
A pressa em inocular os portugueses é tanta que na sexta-feira cheguei a receber três chamadas diferentes propondo-me hora e local para receber a primeira dose da vacina. Perguntei qual era, em qualquer dos casos. Pfizer, responderam-me.
Da primeira vez, um cavalheiro identificando-se como funcionário civil solicitava-me que comparecesse na Junta de Freguesia de S. Domingos de Benfica – a mesma do Estádio da Luz, em flagrante violação dos meus princípios religiosos. Felizmente esta proposta ficou sem efeito: uma hora depois outro cavalheiro, identificando-se como militar, sugeriu um local mais aprazível: o pavilhão junto do Estádio Universitário, onde muito namorei quando frequentava a faculdade. E como não há duas sem três atendi ainda a chamada de uma menina, identificando-se como membro da Administração Regional de Saúde (ARS), pedindo-me que ali comparecesse dez minutos depois da hora que me fora indicada, dada a “grande afluência ao local” entretanto prevista.
Fui e voltei ontem a pé, cruzando o jardim do Campo Grande e a alameda da Cidade Universitária, onde vi plantadas novas gravílias – uma das minhas árvores preferidas. Lá no pavilhão, muita gente. Mas tudo bem organizado. Dois corredores – uns para aqueles que se estreavam nesta vacina, como eu; outros que acorriam à segunda dose, incluindo muitos professores, que preferem intitular-se “docentes”.
Ninguém furava a fila, nem era necessário: aquilo fluía com rapidez. A única espera, de alguns minutos, ocorreu quando uma das assistentes comunicou ao responsável que tinha “o recobro cheio”. Algumas pessoas aproveitavam para ler um livro, mais mulheres que homens, vá para onde for encontro sempre mais mulheres que homens. E questiono-me onde se meterão eles – alinharão em movimentos anti-vacinas?
Comuniquei à médica que nos últimos 15 dias havia estado em contacto indirecto com uma colega entretanto infectada. Ela perguntou-me se usava máscara no local de trabalho. Resposta: sim. E quis saber se me sentia febril ou tinha qualquer outro sintoma. Resposta: não. “Recebe a vacina à mesma, não há problema.”
Assim foi. Mal tive tempo de levantar o braço esquerdo e “relaxar os músculos”, já a gentil enfemeira estava a pôr e a tirar a agulha. Sugerindo-me que aplicasse ali gelo caso inchasse e doesse nas 48 horas seguintes. Nas imediações andava um repórter da CMTV com ar de ser muito mal pago para a função. Ouviu o responsável da ARS congratular-se com a eficácia daquela operação sanitária. “Há que olhar para os aspectos positivos e não mostrar só desgraças”, afirmou o senhor, em diálogo com alguns de nós, já estava o jovem repórter à distância.
Logo se levantaram vozes a estabelecer o contraditório: que nem tudo tem corrido bem, etc. E não faltou quem comunicasse que não queria ser exibido na televisão. “Descansem que o direito à privacidade é salvaguardado”, tranquilizou o funcionário. De facto, levamos a pica em condições que respeitam esse princípio.
Lá fiquei meia hora no recobro, como mandam as regras. Dão-nos um pacote com bolachinhas, uma peça de fruta, meio litro de água. Com os cumprimentos da Câmara Municipal de Lisboa, juntando o útil ao agradável em ano de eleições autárquicas.
Enquanto aguardava o momento de sair, pensei nas vacinas que já levei na vida. Em miúdo, a da tosse convulsa, da pólio e do BCG – estas obrigatórias, para impedirem doenças sinistras que assombraram as gerações anteriores à minha: a tuberculose e a poliomielite. Também a do tétano, que convém receber de dez em dez anos. Já na adolescência, quando fiz a primeira viagem intercontinental, fui vacinado contra a cólera, a varíola (entretanto erradicada) e a febre amarela. Reincidi nesta última em viagens posteriores. E em dois Invernos mais recentes vacinei-me contra a gripe, numa época em que ela andava assanhada e ninguém usava máscara na via pública mesmo em tempo de epidemias respiratórias.
Quando éramos garotos, compáravamos as marcas das vacinas nos respectivos braços, como sucedâneos de medalhas conquistadas na guerra. Havia uma que os recém-nascidos recebiam no pé – lá fiquei com a cicatriz durante largos anos. Outra, já não me lembro qual, era administrada em gotas.
