medida em que as sanções não serão aplicadas.
Quanto à parte económica: veja bem o JAA o que seria desta terrinha se o consumo privado não tivesse aumentado com bastante solidez. Aliás, o meu caro defendia precisamente o contrário, isto é, mais contracção económica.
Porém, e note bem este porém, os dados (números) lançados não equacionam o forte crescimento turístico que já se faz sentir, e turismo significa exportação. Aguarde pelos resultados para que constate uma vez mais que aqui a divindade tem sempre razão.
Isso, comece a arranjar desculpas. Porque, evidentemente, tudo o resto teria sido igual. A queda no investimento, por exemplo, nada tem a ver com a acção deste governo.
E é bom ver como o sector mais liberalizado da economia portuguesa – mesmo sem taxa de IVA a 13%, imagine-se – continua de boa saúde. Podiam pelo menos reconhecer que nem tudo o que o governo anterior (com destaque para o seu único elemento verdadeiramente liberal) fez estava errado.
Meu caro, deixe-me recordar-lhe alguns aspectos. A economia portuguesa cai no terceiro trimestre de 2015. Significa isto que o ciclo das denominadas excepcionais exportações (que eu provei que se deveu em particular ao aumento do preço do produto e não à expansão dos mercados) estava a terminar.
Tendo em conta o cenário que lhe apontava sobre a recessão nos mercados internacionais era um absurdo alinhar na propaganda do anterior governo de que tudo correria bem por tal via e que devia dar-se continuidade ao espartilho interno. A realidade provou que era mesmo propaganda de quem não estava atento ao desenrolar do mundo.
A única coisa em que pretenderam socorrer-se, mesclando o discurso com uma falsa eficiência das políticas, foi o da baixa de preço do petróleo.
Lamento, JAA, mas devo referir que o que se passou em Portugal em matéria de bons alunos não passou de um crime grosseiro. Crime social.
Mas devo acrescentar o que também aqui referi: sem dúvida que foram introduzidos aspectos que elogiei na questão da promoção turística, e quando atacavam Adolfo Mesquita eu defendi-o. E defendi-o na medida em que se o que foi feito não determinava o pleno sucesso da actividade turística também ninguém podia negar que não tinha sido um excelente contributo. A actividade turística não se circunscreve ao âmbito nacional. Os operadores estrangeiros são uma boa fatia desse sucesso. Sempre assim foi independentemente dos governos. Mas também foi boa devido à intervenção do Tribunal Constitucional, fazendo devolver o que tinha sido sacado à malta.
Portanto, a minha critica tem equações que procuro exaustivamente aflorar.
Por último, o JAA continua a confundir investimento com vendas em saldo. Volto a solicitar-lhe que me revele os montantes do investimento de raiz levado a efeito em Portugal. Será que já se esqueceu do que lhe demonstrei sobre o valor da dívida ter aumentado não obstante os cerca de 10 mil milhões de vendas ao desbarato levado a efeito pelo anterior governo?
Você «demonstra» imensas coisas.
(No ano passado por esta altura, era a força do Syriza.)
Eu sei que o Syriza lhe ficou atravessado. Mas fez bem em tocar no assunto. Até nesta matéria demonstrei que o passo seguinte na Grécia seria a renegociação da dívida. Não diz nada a este respeito?
Mas mais uma demonstração. O Tribunal Constitucional ao decretar a entrega dos valores de esbulho levados a efeito também contribui para as exportações. Sabe porquê? Porque o turismo interno também está incluído nos valores da exportação. Consegue compreender agora o significado do consumo interno para a economia?
“Porém, e note bem este porém, os dados (números) lançados não equacionam o forte crescimento turístico que já se faz sentir, e turismo significa exportação. “
Então no que é que ficamos? Consumo interno ou exportações*?
É que o consumo interno, em Portugal, é criar divida privada. Como não fabricamos “euros” e eles têm de vir de algum lado, quem aposta apenas no mercado interno sem divisa própria e sem acautelar o superavit externo, crescimento e finanças saudáveis, falha. Estamos apenas a fingir que está tudo bem e mascarar números depois é que se torna tudo dramático. A divida privada, e o crédito mal parado é assustador e já devia ter imposto algumas red lines, mas não, afinal é um governo socialista, “carago”! É como apanhar uma piela, hoje o mundo é cor-de-rosa, amanha há a ressaca, mas claro, a culpa é da bebida não de quem a bebeu.
*E vamos lá ver como é que tratamos estas “exportações”, é que dar abrigo a Blocos de Esquerda e PCP dá direito a surgirem movimentos anti turismo. O português que é especialmente esquecido, se calhar até se vai esquecer (também) de como estava Lisboa ou o Porto há uns 5 ou 6 anos atrás, parecia uma cidade zombie. As cidades estão a recuperar por vários motivos que escapam a muitos, problemas nos destinos africanos, socialismos externos que “expulsam” cidadãos e no fundo dinheiro privado – investimento. Se o espantarem ele desaparece e a cidade volta às trevas.
