Querem imitar a vida mas estão longe dela


Pedro Correia,

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Vale a pena, de quando em vez, espreitarmos uma telenovela portuguesa. Dessas que pretendem retratar a realidade e mostrar «a vida tal como ela é». Pura ilusão: nada ali é mais diferente da realidade.

Desde logo, as casas. Quem vive em apartamentos assim, quase todos com escadaria interior? Parece coisa luxuosa e no entanto a porta da rua abre-se directamente para a sala, como nas cabanas. Nem um átrio, nem um vestíbulo, nem um corredor.

Depois aquela gente passa o tempo a entrar e a sair. Quando sentem necessidade de dizer seja o que for à amiga ou ao parente, não telefonam: vão. Como se a comunicação digital ainda não tivesse sido inventada.

Já viram como estão em casa? Nada de roupão ou chinelos. Eles de fato completo e gravata, elas pisando alcatifas de salto agulha, maquilhadas como se fossem beber um drinque na Embaixada de França.

E há sempre um sofá. Um enorme, vastíssimo, descomunal sofá onde as personagens passam todo o tempo. Sintonizem um canal à hora da telenovela portuguesa, seja em que estação for: logo surge o herói da trama. Precisamente o sofá. Quase mais lusitano do que o galo de Barcelos.

Sem esquecer as sopeiras à moda antiga, como há muito não se usa. Fardadas, sempre fardadas, servindo pequenos-almoços de buffet de hotel, cheios de sumos tropicais. E os padres, todos com vestes pré-conciliares, como se fosse vulgar vermos por aí jovens sacerdotes de sotaina e cabeção. Só mesmo na ficção televisiva made in Portugal. Para ninguém ter dúvidas: está ali um padre de novela. Tão falso como qualquer adereço de estúdio.

Além disso, situe-se o enredo onde se situar, não se ouve a menor pronúncia regional. Já houve telenovelas passadas no Minho, no Alentejo, nos Açores, com todos os intérpretes a falar com sotaque do eixo Lisboa-Cascais. Dizendo “chtamoch” em vez de estamos ou “mêmo” em vez de mesmo. Nos casos mais graves, as falas transformam-se em murmúrios, sem cadência a marcar as sílabas. Alguns dos mais antigos declamam como aprenderam nas tábuas do Teatro Nacional ou nos defuntos folhetins radiofónicos, mas a pronúncia diferenciada nunca está lá. Fica esquecida, ao contrário do que sucede nas novelas brasileiras da Globo, que trabalham bem as entoações regionais, com eficaz direcção de actores. O que explica parte do seu sucesso.

Finalmente, quase não se encontra uma pele enrugada. Carinhas larocas, tudo imberbe, moranguitas com ou sem açúcar, formação mínima ou nula na arte de representar. E muitas falas sincopadas, cheias de monossílabos: talvez assim seja mais fácil decorar o papel.

Que diferença entre isto e uma série de qualidade, como a britânica O Último Tango em Halifax, recentemente exibida na RTP 2. Personagens centrais: uma velha e um velho, quase octogenários, que se reencontram seis décadas depois de terem sido namorados no liceu. Vivem em casas que parecem reais. Falam como pessoas verdadeiras. E movem-se num simulacro da realidade, não na sua caricatura ou distorção.

 

Texto publicado no semanário Novo

80 comentários em “Querem imitar a vida mas estão longe dela”

  1. Identifico-me com as críticas apontadas. Desisti das novelas portuguesas há muito. E é pena, não cresceram um átomo desde a criação. Falta-lhes verdade.

  2. A verdadeira e exemplar descrição de uma crise geral que não é preciso inventar com repetitivos e enfastiantes. discursos dos agentes de podre sistema.

  3. Não vejo, a única coisa por que passo os olhos, aquando em casa parental, é uma coisa na TVI que dizem ser uma novela mas mais se assemelha a uma sequência de sketches. Ser guionista não parece ser uma profissão intelectualmente exigente.
    Pela descrição, as novelas tentam imitar a sofisticação brasileira, dos pequenos-almoços dignos de um hotel (sempre com o “suco”) e claro, pretendem alegrar a malta com personagens animados, ao invés de a deprimir ainda mais com personagens reais.
    O resto são os clichés com os quais nos habituámos a viver em séries e filmes, como o estacionamento fácil (sempre à porta do local pretendido, e com espaço mais que suficiente) e o protótipo da rapariga feia ser a Scarlett Johansson despenteada e a usar óculos.