Na hora da pica, no dispensário médico, formávamos filas para enfrentar a agulha. E ai de quem choramingasse ou gemesse ou chamasse pela mãe: era gozado à bruta pelos restantes e ainda podiam passar a chamar-lhe “maricas”, sobretudo se também não costumasse jogar à bola no recreio.
Regressado mentalmente a esses tempos, foi com algum orgulho que confessei à enfermeira já ser veterano de muitas vacinas.
É para mim incompreensível a proliferação de tantos movimentos anti-vacina agora em voga por aí. Outro movimento de importação “amaricana”, impulsionado por incontáveis tontos nas redes sociais.
Vem outra a caminho: recebi um cartão que funciona como convocatória para a segunda dose, em dia de Santo António. Fui bebendo a água ao longo do dia e comi as bolachinhas à hora do jantar. Não sei se a vacina produziu efeito: a verdade é que ainda não senti qualquer vontade de votar no doutor Medina. Resta aguardar pelas próximas 24 horas.

Então e o concentrado “vacínico” que era rusticamente atribuído na tropa, esqueceste-te dele?
Chiça.
Já li na Internet que o Costa pôs um chip na vacina que faz com que se vote PS nas próximas eleições. Nas autárquicas veremos se este rumor fundado se confirma ou não.
Havia uma porcaria que era uma injecção de penicilina(?), tenho ideia de imensos dos meus colegas de primária terem tomado aquilo, e diziam que doía bem mais que qualquer outra “pica”.
Injecções já tomei também. De cortisona, por exemplo, para debelar uma grave crise alérgica. A penicilina costumava ser tomada em circunstâncias pouco confessáveis, digamos assim. E devia doer bastante.
Cortisona idem. Por causa da penicilina.
Essa a que me refiro não estará relacionada com razões… íntimas, dada a idade do público-alvo. Andei a ver e seria usada para outros fins. Pode ser que alguém a tenha levado e venha aqui esclarecer
Eheh… não creio.
Estou para perceber qual é o mal de tomar penicilina por causa, por exemplo, de amigdalites.

Tirando o facto de doer se o profissional de saúde que a dá não agitar devidamente a solução, ou se a deixar demasiado fria, é um medicamento de uso corrente.
Creio que não será bem essa a que dói mais.
Tomei em adolescente, e só era administrada no hospital.
Doía de verdade.
Eu aguento a dor de picadas, mas está era demais.
Também tomei 3 ou 4 vezes penicilina e só me doeu muitíssimo uma vez. Tomei sempre fora do hospital: em centros de enfermagem, na adolescência por causa de fortes amigdalites.
E como a Maria José também aguento a dor das picadas. Estava bem arranjada se não aguentasse, à quantidade e regularidade com que tive de tomar injecções.
Agora, não sei se estavam de outro tipo de tratamento que eu desconheça. É possível.
Levei a primeira há precisamente uma semana, igualmente da Pfizer.
No recobro, nesta Alemanha rica, só havia água à disposição, nada de bolachinhas ou fruta
Senti-me bastante abatida, durante dois dias, e com algumas dores de cabeça. O Horst, vacinado no mesmo dia, só sentiu o abatimento. Nenhum de nós teve febre.
Tudo a correr bem Pedro! Afinal, este é o nosso ano
Até agora não tenho reacção alguma a registar, Cristina. Excepto ter-me dado para escrever este texto em que incluo algumas memórias de vacinas já tomadas.
As bolachinhas marcharam bem. Mas continuo sem inclinação para votar no doutor Medina.
Pois eu recebi um saquinho Oeiras Valley com um sumo de pacote, um queque, um frasco de gel desinfectante e 5 máscaras. Mesmo assim não tenho vontade de votar no Isaltino. Já antes da vacina era assim.
Humberto Silva
Algumas pessoas só sentem efeitos secundários após a segunda dose. Por isso, acautele-se: não está ainda livre de vir a olhar para Medina como a reencarnação do Marquês de Pombal.
Compreendo perfeitamente
Possível gralha em “olhar para os aspectos negativos e não…”
Obrigado.Gralha mental, óbvia. Já corrigi.
“Não sei se a vacina produziu efeito: a verdade é que ainda não senti qualquer vontade de votar no doutor Medina.”
Muito bom!
“Há que olhar para os aspectos negativos e não mostrar só desgraças”.
Não será qie queria escrever “aspecos positivos”?