Como Centeno, que até já diz esperar resultados das reformas dos últimos anos (presumivelmente, as que o governo anda a reverter), o Vento aceita e aproveita tudo o que lhe puder ser útil. Parece que lhe resta o turismo.
O Vento corre sem nexo em todas as direcções e gasta energia. Tem de repor a forças mas não quer pois repor forças é austeridade – que hoje desapareceu na auto censura jornalista -.
Como quer continuar a gastar por isso droga-se com esteroídes e continua a julgar que vai acabar bem.
Tendo começado por prometer-se um aumento robusto do consumo e enfrentando afinal um aumento quase insignificante (menor do que o do início do ano passado), a que se soma a previsível queda no investimento, deita-se mão ao que se pode: o turismo, parece. E aguenta-se e adia-se, na esperança de que as coisas corram tão mal na Europa que os resquícios de bom senso orçamental se esvaiam.
O autor deste postal é tão teimoso que até altera o que está correto para um texto com erros ortográficos
Correctíssimo.
foi bonito ver António Costa colocar na ordem os «patrões» do Porto de Lisboa
Pois foi.
Tínhamos um porto rentável e que fazia preços comparáveis aos dos portos espanhois. Portanto, um porto que funcionava bem. Os patrões, única e exclusivamente para quebrarem o sindicato e aumentarem as suas margens de lucro, resolveram pôr pessoal temporário a trabalhar nele. O resultado foi o que se viu. Ainda bem que Costa os pôs na ordem.
Às vezes fico na dúvida se você acredita mesmo no que escreve. Suponho que também prefira o modo de operar da parte pública do porto do Pireu? eb/09/greece-syriza-stops-china-extendin g-hold-piraeus
http://www.theguardian.com/world/2015/f
Ainda por cima, Costa abriu a caixa de Pandora. Pressionada pelo pessoal dos restantes portos, a ministra Vitorino já anda a aceitar descongelamento de carreiras e outras benesses do mesmo calibre. Mas tudo correrá bem.
Sim, acredito no que escrevi. Quanto ao porto do Pireu, não comento o que se passa noutros países, são coisas que não me dizem respeito nem eu as conheço bem.
Eu quero trabalho regulado por acordos coletivos e com empresas que contratam com os seus trabalhadores. Não concordo com trabalho contratado a empresas de trabalho temporário, pago ao dia e à tarefa.
Repito: o porto de Lisboa era rentável e praticava tarifas competitivas. Não havia qualquer necessidade de os seus operadores terem dado início a um processo de desregulamentação laboral que causou a sua ruína. Se o José António tem alguns dados que lhe permitam contestar esta afirmação, apresente-os. Se o José António toleraria que na sua profissão (que não sei qual seja) fosse substituído por trabalhadores contratados à tarefa a uma empresa de trabalho temporário, voluntarize-se.
Não é uma questão de trabalho temporário. É uma questão de implementar uma regulamentação menos rígida, como a que foi aceite pelos trabalhadores dos restantes portos em 2012. Na prática, Costa e Vitorino puseram o porto de Lisboa nas mãos do sindicato. Reconheça-se, todavia, alguma coerência: o governo está a fazer o mesmo noutros sectores.
E, sim, nunca é bom olhar para exemplos externos quando eles prejudicam a nossa tese.
Já vi que o seu problema não é o porto trabalhar bem e ser rentável. Importa sim que esteja nas mãos dos patrões. Se os trabalhadores fizerem bem o que os patrões não fazem, para si é um crime de lesa majestade que um porto fique nas mãos de competentes.
Caro Luis Lavoura (e Vento) há, neste episódio do porto de lisboa algo de verdadeiramente intrigante. O sindicato apontou situações laborais de neo feudalismo que verdadeiramente me chocam e que devem chocar qualquer tipo que tenha a cabeça sobre os ombros!! Dizem-nos que há anos que as empresas portuárias utilizam trabalhadores de empresas de trabalho temporário. Pasmei não ouvir nada nem ninguém a desmentir e a repor a honra dos visados (já não estranho nos dias de hoje, mas ainda assim…). Ou não há honra alguma a ser reposta. A lei apenas permite o contrato de utilização de trabalho temporário de forma excepcional e com pressupostos verificáveis ante facto, atendendo à sua natureza, excepcional, poder, fora desses pressupostos excepcionais, chocar a consciência ética da comunidade. Como sejam, a substituição temporária de um trabalhador, actividade sazonal, acréscimo excepcional. Ocasionalidade, substituição temporária e excepcionalidade. Não sei o que tem, verdadeiramente, ocorrido. A ser verdade, como creio ser o caso, questiono-me sobre a acção da Inspecção de trabalho e sobre o número de trabalhadores que foram integrados judicialmente. Isto é material e formalmente contrário à lei do trabalho e para além de qualquer resultado interpretativo possível, recorrendo aos cânones da hermenêutica jurídica
Seria necessário oferecer à inspecção de trabalho a mesma visibilidade e meios que foram oferecidos à asae para por termo a este neo feudalismo laboral que apenas corrói o fino tecido do estado de direito liberal!!