  4. Não vejo telenovelas. Não sei se tem a ver com o que descreve ou porque não tenho paciência para acompanhar uma trama, uma história, em vários episódios.

  5. Vê-se mesmo que você não conhece a realidade portuguesa.
    O Berardo vive numa garagem, onde é que o homem há-de meter o sofá senão na sala à vista de todos?
    Ou o Vieira que vive num palheiro.
    E se o Rendeiro estivesse de roupão e chinelos como é que podia viajar de repente?
    Estas novelas são o retrato do português genuíno.

    1. Podiam fazer uma novela inspirada na vida do Berardo.
      A melhor novela portuguesa que vi foi ‘A Banqueira do Povo’, da RTP, inspirada na Dona Branca. Excelente papel de Eunice Muñoz como protagonista. E com um elenco fabuloso: Raul Solnado, Carmen Dolores, Jacinto Ramos, João Perry…

  6. País com um património cultural e histórico riquíssimo, reduzidos a isto é o melhor que a nossa produção audiovisual tem para oferecer.
    Que contraste com as produções da BBC, já para não dizer das mini-séries que entre nós absolutamente desapareceram.
    E depois o hábito execrável de injectar à força as temáticas da “nova” modernidade e intervencionismos.
    Condições que espelham um povo e território que já foi país e nação.

    1. País com um património cultural e histórico riquíssimo

      Histórico talvez, cultural nem por isso.. por exemplo, só existe uma (uma!) edição boa de um pintor português, no caso uma edição de luxo que ninguém conhece do De Aetatibus Mundi Imagines de Francisco D’Holanda (o original está em Espanha). Só existe uma única edição digna de figurar entre as grandes edições europeias (como a edição francesa dos desenhos de Botticelli para a Divina Comédia) neste país de avençados de um chefe tribal que veio lá das colónias chamado António Costa, por sinal adepto de um clube de labregos e de aldrabões.

      Não me phodam.

  7. Agora se calhar já não porque também já não fumam, mas há uns anos nos tempos do Nicolau Breyner qualquer personagem quando chegava a casa entrava na tal sala/átrio, chegava-se à estante e emborcava logo um granda scotch enquanto planeava uma malfeitoria qualquer.

    1. As produções lusas nunca adoptaram o neo-realismo. Nas palavras de um ex-colega/erudito de excelência, então eles estão ali na cama a ****r, e não tiram a roupa? Vê-se mesmo que é ficção.

      1. Muito bem visto!!
        Nem os saloios vão assim para cama pecar, os países dos Palop devem rir que nem uns malucos a nossa conta.

  8. Os erros apontados não são específicos das novelas portuguesas, embora abundem. Os pequenos-almoços homéricos com seus jarros com sumos de fruta de cores berrantes e chávenas do serviço de casamento são de gargalhar.
    No caso das pronúncias e regionalismos, o pior é ver um qualquer actor de novela do triângulo Sintra-Cascais-Lapa falar com uma pronúncia do norte.

    1. Não há trabalho específico nessa área. Zero total.
      Quando tentam, por vezes, ainda é pior.
      Isso tem a ver com a formação – inexistente, em muitos casos. E com a direcção de actores, que se está nas tintas.

  9. Trabalhei numa universidade americana que tinha um dos mais prestigiados cursos de teatro do país. O teatro (que abrange também a representação para cinema) é, de facto, um curso superior em muitas universidades americanas. E nesse curso há cadeiras (isso mesmo, cadeiras) nas quais se aprende a imitar sotaques e pronúncias diversas, por exemplo, a flar inglês com pronúncia do Sul, ou de franceses ou de italianos.
    Isto para dizer que aquilo que o Pedro Correia exige (e bem) dos atores – que eles não falem com pronúncia de Lisboa – não é coisa nada fácil – é coisa para se aprender numa cadeira de um curso universitário.