Sim, queria. É o que acontece a quem está a escrever um texto enquanto já pensa noutro, muito diferente.
Corriginndo: Não será que queria escrever “aspectos positivos”?
Obrigado, TaA. Corrigi entretanto.
É preciso ter coragem para receber a vacina num local tão perto da casa de banho do Lumiar, local onde na última semana se assistiu a uma das maiores vergonhas em tempo de pandemia com a complacência do Doutor Medina e Companhia.
“Coragem” é ter há 18 anos como presidente do vosso clube o segundo maior caloteiro do BES que foi plantado no Benfica como testa-de-ferro de Ricardo Salgado.
Corrijo: não é coragem. É estupidez.
👋👋👋👋👋💚
cheguei a receber três chamadas diferentes propondo-me hora e local para receber a primeira dose da vacina
E eu, que tenho mais ou menos a mesma idade que o Pedro Correia, ainda não recebi uma única chamada. O mundo é muito injusto!
Pode optar por auto-agendamento. Não custa nada.
Portanto, tal como eu calculava, se o Pedro Correia recebeu tantas chamadas, foi porque pediu ele próprio para tomar a vacina. Não foi porque o tivessem chamado.
(Eu já calculava que o Pedro Correia seria daqueles que iriam na primeira oportunidade pedir para ser vacinado.)
Que disparate. Não pedi coisa nenhuma. Mas você, que parece tão ansioso por vacinar-se, pode optar pelo auto-agendamento. Como qualquer cidadão.
Essa das gotas , cor-de-rosa sobre um torrão de açúcar branco, devia ser contra a poliomielite, invenção muito agradável em comparação com as picas das outras.
Tenho essa ideia também. Era a vacina que todos os miúdos mais gostavam de tomar.
Este texto é de puro marketing a vacina, além de ser um pouco debochado a falar de vacinas e de mulheres.
Tenha vergonha!
Adélia Pires
Debrochado?
Picada de enfermeiro, by Quim Barreiros
Antes ouvir Barreiros do que os trinados do Piçarra.
Na realidade as vacinas são para maricas. Vacinas que dizem produzir uma imunogenicidade que eventualmente poderá garantir uma menos grave (resta estabelecer a intensidade da gravidade) situação de doença e obriga ainda ao uso de máscaras e outros cuidados só podem ser para maricas.
Obviamente que as pessoa velhinhas devem tomá-las depois de garantirem que não estarão sujeitas a um choque anafiláctico.
Acredito mais na possibilidade de uma maior e melhor eficácia por parte da vacina portuguesa em estudo e que passará à fase dos testes.
Estranho receber 3 contactos,mas não se recebe só da freguesia onde moramos? Eu também levei no Estádio Universitário,mas foi da AstraZeneca. E trouxe o lanchinho.😀
Quase nos cruzámos então.
Apesar de bem organizada e ter estado no interior do pavilhão apenas 45 minutos, da vacinação não trouxe coisa alguma que não papéis. Nem água, nem fruta, nem bolachinas.
E alguma febre alta decorridas treze horas da pica.
Diz quem fez a Pfizer que só a segunda dose é que dá coice.
Já fiquei com receio pois vou levar a 2ª dose da Pfizer daqui a uma semana. Quanto à primeira toma correu muito bem, mas por aqui não houve lanchinho … Para o que estávamos guardados no Outono da vida (é o meu caso).
. Valeram-me os livros e algumas arrumações. Agora só quero ver o Mar.
Há meses em retiro
Maria
Sei bem o que isso é, Maria. Passei longos meses em prisão domiciliária.
Um ano de pesadelo.
Eu até agora só recebi afagos
Nada de coices.
Nunca consegui perceber qual o objectivo do fundamentalismo. O que é que se pretende atingir quando se impõe uma determinada opinião e não admitir sequer qualquer tipo de contraditório.
Será que só nós é que estamos certos?
Será que só nós é que temos o monopólio da verdade?
Será que os outros são assim tão estúpidos que precisam que alguém lhes diga o que é melhor para eles?
Não será já altura de deixarmos estas chantagens morais e aceitar que há pessoas diferentes e que se recusam a ser tratadas como gado?
Porque é que a toma desta vacina há-de ser mais virtuosa do que a não toma?
Porque é que quem não quer tomar esta vacina há-de ser incluído no grupo dos anti-vacinas?
Queres vacina? Toma.