Por vezes acho imperioso que se salve o liberalismo, dos liberais e o socialismo, dos socialistas!! (já agora, salvar o capitalismo, da cupidez dos capitalistas)
Caro JAA, não creio que o meu caro queira condescender ou conceder a violações grosseiras a princípios estruturantes e fundadores do direito laboral civilizado que integram o património cultural e ético dos Portugueses. Fazê-lo será, simplesmente, oferecer o campo da dignidade ao ultraje e lançar sobre a ideia liberal o opróbrio de se equivaler à barbárie.
Um bem haja a todos,
Caro Justiniano,
há, neste episódio do porto de Lisboa, algo de verdadeiramente intrigante
Há de facto muitas coisas intrigantes.
Uma delas é a seguinte: os trabalhadores não fizeram, de facto, greve – eles apenas se recusaram a trabalhar aos domingos, aos feriados, e fora do horário normal de trabalho. Ora, isto não é uma greve – qualquer trabalhador tem o direito de (por motivos familiares, etc) se recusar a trabalhar fora do seu horário normal de trabalho, e a operação da empresa deve estar preparada para tais recusas. Intriga-me imenso que nesta empresa especial, o porto de Lisboa, cause uma disrupção tão profunda o facto de os trabalhadores se recusarem a trabalhar fora do horário!!! Que raio de empresa é esta, que depende de forma tão fulcral das horas extraordinárias dos trabalhadores???
Não sei, sinceramente. Mas o que, verdadeiramente, aparenta é que se pretende destruir o porto de Lisboa. Desmante lá lo, total ou parcialmente. Não sei a tal Vitorino não será, porventura, a incumbente da coisa. Isto sob a perspectiva da insídia e tremenda ma fé. E não sei se em conluio.
Meu caro Justiniano,
Um bem haja também para si. Não vou repeti-lo nem repetir o que outros já por aqui comentaram a este propósito. Mas devo dizer que no essencial estou de acordo consigo. E o estar de acordo simplesmente remete a um princípio que me norteia. Tal princípio está consignado na seguinte afirmação e alerta: “Tomai cuidado de vós mesmos”. Tomar cuidado de nós mesmos direcciona-nos para o sentimento de posse e de poder. Foi isto que o ultrajante liberalismo, orquestrado em particular nos últimos 4 anos, definiu como prioritário: a posse e o poder.
“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” significa, simplesmente, renunciar a César o que não pertence a César, isto é, a liberdade de todos e de cada um.
Não é uma questão de trabalho temporário.
É sim. Os operadores dos portos recorreram a trabalhadores contratados a uma empresa de trabalho temporário com o objetivo de violar as regras do acordo coletivo. Foi contra isso que os trabalhadores sindicalizados se rebelaram.
É uma questão de implementar uma regulamentação menos rígida, como a que foi aceite pelos trabalhadores dos restantes portos
Se querem implementar uma regulamentação menos rígida, façam-no através de uma negociação com os trabalhadores com vista a uma nova regulamentação para todos os trabalhadores. Não através da contratação de novos trabalhadores que violam as regras dos restantes.
Quanto àquilo que foi aceite pelos trabalhadores de outros portos, muito bem, cada um aceita aquilo que aceitar. O facto de os trabalhadores de um porto aceitarem trabalhar de acordo com certas regras não faz com que os trabalhadores de outro porto devam aceitar trabalhar de acordo com as mesmas regras.
Acho curioso que pessos de direita, que contestam – e muito bem – o atual mercado de trabalho “a duas velocidades”, em que os trabalhadores mais velhos têm toda a segurança laboral enquanto que os trabalhadores mais novos trabalham a recibos verdes, possam concordar com a implementação nos portos de um tal mercado a duas velocidades, em que os trabalhadores sindicalizados trabalham de acordo com certas regras e há outros trabalhadores ao seu lado que foram contratados a uma empresa de trabalho temporário e trabalham de acordo com regras totalmente diferentes.
Se quer olhar para um exemplo externo, olhe para a Autoeuropa, uma empresa na qual há picos de trabalho mas que não contrata trabalhadores externos e que negocia com a Comissão de Trabalhadores. Nessa fábrica trabalha-se uns meses mais, outros menos, uns anos mais, outros menos, mas sempre sem necessidade de andar a contratar à hora trabalhadores externos nem de ter trabalhadores a fazer o mesmo trabalho mas sob condições laborais totalmente distintas.
Deve ser porque a Autoeuropa é gerida por patrões de um país civilizado enquanto que os operadores do porto de Lisboa são uns xungas de um país de pretos.
Portos nas mãos do sindicato?
Extrato do comunicado emitido pelo sindicato dos estivadores, pouco depois do último acordo alcançado:
“Falta, naturalmente, revogar a lei nº 3/2013 (…)
Mantém-se, pelos estivadores mas não só, marcada a Manifestação contra a Precariedade, dia 16 de Junho, às 18h no Cais do Sodré. Perante uma vitória, é preciso continuar a avançar.”
Suspeito da existência de um Cristóvão de Moura no sindicato dos estivadores ( ou, ainda mais provável, entre a quadrilha que , nestas partes, passa por “governo”…)