    1. É isso que se exige dos grandes actores.
      Vi, em tempos, Maria do Céu Guerra compor uma excelente pronúncia açoriana, na bela série da RTP ‘Mau Tempo no Canal’. Estava tudo certo naquela composição.
      E ela, de certeza, não necessitou de frequentar uma universidade norte-americana para falar assim.

      1. pronúncia açoriana?! Que é isso?
        Os Açores são nove ilhas, e todas elas têm pronúncias diferentes, havendo nalgumas delas sub-pronúncias.
        Refere-se à pronúncia micaelense?

        1. É o mesmo que pronúncia lisboeta ou portuense. Ou minhota. Há vários sotaques em Lisboa e no Porto e no Minho ou em Trás-os-Montes – mas a pronúncia tem uma identidade genérica.
          Como a dos Açores (seja de que ilha for) não se confundir com a da Madeira. Ou a do Algarve (com vários sotaques) não se confundir com a do Alentejo (que tem diversos também).

          1. Lamento dizer mas o Pedro está totalmente errado. A pronúncia micaelense é profundamente diferente das pronúncias das outras oito ilhas dos Açores. Não tem nada a ver. Não há mesmo pronúncia açoriana. Isso não existe. O que há é a pronúncia micaelense, a qual os continentais têm muita dificuldade em entender (e os micaelenses têm dificuldade em entender os continentais), e as pronúncias das outras oito ilhas, que são perfeitamente compreensíveis.

          2. Você faz de conta que os Açores só têm uma ilha.
            Ouvia Vitorino Nemésio falar, ele era da Terceira, e percebia-se que era um açoriano. Não era um madeirense, nem um continental. Nem de S. Miguel.
            Como se percebe quando é um alentejano a falar, seja ele de Évora ou de Beja – embora os sotaques sejam diferentes, como são os do barlavento e os do sotavento no Algarve. Idem, para os do Alto e do Baixo Minho.
            No caso, era pronúncia do Faial – nem Terceira nem São Miguel. E Maria do Céu Guerra interpretou-a de forma exemplar.

  10. Eu também não vejo telenovelas, mas pelo que oiço, parece-me que há outra coisa que também é surreal: o facto de haver sempre gente que mata (por dinheiro ou ciúme), geralmente membros da sua própria família, ou amigos e/ou colegas próximos, adicionando a traição ao assassínio. À boa maneira de um país violento do terceiro mundo – como se isso fosse normal num país de brandos costumes como o nosso.
    Filipa

    1. Isso já não sei. Quando espreito alguma, preocupa-me quase nada a trama daquilo. Interessa-me mais analisar as interpretações dos actores – sobretudo jovens actores, que só vou conhecendo desta forma.

  11. Não há direito o Sr. Correia querer acabar com as novelas portuguesas que é o meu entretêm cultural e me faz feliz e digo mais: todos os homens deviam ver novelas para cultivarem o intelecto em vez de andarem para aí agarrados a Sport TV e irem pra rua armados em Ronaldos da praceta.

    Anabela Costa

    1. Muito bem Anabela Costa. De facto, como se vê pelos comentários, o país está cheio de intelectuais que não perdem tempo a ver coisas rascas. Só coisas de elevadíssima craveira.

  12. Leopedro, tem toda a razão.
    Essas novelas são um atestado de estupidez: não percebo se são assim mesmo por questões comerciais ou por quem as realiza não ter a noção do ridículo que você identifica.
    Evidentemente que pretendem ser cópias das novelas brasileiras, mas os brasileiros fazem novelas para públicos concretos e também atiram com a estupidez dos pulôveres em clima quente, lareira acesa em mangas de camisa, luz acesa em casa e dia na rua, pessoas a fumar sem nunca terem fumado, copos de tintol a qualquer hora, etc. tudo feito com intensão publicitária de quem paga a produção.
    E os argumentos que arranjam com problemas de tretas, com gêmeos, ceguinhos, aleijados e criados e patrão? É assim a vida das nossas TVs comerciais.
    Vá que as poucas novelas/séries da RTP1 ainda se aguentam, e até realizaram uma interessante com um argumento jocoso criticando as novelas da treta.
    O caso que aponta da RTP2 sobre a qualidade das séries britânicas p.ex. e outras do mesmo canal é pena não serem apresentadas na RTP1, criando o hábito de as ver pese embora o grande problema das legendas.