Não queres vacina? Não tomes.
É assim tão difícil perceber?
Isso é válido para qualquer doença.
Por mim, nada de vacinas de um plano nacional que nem a referendo foi
Isso do plano nacional que nem a referendo foi é um lapso subconsciente para Constituição?
Uhmmm…,tomou a vacina… grande coisa! Prontinho já para prevaricar, se houver outra festinha do Leão ! Os outros que se lixem…
Lanchinho igual a esse também deram na Comunidade Indu em Telheiras, não é só pelo Medina.
Medina no templo hindu? Isso é muito ecuménico.
Com um cadastro desses! Ligam-lhe 3 vezes, com medo provavelmente de o Sr. Correia ser um potencial supercontagiador.
É bem possível. Logo eu, que tinha acabado de tomar a poderosa vacina Sporting Campeão.
“Algumas pessoas aproveitavam para ler um livro, mais mulheres que homens, vá para onde for encontro sempre mais mulheres que homens. E questiono-me onde se meterão eles – alinharão em movimentos anti-vacinas?”
Talvez porque ainda estão a administrar aos profissionais da área da educação.
Quanto aos contactos excessivos, ligaram a um tio meu para tomar a 2ª dose dias depois de ele efetivamente a ter tomado…
Não, também a administrar vacinas elas estavam em maioria absolutíssima.
Homens, em maioria, só lá fora, a controlar o “tráfego”.
Vá para onde for, vejo sempre muito mais mulheres que homens. Cada vez mais. Questiono-me onde ficarão os gajos. Em casa, a jogar playstation?
“Em casa, a jogar playstation?”
O Pedro já não percebe nada disto:
Estas mudanças de género -deu no que deu- eles agora são as novas elas. Segundo estudos da Universidade Católica 200 mil Alfredos, Carlos, Antónios, Josés, Zés etc.. São as novas Manuelas, Cristinas, Joanas, Ritas,Isabeis, Luísas, Sónias, Vanessas,Claúdias.
É preciso ter cuidado!
Alfredo Sousa
Qual será o “género” do Jacinto Leite Capelo Rego?
Mas quem será o pai da criança ?
Pode ter razão, mas como trabalho na área da construção estou mais a habituado à maioria masculina.
Admito que sim, mas só se for aí.
Eu há vários anos vejo mais mulheres que homens em todo o lado. Locais de trabalho, lojas, mercados, supermercados, cinemas, teatros, concertos, parques, jardins, cafés, restaurantes, praias, esplanadas, bibliotecas, consultórios médicos, transportes públicos.
Homens em maioria, só no futebol (que agora já não há) e a guiar táxis. Dois redutos da velha “coutada do macho ibérico”, como diria aquele juiz do Supremo arraçado de Quim Barreiros.
Ainda não se lembraram de mobilizar a estrutura das Testemunhas de Jeová para ir administrar a dita porta a porta. Com a cobertura que têm, 1 semanita estava o país picado na totalidade
Jeovás são anti-vacinas. Preferem picar miolos.
Ao pé de minha casa há uma “igreja” dos Jeová,desde Março de 2020 que está fechada.E se tinha movimento.
Estão em casa a jogar playstation.
Água fresca por água fresca, prefiro PORTO branco seco a meias com um bom gin em copo fino, bem geladinho, de preferência sem marcação.
Bom proveito.
Eu prefiro SPORTING. Verde e branco.
Ainda não me ligaram, e já pensei um bocado nisso.

Aquilo é mesmo como na tropa? Tudo em pelota como o presidente?
É que se for, primeiro tenho de ir à depilação.
Não ligaram por uma razão muito simples; o teu pai no trabalhou no BNU.
Isto era assim, não? Levas a vacina e já está.
Na província tem de se fazer a doutrinação primeiro, não há bolachinhas e água grátis para todos
Fazes-te à vida, mostras que és um bom cidadão, entras nos programas de re-educação cultural em dia, talvez, sejas vacinado.
