DELITO há dez anos


Pedro Correia,

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Ana Vidal: «Com três letrinhas apenas /Se escreve FMI / É das palavras pequenas / A mais perigosa que vi.»

 

Francisco Almeida Leite: «A aparição de Fernando Nogueira na campanha do PSD foi mais do que um simples fait-divers. Muitos rapazolas que de repente comentam em tudo o que é media, destilam ódios e amores nos blogues e dão conselhos a gente de peso não se lembram sequer da personagem. O que fez, o que representou e o porquê deste regresso, meio atabalhoado na forma e com um alvo chamado Paulo Portas. É uma questão de geração, mas não só. Falta a memória, o interesse e o conhecimento.»

 

João Campos: «É também por isto – e para ver se o povo português mete na cabeça, de uma vez por todas, que nas Legislativas não vota no Sócrates, no Passos Coelho ou noutro tipo qualquer, mas nos deputados que o vão representar na Assembleia da República – que seria muito interessante que o PS até fosse o partido mais votado a 5 de Junho, mas que fosse empossado um governo maioritário PSD+CDS.  Evidentemente que, dado o que foram os seis anos de Sócrates, o PSD de Passos Coelho tinha a obrigação de sozinho conseguir maioria absoluta, mas isso seria pedir demasiado à actual direcção do partido.»

 

José António Abreu: «No debate desta noite, com Pedro Passos Coelho, Francisco Louçã atacou o PSD, ignorando quase sempre o PS. Não percebo porquê. O Bloco não disputa eleitorado com o PSD. Disputa-o (e disputa-o ferozmente) com o PS. Jerónimo de Sousa, que tem as mesmas preocupações, mostra um imenso cuidado em abranger PS e PSD na maioria das críticas que faz. De os tentar tornar quase iguais. Louçã escolheu atacar apenas o PSD. Sócrates agradece.»

 

Patrícia Reis: «A Cultura é uma merda, desculpem o termo. Isto, claro, na cabeça dos nossos políticos que não a sabem definir ou o que fazer com ela. Talvez não sejam cultos. Azarinho (que é um azar pequenino). Pedro Passos Coelho diz que vai chamar a Cultura ao seu gabinete de putativo primeiro-ministro. Para quê, pergunto? Para ter um ou dois assessores? Para acabar de vez com a Cultura?»

 

Rui Rocha: «A chamada geração à rasca não será necessariamente uma geração perdida. Todavia, para que possa ser melhor aproveitada, terá que aceitar-se uma grande mobilidade (geográfica, funcional) e apostar-se na requalificação. Sim, há licenciaturas que, do ponto de vista do mercado, não servem para nada. As pessoas que as obtiveram vão precisar de apostar na reconversão e aquisição de novas competências. E é uma responsabilidade do Estado apoiá-las.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Quem se habituou ao longo destes anos a ouvir os comentários de Ângelo Correia, naquele seu tom doutoral de quem é o detentor de todas as verdades e virtudes e está sempre pronto a esclarecer os incréus, é capaz de pensar que no seu exercício o senhor engenheiro está a prestar um serviço, mais um, ao País. Mas não está. E é preciso que isso seja dito.»

 

Eu: «Foi um bom debate: Francisco Louçã e Pedro Passos Coelho olharam-se de frente, ouviram com atenção o que o outro dizia sem atropelarem discursos, evitaram o recurso a frases feitas. Respeitaram-se mutuamente, o que tem muito a ver com as expectativas geradas pelas últimas sondagens aos partidos que ambos lideram. A Passos Coelho interessava dar algum palco a Louçã, que segundo os mais recentes estudos de opinião tem visto fugir votos para o PS. O coordenador do BE tinha uma preocupação simétrica: interessa-lhe progredir eleitoralmente à custa dos socialistas, o que o inibe de transformar o PSD em adversário principal.»

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