  13. Fui pela primeira vez ao Brasil em 1975 e adorei a visita. Lá vi pela primeira vez excertos de telenovelas e ri-me com aquilo e pensando que tal nulidade nunca chegaria a Portugal. MAS vieram mesmo …, de lá, do México, etc.
    Por outro lado têm público, assim como os execráveis reality shows, tudo isto contribuindo para o atraso do pessoal. Paciência, há que aguentar e felizmente há muitos mais canais e bons.
    Cumprimentos. José.

          1. Excelentes actores, humor de qualidade e crítica social contundente. 👍🏻

  14. Concordo com quase tudo, mas há coisas que não são bem verdade. Primeiro, os padres (principalmente os mais jovens, hoje tendencialmente mais conservadores) usam mesmo aquelas roupas quase tridentinas. Depois, os sotaques regionais. A RTP já os usa nas séries. Pode não ser muito, mas a RTP tem feito esse trabalho dos sotaques regionais.
    Quanto aos monossílabos, não me parece que seja por causa dos atores, mas sim por causa de quem vê as novelas. Quando as televisões chamam estúpidos aos espectadores nos telejornais, não se está à espera que as novelas sejam vistas por grandes intelectuais, como se estivessem a assistir a uma peça de Shakespeare.

    1. Sim, na RTP – por vezes – trabalham-se os sotaques. Até por não concentrarem toda a produção em Lisboa. Refiro-me mesmo às telenovelas da SIC e da TVI, não às séries.

  15. Só estranho na caixa de comentários ninguém comentar “O Último Tango em Halifax”. com que me deliciei enquanto durou.

      1. Pois eu vi e adorei.
        Os diálogos ternurentos dos mais velhotes, o ambiente rural e o diálogo que estabeleceram a professora e a colega, pelos corredores da Escola, o casamento entre pessoas do mesmo sexo retratam a vida como ela é. Também o apego à vida do Alan e o seu gosto pelo novo emprego, o casamento aos 70 anos e alguns desaguisados entre familiares me enfeitiçaram.
        Creio tratar-se duma produção da BBC, e que venham mais.
        Gostei bastante do que escreveu, Pedro.
        Maria

  16. Nos tempos em que a telenovela era o melhor e único entretenimento além do telejornal, todas terminavam o genérico com a mesma frase: Algo do género: “Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança com factos, pessoas ou acontecimentos, é mera coincidência.” Não fazia ideia se hoje ainda fosse necessário este tipo de disclaimer, mas parece-me óbvio que o objectivo nunca foi espelhar qualquer realidade. O mesmo se aplicava ás novelas zucas que tanto nos inundaram no passado, pois também ficavam a anos luz da realidade daquele país. Felizmente que hoje ha milhentas de opções além deste lixo audiovisual, mas é como tudo na vida, só consome quem quer.

    1. Não lhe chamo “lixo audiovisual”, de forma alguma.
      Já vi excelentes novelas, brasileiras e algumas portuguesas.
      Tenho curiosidade, por vezes, em perceber até que ponto a realidade contemporânea se reflecte neste produto televisivo. Quase nada, nos tempos actuais. Mas nem sempre foi assim.
      Houve novelas de inteligente e divertida sátira social. Lembro-me, por exemplo, do excelente ‘Roque Santeiro’. Ou da ‘Tieta’.

  17. As telenovelas não são como todo o resto.
    As notícias e os falantes agem assim:
    “Marcelo e Costa encontraram-se…”, como se o gajo que dá a notícia os tratasse diariamente por tu cá tu lá bardamerda.
    Os ditos Marcelo e Costa, direitistas, esquerdistas e etc., botam faladura dirigindo-se aos tugas dizendo “portuguesas e portugueses” e sempre a conjugar o verbo “dezer” (eu dego, tu dezes, ele deze, nos dezemos e por aí fora).
    Por isso, à hora desse tipo de notícias prefiro vêr a telenovela.

  18. E se gostaram do “Halifax”, o que dizer do “Life” (traduzido por “São Vidas”, até me torço toda…), a passar atualmente também na RTP2? Absolutamente deleitante. Estranho até um bocadinho que o Pedro não o tenha mencionado.