Esquece a depilação, agora a moda são sobrancelhas fartas
Parece que este último fim-de-semana (assim mesmo, com hífenes, por se reportar ao período de dois dias constituído pelo sábado e pelo domingo, pretenda o lixo do AO90 o que pretender), foi recordista no número de vacinados. Pelo menos assim o cantavam, em estremecidos e obedientes panegíricos, os noticiários televisivos desta manhã. Depois lá adiantavam que professores (docentes, seja) e outros profissionais do sector da educação (livremo-nos, sob pena de opróbio, de lhes chamar por estes dias “contínuos”), terão representado afinal mais de metade dos vacinados (ou d@s vacinad@s, previsivelmente, no mundo do dr. Medina). Enfim razões haverá, decerto, para este tratamento privilegiado de quem ensina e de quem preenche papéis, vigia, serve refeições e limpa salas e sanitários (desde que nas escolas). Mas decerto não será a de agradar a um potencial, e bem organizado, grande grupo de clientela eleitoral.
Em todo o caso, nada tendo a ver com essas profissões, fui insistentemente convidado, por via telefónica, a tomar a vacina na tarde da passada sexta-feira. Se não podia numa dada hora e local, talvez pudesse noutra e noutro. E noutra ainda. Não poderia, lá expliquei: estava a largas centenas de quilómetros. Não sei se sexta-feira passada já integrava esse período recordista. E a coisa lá ficou para o próximo dia trinta.
A propósito de clientela eleitoral, também não me ocorrem razões para votar no dr. Medina. E para esse vazio de argumentos bastaria a impenitente falta de vergonha, a hipocrisia sem freios de a meses de eleições autárquicas ser súbita e grande a azáfama de cuidados urbanos há muito, muito tempo, aflitivamente em falta. E descaradamente ignorados ou adiados. Dirão que “faz parte”: todos fazem (fariam e farão) o mesmo. E com eles, convirá não ignorar, o dr. Medina.
(…)
(…)
E para além desta razão de cronométrica sazonalidade, também se não me ocorrem razões para votar no dr. Medina quando vejo o bairro em que resido invadido por ciclovias onde circularão, num dia ciclisticamente movimentado, uma dezena – ou menos – de ciclistas (e parte deles pelos passeios ou pelas faixas para automóveis). Entretanto, por conta desse insensível exercício de demagogia – obediente a nada mais que não as verdades da moda – e de esbulho de dinheiro público, perderam-se preciosos lugares de estacionamento e agravaram-se significativamente, ou criaram-se, situações de congestão de tráfego em ruas que há muito perderam a sua pacata e aprazível característica de “bairro” e são actualmente utilizadas decerto bem mais por quem atravessa o bairro do que por quem nele reside. E onde coisas tão banais como as cargas e descargas continuam a fazer-se, fatalmente; onde representavam o bloqueio de uma faixa de rodagem, agora bem podem representar o bloqueio da via. Expoentes de desinteressado e patriótico urbanismo, enfim.
Entretanto, numa via estruturante (creio que se lhes chama assim, no linguajar do poder), como o Eixo Norte-Sul, um dos principais meios de saída e entrada do bairro em que resido, a iluminação é quase inexistente. Os postes lá estão, todos, na precisão legal ou regulamentar do seu distanciamento, mas, posto o Sol, não sei se chegará a um quarto o número dos que proporcionam alguma luz. E assim é desde há muito. Talvez seja coisa para cuidar na antevéspera das “autárquicas”, antes do dia de reflexão e como espécie de derradeira arma secreta para cativar indecisos.
Entretanto, também, e até ver desprezadas por amplexos eleitorais de desvelo autárquico, as ruas permanecem largamente sujas, sujíssimas. Nos jardins – ou no que por jardins passa, fruto da tremendamente eficaz combinação da estupidez do cidadão e do desprezo do poder – os bancos estão geralmente semi-destruídos, alguns ainda com as faixas policiais que alertavam para o tremendo ilícito que, até há pouco tempo, cometia quem neles se sentasse, e os caixotes de lixo e as papeleiras transbordam, dias a fio. Coisa que não é de agora mas que agora, com a chegada do tempo quente, se tornará especialmente desagradável (eufemismo meu).
Não sei se isto (e tanto mais, e admita-se pior, haveria a apontar) é da directa responsabilidade do dr. Medina. Sei que se passa no município em que resido. E a que ele, coincidência enfim, preside. E onde, parece, goza de largamente maioritário favor do eleitor.
Que não este.
Ainda não percebi porque razão vamos votar… segundo as redes sociais e aqui os blogs, o Carlos Moedas e o Nuno Graciano vão ter 84000% dos votos dos lisboetas. Porque razão alguém irá votar, com uma vitória mais estrondosa que a do Sporting no campeonato, mesmo quando 90% dos adeptos estavam a exigir o assassinato da nova direção.
Quando for vacinado, ficará com todas as dúvidas desfeitas. Mas terá de aguardar pela segunda dose.
Nos tempos da outra senhora, futebol, fátima e fado, estavam ligados ás classes mais desfavorecidas, menos cultas, mais rudes. Agora, sobretudo nas classes mais cultas, sobretudo as licenciadas pós 25A, são as que estão mais afincadamente ligadas sobretudo ao mafioso futebol. Aproveita-se qualquer facto para directa ou indirectamente relacioná-lo com esse apelidado de desporto. E o António é que era o mau da fita?
António Costa ou António Guterres?
Amigo Pedro, se fosse o Guterres diria “é”……..
Também eu sou veterano em vacinas em jovem e, em adulto, incluindo a do tétano que está em dia, também todas as outras por causa de viagens profissinais e turísticas. Aguardo ansiosamente por esta vacina mas ainda não me contactaram.
Sinto-me pré-histórico por ter chegado a receber vacina contra a varíola.
“E vão dois”, já agora foi pena não ter lá aparecido alguém, que atirasse com o microfone da cmtv, para o lago do Campo Grande.
Já houve um precedente histórico, como sabemos.
Nice… But… 021/03/breve-historia-mal-contada-duma-v acina_21.html
https://eduardoencarnacao.blogspot.com/2
Era a da poliomielite!..
Era, sim.
vidrinhos
reporter cara mal pago
Bom bom, de rir, aí pela metade, e a expectativa de a vacina produzir, ou nao, a vontade de votar.
E do que se lembra, das marcas que comparavamos, daqueles que nao jogavam á bola, etc.
À medida que ia lendo e me surgiam questoes a colocar, ia encontrando respostas. Já a pensar que o Pedro é um vidrinhos, e logo o Pedro a informar que, orgulhoso, comunicou á enfermeira ser um veterano das vacinas.
….um dia fui á delegaçao de saude perguntar o que teria de fazer para ser vacinado (talvez fosse a do tetano, de dez em dez anos ) . Logo me foi dito que agora (entao, naqueles anos ) tal funcionava nos postos medicos. Pronto, obrigado. Mas eis que, já que estava ali, propos vacinar-me. Rejeitei, pois nao estava mentalmente preparado, precisava de tempo para ganhar coragem. Mas aconteceu nesse momento. E nao custou.
Outra coisa. Nao lembo se fui vacinado a proposito das viagens longinquas. Mas numa das vezes deram-me uns graozinhos brancos para tomar desde x dias anteriores á partida, e certamente continuar a tomar.
Tomei a primeira dose da vacina em Lisboa, praticamente à hora de almoço, e não tive direito a pacotinho de nada. Suponho que em março as eleições ainda estavam muito distantes…
Vantagem de receber a vacina já em Maio…
Mas vamos ao mais importante: o Pedro Correia levou consigo o boletim de vacinas? Foi carimbado a preceito? Recebeu o santo papel assinalando a isenção de taxa moderadora?
Nada disso. Só recebi o cartãozinho que funciona como convocatória para receber a segunda dose.
Eu fui vacinada há 15 dias, Astrazeneca foi a que levei.
Tudo correu bem.
Mas aqui em Braga não houve bolachas para ninguém.
E eu estava ansiosa pelo café.
Em Braga até deviam ter direito a um pudim do Abade de Priscos…
Ahahahahah!

Eu gosto um pouco de pudim.
Se o tiver à minha frente, como um pedacinho.
É muito doce.
Bem, isso está a andar rápido (menos uma razão para as ridículas regras de praia, que desde já pretendo nao cumprir). Até há uns tempos temia só ser vacinado em setembro, mas pelo ritmo a que as coisas andam devo ser chamado em julho, se não for em junho.
Quanto a “medalhas de bom comportamento”, só tenho uma no braço por causa da da BCG, acho. No início pensou-se que podiam ser uma boa réplica à covid, mas parece que infelizmente pouca influência tem.
Ao ritmo de vacinar mais de cem mil pessoas por dia, não levaremos muito tempo a alcançar a tal “imunidade de grupo” de que tanto ouvimos falar há mais de um ano.
Essa é a intenção deliberada e há mobilização geral nesse sentido, como percebi ao receber três chamadas diferentes no mesmo dia para o mesmo efeito.
Consequência, presumo, de haver um militar de alta patente a comandar as operações.