    1. Cara Gracinha,

      Sim, ambos muito bons. Que diálogos! Quanto às novelas portuguesas por vezes vejo e rio muito. São mesmo más: o argumento, as falas, os actores (existem algumas excepções), os cenários, as incongruências. Mas, ao que parece, ganha-se bem.
      Catarina Silva

    2. Estas novelas/séries da RTP2 são de grande qualidade, não só as da BBC como também de outras TVs nórdicas.
      Pecam por um problema publicitário, que paga a produção, que é o beber do tinto em quase qualquer situação e a apresentação de casas luxuosas para o poder financeiro de quem as habita.

  19. É de facto de estranhar num país com quase 1/3 (mais de 1/4, vá) de pessoas com mais de 60 anos que a ficção nacional se fixe nos interesses do público juvenil. Todo muito cool. Lá está, diversidade mas nem tanto, já que a dita só abrange o que se considera apelativo.

    E realmente as personagens visitam-se muito. Olhando para aquilo ficamos deprimidos em casa por comparação a pensar que somos extraterrestres sem vida social.

    Só faltou o pormenor do falar à vez. Bem sei que se os actores se atropelarem nas falas não se entende. Mas é um exagero ver discussões acesas em que os protagonistas esperam que o outro termine a invectiva para soltar o insulto seguinte. É isso e a forma como enunciam com imenso pormenor e enfase as maldades de vão fazer ou fizeram.

    1. Pois, Isabel. Passam a vida a entrar em casa uns dos outros. Vivem na cidade mas agem como se estivessem na aldeia. E é tudo muito modernaço excepto ao nível das telecomunicações.

      Outro pormenor curioso é que passam o tempo a dizer os nomes uns dos outros. Coisas do género:
      – Ó João, vamos sair esta noite?
      – Não posso, Maria. Tenho que trabalhar.
      – Ó João, mas tu tinhas prometido…
      – Eu sei, Maria. Mas não posso mesmo.
      Tudo muito alegadamente “natural” ou realista. Mas com um ligeiro problema: na vida real, ninguém fala assim.

      1. Nao sei, nao sei.
        Eu também pensava que ninguém tratava os pais /filhos por você (outro tique das produções lusas), ecestava equivocado

    2. Realmente as novelas da TVI e SIC tem argumentos ridículos, com publicidade indirecta que nem sequer será para consumo de quem as vê.
      Aqueles argumentos de senhores com quintas e criados, com toda a ambiência resultante é para determinada camada da população que nem sequer vê novelas.
      Determinadas caracterizações são feitas com incongruência como p.ex. roupa cara de marca vestida por gente sem esse poder de compra.
      Vendo bem, até nos celebres filmes portugueses dos anos de 1940 aparecia a saloia Beatriz Costa e a rural Mirita Casimiro com as sobrancelhas arranjadas à moda das senhora da cidade.

      1. Diverte-me especialmente ver a tentativa de representação de gente educada a segurar o talher com o punho fechado ou a gesticular o dito no ar.

        Só vi dois episódios do Halifax (no mês passado contaram-me o enredo todo) , e gostei, claro. A falta que nos fazem os subentendidos, ironia e as zonas cinzentas (as personagens com tantos defeitos quantas virtudes e por isso mesmo interessantes) Por cá ainda continuamos a passar mensagem estereotipada.

  20. Muito bem apontadas todas as críticas. Apenas um detalhe , é melhor deixar de ver as novelas da TVI e passar a ver novelas de outros canais portugueses….

    1. é melhor deixar de ver as novelas da TVI e passar a ver novelas de outros canais portugueses.

      Ah pois, deve melhorar à brava

  21. Numas férias no Gerês estávamos a jantar numa tasca onde uma televisão passava uma telenovela portuguesa. Ainda hoje nos rimos às gargalhadas com o diálogos interpretados por uma das filhas (que os decorou e os interpreta na perfeição)! Muito, muito bons esses diálogos. Totalmente disparatados e inverosímeis!

  22. Deixei de ver telenovelas.
    São injeções contínuas de más lições de vida.
    Brindam constantemente o copo sempre na mão como se houvesse razões para festejar a falta de imaginação …

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